Beja 24 de outubro
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesAgriculturaArquitectura históricaBebedeiras e desordensDebates políticosEleiçõesFeirasFestas religiosasGranizoHospitaisNeveObras de infraestruturaPontes
Fez-se a eleição geral. Infelizmente ha violências a registar, tumultos e desordens a contar, e até diplomas ensopados em sangue! As scenas de Arada e Machico, de Moncorvo e Ceia repetiram-se. O governo engrossou a sua enorme maioria com alguns deputados mais, mas a liberdade velou o rosto. Triste victoria! Eis a lista dos eleitos: 1, Monção, Luiz José Dias, progr. 2, Valença, Sousa Serpa, progr. 3, Caminha, Torres Silva, progr. 4, Arcos de Val-de-Vez, José Teixeira de Queiroz de Moraes Sarmento, progr. 5, Ponte de Lima, Antonio José da Rocha, progr. 6, Vianna, Goes Pinto, progr. 7, Espozende, Francisco de Castro Monteiro, progr. 8, Barcellos, José Barroso Pereira de Mattos, progr. 9, Villa Nova de Famalicão, Antonio Alves Carneiro, progr. 10, Guimarães, Barão de Paço Vieira, progr. 11, Braga, Manuel Joaquim Penha Fortuna, progr. 12, Villa Verde, J. Antonio Sepulveda, progr. 13, Povoa de Lanhoso, empatada. 14, Cabeceiras de Basto, Guilhermede de Abreu, reg. 15, Fafe, Vieira de Castro, progr. 16, Celorico de Basto, Joaquim Alves Matheus, progr. 17, Montalegre, Henrique de Barros Gomes, progr. 18, Chaves, Antonio José Antunes Guerreiro, progr. 19, Valle Passos, Francisco Medeiros, progr. 20, Villa Pouca de Aguiar, Antonio José de Avila, avilista. 21, Alijó, Visconde de Arriaga, reg. 22, Sabrosa, Lopo Vaz, reg. 23, Villa Real, Azevedo Castello Branco, reg. 24, Peso da Regoa, Diogo de Macedo, reg. 25, Moncorvo, João José Dias Gailas, progr. 26, Mirandella, Alexandre de Almeida, progr. 27, Macedo de Cavalleiros, Guerra Junqueiro, progr. 28, Bragança, João Antonio Pires Villar, progr. 29, Mogadouro, Albino Vaz das Neves, progr. 30, Villa do Conde, Manoel Brandão, progr. 31, Santo Thyrso, Rodrigues Ferreira, progr. 32, Fagueiras, Julio de Vilhena, reg. 33, Amarante, dr. Antonio Cândido, progr. 34, Marco de Canavezes, Antonio Pinto de Magalhães Aguiar, progr. 35, Penafiel, Thomaz Bastos, progr. 36, Paredes, José Guilherme Pacheco, reg. 37, Bouças, Antonio Lucio Tavares Crespo, progr. 38, Porto (circulo oriental), Marianno de Carvalho, progr. 39, Porto (circulo central), Rodrigues de Freitas, republicano. 40, Porto (circulo ocidental), Adriano Machado, progr. 41, Gaya, visconde das Devezas, progr. 42, Feira, Pires de Lima, progr. 43, Arouca, conde de Sabugosa, progr. 44, Oliveira de Azemeis, Ernesto Pinto Basto, progr. 45, Ovar, Manuel Aralla e Costa, avil. 46, Estarroja, Francisco Barbosa, progr. 47, Agueda, Visconde de Aguieira, constituinte. 48, Aveiro, Dias Ferreira, constituinte. 49, Anadia, José Luciano de Castro, progr. 50, Cantanhede, José Luiz Ferreira, reg. 51, Figueira, Guimarães Pedroza, progr. 52, Montemor-o-Velho, Manuel Joaquim Macedo Sotto Mayor, reg. 53, Soure, dr. Antonio Egyptio Quadros Lopes de Vasconcellos, progr. 54, Coimbra, Antonio Cândido Ribeiro da Costa, progr. 55, Louzã, Francisco Wanzeller, constituinte. 56, Arganil, Antonio Augusto de Aguiar, constituinte. 57, Oliveira do Hospital, Pedro M. Castello Branco, progr. 58, Penamacova, Allipio de Sousa Leitão, progr. 59, Santa Comba Dão, Joaquim Paes Abranches, progr. 60, Mangualde, José Simões Dias, progr. 61, Vizeu, Gaudencio José Pereira, progr. 62, Tondella, Antonio Villafanha, progr. 63, Vouzella, Joaquim de Almeida e Castro, progr. 64, S. Pedro do Sul, Bandeira Coelho, progr. 65, Siniães, Manuel Pereira Dias, progr. 66, Lamego, visconde de Arneiros, progr. 67, Armamar, Julio d’Abreu e Sousa, progr. 68, Moimenta, José de Nápoles, progr. 69, Pesqueira, Elvino de Brito, progr. 70, Pinhel, J. J. Fernandes Vaz, progr. 71, Figueira de Castello Rodrigo, Joaquim Simões Ferreira, progr. 72, Sabugal, Antonio Bigotte, progr. 73, Guarda, José de Castro, progr. 75, Gouveia, Julio Rainha, progr. 76, Ceia, José de Abranches, progr. 77, Covilhã, Pessoa de Amorim, progr. 78, Idanha a Nova, Antonio Augusto d’Aguiar, constituinte. 79, Castello Branco, Fernando Caldeira, constituinte. 80, Fundão, Saraiva de Carvalho, progr. 81, Certã, Raima de Bastos, reg. 82, Figueiró dos Vinhos, Carlos Ribeiro, progr. 83, Pombal, juiz Vasconcellos, progr. 84, Leiria, J. C. Melicio, progr. 85, Alcobaça, José Antonio de Sousa Lixa, progr. 86, Caldas da Rainha, Eça e Costa, progr. 87, Cadaval, J. G. Barros e Cunha, independente. 88, Alemquer, Ignacio do Casal Ribeiro, progr. 89, Torres Vedras, J. P. Antonio Nogueira, avil. 90, Mafra, José Ferreira Garcia Diniz, progr. 91, Cintra, A. D. Mazzioti, progr. 92, Belem, Pedro Franco, progr. 93, Olivaes, D. Miguel de Noronha, progr. 94, Lisboa, 1.ª, Zofimo Pedroso Gomes da Silva, progr. 95, Lisboa, 2.ª, Barros e Cunha, avil. 96, Lisboa, 3.ª, Pereira de Miranda, progr. 97, Lisboa, 4.ª, Ressano Garcia, progr. 98, Lisboa, 5.ª, Saraiva de Carvalho, progr. 99, Almada, Antonio Ennes, progr. 100, Aldeia Gallega, José Maria dos Santos, reg. 101, Setubal, Antonio Maria Barreiros Arrobas, independente. 102, S. Thiago de Cacem, Joaquim Ornellas de Mattos, progr. 103, Golegã, Anselmo Braamcamp, progr. 104, Cartaxo, Ribeiro Ferreira, progr. 105, Santarém, Henrique de Barros Gomes, progr. 106, Torres Novas, Augusto Victor dos Santos, progr. 107, Thomar, João Isidro dos Reis, progr. 108, Abrantes, Henrique de Macedo, progr. 109, Niza, empatada. 110, Portalegre, José Frederico Laranjo, progr. 111, Elvas, João Chrysostomo de Abreu e Sousa, progr. 112, Aviz, Emygdio Navarro, progr. 113, Monte-mór-o-Novo, Francisco Beirão, progr. 114, Evora, Domingos Pinheiro Borges, progr. 115, Extremoz, Luiz Jardim, independente. 116, Reguengos, Joaquim de Vasconcellos Gusmão, progr. 117, Moura, Oliveira Valle, progr. 118, Cuba, Antonio Fialho Machado, progr. 119, Beja, Manuel Nobre de Carvalho, constituinte. 120, Odemira, Dr. Neves, reg. 121, Mertola, visconde de Boisões, progr. 122, Villa Real de Santo Antonio, dr. Tello, progr. 123, Tavira, José Julio de Oliveira Baptista, progr. 124, Faro, Luiz Bivar, reg. 125, Loulé, Sarria Prado, miguelista. 126, Silves, Pereira Caldas, prog. 127, Lagos, Augusto Feio Soares de Figueiredo, reg. 128, Funchal, Feliciano Teixeira, progr. 129, Santa Cruz, Manuel Celestino Emygdio, progr. 130, Ponta do Sol, conego Alfredo Cesar de Oliveira, progr. Lê-se no Diario popular: «O partido regenerador, estando em opposição, e colligado com o partido constituinte, perdeu todas as eleições da capital.» Em Lisboa o partido constituinte ficou livre de compromissos partidários e portanto não se pode dizer que houvesse colligação. Agora colligados vimos nós o governo com os regeneradores em Aldeia Gallega e vimol-os em Castello Branco e outras terras. Neste ultimo districto o que se praticou foi infame, mas estimámos, porque deu maior realce á victoria ganha pelo nosso honrado presidente, o sr. Vaz Preto. Foi uma lucta titanica.
Acontecimentos na Europa
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoPreçosReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgriculturaCasamentosConferênciasConflitos locaisContrabandoCostumes e hábitosDebates políticosEleiçõesInstrução públicaLivros e publicaçõesObras de infraestruturaObras municipaisObras religiosasPobres e esmolasPreços e mercadosPrémios e distinções escolaresReformasTelégrafo
Na preterita semana reinou perfeita calmaria nas espheras políticas e diplomáticas europeias. As viagens dos ministros francezes, as manifestações levantadas a proposito d’essas viagens, os discursos e os banquetes terminaram, e apenas no campo da publicidade se sustentou a questão motivada pela conferencia do príncipe de Bismark com o conde do Andrassy e a que está em projecto entre o primeiro e o príncipe de Gortschakoff. Em França, depois dos altos clamores ácerca do artigo 7.º do projecto de instrucção publica, e das buliçosas recepções feitas aos amnistiados da communa no seu regresso ao seio de suas familias e dos seus amigos, tudo voltou ao silencio e parece que não será perturbado até que a abertura das camaras em Paris tenha logar. Os orgãos da reacção não cessam comtudo nas suas truanisaes contra a forma do governo legalmente estabelecida; dizem elles que a republica é o espectro vermelho que desgraçará com a sua mão descarnada a pobre França; a guerra preparada nos conventiculos ultramontanos redobrou de força e de energia com a eleição d’uns dos amnistiados recemchegados para um dos logares vagos no conselho municipal de Paris, e, procedendo d’essa forma, espalham que só o conde de Chambord poderá com o auxilio do ceu salvar o paiz; é por isto que as manifestações politico-religiosas tem tido logar umas após outras. A mesma linguagem mas em sentido de propaganda a favor do príncipe Jeronymo Napoleão observava-se ainda nas folhas imperialistas. No entretanto, convem notar que o governo consolida a republica nas bases da tolerância, e o povo incitando-o a que prociga avante no trilho das reformas e da economia recebe á gargalhada as loururas dos defensores da monarchia do direito divino, e dos que exaltam as virtudes do império fazendo por esquecer que o império desgraçou a França, que a arrastou á beira do abysmo, e entregou á Allemanha a Alsacia e Lorena duas ricas provincias, desmembrando assim o territorio. Algumas folhas de Berlim, a proposito da projectada entrevista entre o príncipe de Bismark e o sr. Canovas del Castillo, deixou escapar vários boatos com referencia ao resultado da entrevista, caso venha a ter logar, e dos importantes successos no futuro que poriam em risco a paz europeia e mui principalmente nas potências latinas; o jornalismo madrileno occupa-se egualmente d’essa questão e diz ainda que vagamente, que na entrevista se discutiriam altas questões políticas e se assentariam as bases de uma alliança entre a Hespanha, a Allemanha e a Austria-Hungria. As combinações politicas que servem de thema aos commentarios do jornalismo madrileno, teriam sido sugeridas a proposito do enlace régio, que essas mesmas folhas se comprazem em julgar como prologo de acontecimentos que hão de mudar totalmente o estado de coisas e o modo de ser na península. Affirmar-se-iam as instituições monarchicas, que em Hespanha estão edificadas n’um solo minado pelas correntes revolucionarias, e por essa alliança do reinante, com o apoio e ostensivo beneplacito de dois poderosos impérios, se realisariam no futuro proximo as reivindicações históricas, que são o bello ideal do Imparcial e dos políticos utopistas que em Hespanha se deixam dominar pela embriaguez das aspirações ambiciosas, que em 1640 ficaram desfeitas nos campos da batalha, e mais de dois séculos de vivos e energicos protestos teem contrabalançado e repellído, levantando uma grande barreira politica, que é a fronteira mais forte que existe na independencia de dois paizes na parte occidental da Europa, Portugal e Hespanha. Essa entrevista, pois, teria por objectivo principal a fusão de dois paizes sob o mesmo sceptro, a constituição do sonhado império iberico, e seria o preço porque se pagaria á Hespanha o seu auxilio armado em taes ou taes conjuncturas graves de que a Europa anda ameaçada. Conforme se vê os conservadores realengos são os mesmos em todas as partes e seguem á risca as suas velhas tradições. Cremos, porém, poder affirmar que a epocha dos tratados de Fontainebleau vae muito distante, e que a independencia dos povos, firmada nas demonstrações da sua actividade, tradições e vida propria, perfeitamente designadas pela historia e accentuadas definidamente, de dia para dia, no movimento geral da civilisação e do progresso, não poderá ser um presente de núpcias nem tão pouco o premio de ambições que estão condemnadas a perecerem perante as exuberantes affirmações que resultam espontaneamente do mais vigoroso de todos os sentimentos políticos que se abrigam no seio dos povos; o da sua justa e inteira independencia. Já aqui o dissémos e não o cessaremos de repetir: no dia em que a monarchia hespanhola mandasse os exercitos violar o nosso territorio Portugal levantar-se-hia como um só homem e proclamando a republica federal firmaria a sua independencia e mostraria aos déspotas do Norte que ainda tinha forças para responder com hombridade aos insultos dos que só sabem viver explorando o povo acobertados com os arminhos dos mantos reaes. Portugal seria então republicano, isto é, livre, altivo, audaz, glorioso, e mostraria á monarchia hespanhola e aos déspotas do Norte que ainda tinha forças para firmar a sua autonomia e responder aos insultos dos que só sabem viver explorando o povo acobertados com os arminhos dos mantos reaes. Olhem os monarchicos hespanhoes para o estado lastimoso a que tem reduzido a nação e deixem-se de pensar em aventuras que serão sempre perigosas para os interesses das instituições monarchicas. Cabe aqui a proposito fallar do estado universal a que o actual estado de cousas tem reduzido a Hespanha. Eis o que diz um correspondente de Madrid: Cada dia se torna mais grave a questão do trabalho. O porto de Vinaroz, na Catalunha, tem 1:500 marítimos sem trabalho e sem pão. Da Navarra saem centos de operários para a America; no Aragão a miseria toma proporções assustadoras; Almeria, Valência, Alicante e Murcia veem partir todos os seus homens validos para a Argélia. São dados officiaes, em que não ha exageração. Feliz situação! É a este estado, repetimos, que a obra de Sagunto tem arrastado a Hespanha. E pensam os monarchicos em projectos de altas combinações politicas! O partido democrático procura porém collocar um dique ás demasias dos conservadores salvando ao mesmo tempo a liberdade para dar novo impulso ao progresso. Em uma correspondência de Madrid lemos que o sr. Martes reuniu em sua casa os membros da junta directora do antigo partido progressista democratico; assistiram quinze pessoas, tendo faltado, o sr. Becerra e Gasset, director do Imparcial, por não estarem conformes com as bases estabelecidas em Paris, inclinando-se para as idéas conservadoras, os srs. Calvo Asensio, Santas e outros amigos do sr. Ruiz Zorrilla, por serem contrários á união tal como se projecta e partidários de uniões e principios mais avançados. É o que se affirma. O sr. Martos, apesar de dizerem que havia perdido a minuta das bases approvadas na conferencia de Paris, suppriu a falta com a sua excellente reminiscencia, e declarou que o partido defenderia a constituição de 1869 e as leis orgânicas que vigoraram até 1873, mas com algumas acclarações; a unidade de Hespanha e a autonomia administrativa sob a inspecção do governo e que se conservaria separado da demagogia e da reacção. Depois de serem manifestadas pelos srs. Figueirola, Mosqueza e Sardoal algumas duvidas a que o sr. Martos respondeu, assim como o sr. Montero Rios, foi approvado o procedimento do sr. Martos em Paris, ficando elle auctorisado a entender-se com todos os grupos democraticos que estivessem de accordo com aquellas bases para a formação do novo partido, que se intitulará — Democratico hespanhol. É cousa resolvida que o sr. Gasset e o seu jornal o Imparcial não acompanham o novo partido, o qual, segundo parece, fundará um jornal para defender as suas idéas. Parece que o sr. Martos enviará copias das resoluções tomadas em Paris e em Madrid aos srs. Pi y Margall, Figueras e Castellar, assim como a todos os jornaes democraticos, para que as discutam. A attitude do El Globo, orgão do sr. Castellar, e da Union que representa o sr. Pi y Margall e os federaes, não pôde ser mais digna. Só dois jornaes declararam que não dizem nada ácerca das resoluções tomadas em Paris porque ainda não as conhecem, e só depois de as conhecerem as discutirão. O Liberal parece que tambem não quiz ser orgão do novo partido. As pequenas divergencias suscitadas no seio do partido progressista-democratico serão sem duvida vencidas e as cousas marcharão conforme as decisões tomadas em Paris. Um jornal conservador, o Diario de Barcellona, declara que a actual insurreição em Cuba é uma advertencia que não convem dispensar. E apesar disso o governo ainda não pensa em decretar a abolição da escravidão; os seus jornaes dizem que a insurreição diminue, mas apesar disso não publicam os telegrammas. Volvendo ainda aos assumptos da politica no Norte diremos que cessou a guerra levantada entre a imprensa moscovita e o allemão o que nos demonstrou que se entre Bismark e Gortschakoff existiam algumas divergencias com relação ao tratado de Berlim, essas divergencias desappareceram para dar logar á fiel execução das disposições d’um tratado. Será por este facto que ao seio da diplomacia volveram as esperanças da estabilidade da paz?
Parte official
Justiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoCrimesDecretos e portariasEleiçõesRepartições públicas
Portaria, mandando proceder ás eleições de juizes de paz, no dia que os governadores civis ordenarem; dita, mandando admittir na policia de Lisboa differentes empregados da repartição da policia preventiva.
Regressa hoje a Beja com sua ex.ma familia o redactor principal desta folha o nosso amigo o sr. Umbelino Palma.
Cultura e espectáculoExposições
O oleo de amêndoa doce fabricado pelo distincto pharmaceutico e nosso amigo o sr. H. M. da Fonseca obteve diploma de menção honrosa, na exposição do Rio de Janeiro.
Regressaram as forças que para differentes circulos deste districto tinham ido afim de auxiliarem a auctoridade administrativa.
Município e administracção localLicenças
Tem mais 60 dias de licença o administrador do concelho de Ourique, o sr. Brito Aboim.
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisFeiras
Foi boa a feira de Castro, não só porque a concorrencia de feirantes foi grande e o negocio correu, mas tambem porque o tempo esteve bom, o que raras vezes acontece.
ExércitoSociedade e vida quotidianaFalecimentosReformas
Falleceu hoje nesta cidade o sr. major reformado João José d’Albuquerque.
Meteorologia e fenómenos naturaisTrovoadas
Hoje, pairou sobre a cidade, grande trovoada acompanhada de forte aguaceiro.
Publicou
se a caderneta 85 e 86 do Diccionario de geographia.
Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoarremataçõesGoverno civil
Foi adjudicada perante o sr. governador civil, ao sr. Rufino Bazilio Rachão, a mina de manganez do cerro da Eira, na herdade do monte Ruivo, freguezia e concelho de Ourique.
Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioSaúde e higiene públicaDescobertas e achadosHospitais
Proximo de Baleizão, foi barbaramente espancado, ficando em perigo de vida, um caseiro do lavrador o sr. Palma Machado. O aggressor foi um pastor da Quinta de S. Pedro. O ferido acha-se no hospital desta cidade aonde hoje se lhe fez corpo de delicto.
Meteorologia e fenómenos naturais
O tempo corre secco, para o começo dos trabalhos agrícolas. Apenas ha algumas revoltas. Já se restolha azeitona.
Arqueologia e patrimónioExércitoMunicípio e administracção localEpigrafiaRecrutamento
A camara, na forma da lei, procedeu hontem ao sorteamento dos mancebos inscriptos para o recrutamento do exercito.
Transportes e comunicaçõesObras de infraestruturaPontes
Progridem na Salvada as obras da nova ponte, que segundo nos informam é uma boa obra.
Economia e comércioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localFeirasFurtos e roubosMercados e feiras
Houve alguns roubos em Castro, por occasião da feira. O sr. administrador do concelho prendeu o ladrão d’uma manada de novilhos que alli estavam á venda.
Município e administracção local
Foi concedida definitivamente a Alfredo Anduze a mina de ferro e manganez do Cerro do Seixo Branco, concelho de Odemira.
Economia e comércioExércitoBanda militarFeiras
Tocou no largo 9 de Julho, quinta feira, das 6 ás 8 horas da noite, a banda do regimento 17 de infantaria.
Neste districto effectuaram
Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localDescobertas e achados
se ultimamente os registos de descoberta legal das seguintes minas: Concelho de Mertola 31 minas de manganez e 4 de chumbo; foram seus registantes o 1.º José Antonio Martins, residente em Ayamonte, e os srs. Antonio da Silva Fernandes e Duarte José Alves, residentes em Mertola. Concelho de Moura, 1 mina de cobre e outros metaes, registante José Caetano Rodrigues, e outra mina de prata, chumbo e outros metaes, de que foram descobridores os srs. Vicente Maria Caeiro e José Mathias. Concelho de Castro Verde, 1 mina de cobre e outros mineraes, descobridor o sr. Antonio Rodrigues Diogo, residente em Cazevel.
Bibliographia
Economia e comércioTransportes e comunicaçõesCorreio
Publicou-se o n.º 20 da Moda illustrada, correspondente a 15 de outubro. O summario é o seguinte: Gravuras: Capa de viagem (frente e costas), vestido para creança de quatro a cinco annos (frente e costas), sete vestuarios para creança, penteado para menina, seis desenhos, mantelete elegante, sete modelos de capas e paletots para inverno, enygma. Supplementos: Figurinos de modas coloridos, folha de moldes. Artigos: Correio da moda, De relance, Á sombra dos lilazes, Entre-actos, Uma companhia incommoda (romance), Carteira do doutor, Recomendações uteis, Mil e uma receitas, Correspondencia. Assigna-se na empreza Horas Romanticas, rua da Atalaya, 42, Lisboa.
Bibliographia
Está distribuida a folha 27.ª da importante obra As Maravilhas da creação. As gravuras que a illustram denominam-se: O cão de agua, O cão de Malta, O cão havanez, Os fenecos, O galgo italiano, O king-charles e o blenheim. Cada folha 60 reis o que é baratissimo. As requisições devem ser dirigidas ao sr. Pedro Posser, na livraria Franco-Luzitana, rua do Ouro, Lisboa.
Bibliographia
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoPolítica e administracção do EstadoDebates políticosEscolasLivros e publicações
Almanach do Trinta. São sempre recebidos com alvoroço os trabalhos elaborados para o derramamento da luz entre o povo, e o livro que temos sobre a banca do trabalho, que é uma excellente obra de energica propaganda republicana, preenche cabalmente o fim a que attinge. Trabalhos por esta fórma traçados nunca são demasiados. O povo necessita de luz, de verdade, de justiça; pugnar pelos seus direitos, fazer-lhe comprehender os seus deveres, mostrar-lhe emfim o grande poder da sua soberania, poder magestoso que está acima das leis e dos thronos, é bello, justo e sublime. O Almanach do Trinta é um livro que deve existir em todos os albergues — não destroe, edifica — não corrompe, moralisa. É assim, com livros baratissimos, ao alcance de todas as bolsas, que se presta bom serviço ao povo espalhando sobre elle as grandes verdades dimanadas da escola democratica. Assim, pois, preparar o terreno para o advento da republica é trabalhar para a regeneração social; regeneração que só a republica conseguirá realisar. E dizendo isto assim, cumpre-nos declarar que nada temos que vêr com os individuos que atiram taes obras á publicidade, as tricas pessoaes são indignas de figurarem na discussão de principios. Apreciemos os trabalhos de propaganda e ponhamos de parte as qualidades pessoaes dos individuos que os elaboraram. É isto que sempre se deveria fazer para honra do partido republicano e em nome da colligação dos grupos republicanos. O Almanach do Trinta, com 144 paginas e afóra as matérias indispensaveis aos livrinhos d’esta ordem, traz escolhidos artigos e poesias de boa doutrina democratica e bem assim a lei do Regulamento do registo civil decretada em 26 de dezembro de 1878. Pela módica quantia de 100 reis quem deixará de fazer acquisição de tão util livrinho? Por ultimo diremos que se encontra á venda na rua do Arsenal, 96, rua da Rosa, 275, Lisboa, bem assim nas principaes livrarias, kiosques, etc.
Bibliographia
Cultura e espectáculoLivros e publicações
A Venus Negra. É este o titulo do romance com que a bibliotheca Geographica illustrada vae encetar as suas publicações. A Venus Negra, excellente romance de Belot, é uma serie de descripções curiosas, de perfis extravagantes, de aventuras inesperadas, que não são phantasias de romancista, mas transcripções das obras dos viajantes mais recentes e mais celebres. Assigna-se no escriptorio do Jornal de Viagens, Bonjardim, 489, Porto.
Bibliographia
Cultura e espectáculoEconomia e comércioPreçosPreços e mercados
Publicou-se o fasciculo 6.º da obra Os Apostolos continuação do Martyr do Golgotha por Henrique Perez Escrich, traducção de Cunha Seixas. Todas as semanas se distribue um fasciculo de seis folhas pelo preço de 60 reis. As requisições devem ser dirigidas aos srs. Joaquim Antunes Leitão & Irmão, bibliotheca do Cura d’Aldeia, Porto. Lisboa. Sebastião J. Bacam.
Paliares
Acidentes e sinistrosJustiça e ordem públicaReligiãoSaúde e higiene públicaDenúncias e queixasEpidemiasJulgamentosQuedas
Paliares 22 de octuvre 1879. Sor director del Periodico Bejense. Muy sor mio: la contestacion que D. Luis Orta diera en su periodico n.º 979 a los hechos que en el n.º 975 tuve a bien publicar, me hacen suplicarle se sirva dar cavida en su ilustrado Periodico a las siguientes lineas. El sôr D. Luis Orta dice, que solo escitado fuertemente su espiritu por el amor filial, pudiera ocuparze de contestar ami indigno comunicado. Io que me honrro con el caracter de Padre de familia aprecio y doy estimacion a sentimentos que tan lo le ennoblecen. Loor al sôr D. Luis Orta, por la fama que se ha creado! Ruegole á tan digno sôr, me permita la censura que merece su escrito. D. Luis escucha y responde! No saveis D. Luis, que hay tribunales para los que mal se conducen y siembran esa infame semilla como le llamais? I tu D. Luis, que tan buen hijo heres! Porque no cooperais á que la cuchilla de la ley castigue con mano fuerte al que le infamara? D. Luis, cuando asi no lo hagais, algo temo, y contra riase la modestia urbanidad conque cierra su escrito. (Ni teme ni deve el que suscribe: Luis de Orta.) Io que diametralmente opuesto á la opinion de su sôr Padre, como tan dignamente se explica en su primer parrapho, lo diré á D. Luis: Que temo y devo, y que divendo me honrro con esos titulos, si bien son pergaminos, que ofresco gratuitamente al sôr D. Luis, asi como temo, exponerme á incurrir en faltas que mereciesen el desagrado de los hombres de bien, á cuya clase pertenezco. Queda probado y confeso, que temo e devo, pero que no temo, para dejar de sostener con toda fuerza mi dignidad y decirle á D. Luis Orta: Niegole capacidad e ilustracion para censurar causas que ni todos saven distinguir ni apreciar y que me affirmo y ratifico en todas sus partes, en los hechos que dejo denunciados al publico en este periodico Bejense n.º 975. El sôr D. Luis, con el descaro y arrogancia que naturaleza concede a esos seres privilegiados, Que ni temen ni deven! Apellida de calumniadora e infame mi correspondencia y dice francamente en su tercer parrapho: Es falso que el sôr Caballero desposeyese ami sôr Padre de la heredad de Paliares y de toda falsedad que huviesse faltado a sus pagos. Bien por D. Luis, que tan atentamente se explica! Los hechos denunciados, son de aquellos que rebajan la dignidad del hombre y mientras la justicia impune severo castigo al infame perturbador, permítaseme le pregunte a D. Luis: Han sido autorizadas por el consentimiento de su sôr Padre, las lineas que inscribe en el periodico Bejense n.º 979, o son acaso, consecuencias del hombre que ni teme ni deve? Contesta D. Luis, y no abandone al silencio causas que puedan interesar a esas escitaciones, por quien tan fuertemente se conmueve su espiritu, y tenga presente aquello: del enemigo el consejo. Pendiente de la respuesta que espero de D. Luis, solo me concretaré por hoy, á los esclarecimientos que dicho sôr alega para enjuiciar sus Protestos. Atencion señores asignatarios: D. Luis, ese D. Luis Orta que ni teme ni deve, asegura en su veridico comunicado: Que me protesto la letra que vencio en 30 de agosto del año anterior, por ser muy moroso el sôr Caballero en sus pagos y por ser pagadera en Moura. Pagadera en Moura! aun todavia insistis D. Luis! No recuerda una historia titulada: La Dama del guante negro! Conque tambien protesto D. Luis la letra del año anterior? Tal vez un dia! Quien sabe! observemos que D. Luis salga Protestando contra la fé católica apostólica Romana! y quando esto sucediesse, Podremos llamarle el Protestante? Pero pasemos á lo ocurrido en Aldeanova el 30 de agosto del año anterior de 1878. El 30 de agosto del referido año 1878 mandé con mi feitor Juzé Baliente del Soveral 15000 reales para pago da dicha letra, quien acompañado de los señores Manuel Evangelista hijo y Francisco Carrasco se presentaron á las 11 de dicho dia y entregaron los 15000 reales a D. Antonio Orta por canjeo de la letra, quien en lugar de esta, dio a mi feitor un mal redactavo recivo que sin fecha (aun conservo) entendeis? sin fecha! D. Antonio Orta recivio á las 11 del dia 30 de agosto de 1878 (dia del vencimiento de la letra) los 15 mil reales por mano de mi feitor y en presencia de los señores Manuel y Francisco que le acompañaran. Preciso hacer presente, que en esa ocasion hayandome enfermo, en mi morada havitacion de Cortegana recomendé el pago a mi citado feitor, quien equivocadamente, en lugar de 15120 reales importe de la letra, se presentó solo con 15000 reales, quedando saldada esta equivocacion por la generosidad del sôr Evangelista que ofreció (y aceptó D. Antonio) garantir dicha cantidad de 120 reales o sea la de 5$520 reis, talvedad que me eximirá de los temores de la legislatura de D. Luiz. Queda explicado lo ocurrido en las dos letras que segun D. Luis me ha protestado y pasemos á las siguientes que nos dará a conocer la morosidad del sôr Caballero, como oportunamente dice: El hombre que ni teme ni deve. D. Luiz, no quiero desmentirle porque temo y sobre todo enojar su colera, pero aun que nada temera se resiste y opone mi educacion y patriotismo. Pero D. Luiz, escucheme y ponga atencion! Todas las letras han sido pagadas por conducto de su tio D. Manuel Evangelista. A él y no á mi alcanzan sus acusaciones. El que responda! Amigo Evangelista, lea el periodico Bejense n.º 879; El le infama! Por él se informará que su sobrino D. Luiz Orta, condena de morosidad el pago de las letras que por mediacion de v. de aceptara a su sôr padre. D. Luiz Orta, con la lealtad de todo un caballero, en alta voz diga: la morosidad que ha usado en todos sus pagos el sôr Caballero, me han hecho protestar sus letras y yo con más timidez y menos arrogancia agrego: para el dia de su vencimiento y con toda oportunidad tengo habilitado a D. Manuel Evangelista con fundos bastantes para pago de las letras por mi aceptadas a D. Antonio Orta. Valia todo por Dios y una cruz, amigo Evangelista! Cuando en el periodico Bejense no lea suscrito por V. la ingenua declaracion de los hechos denunciados, hu silencio me autorizará para decir: D. Manuel Evangelista de Aldea Nova ha distraido intereses agenos en distinta aplicacion de la que le autorizaran. Concluiré por hacer publico: Que la formalidad y claro proceder de D. Manuel Evangelista, me honrará en inscribirle en el n.º de mis buenos amigos. Espero con ansiedad la respuesta de D. Manuel y la del sôr D. Luiz suplicandole a este sôr tenga un mes de sufrimiento, que yo le aseguro haré constar los esclarecimientos en terminos que nada le quedará que desear. Se repite al atento SS Q B S M Juzé Caballero Romero.
Alvito
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Sr. redactor. — Protestando contra a correspondencia calumniosa da Cuba, na parte que nos toca, inserida no Diario Illustrado, de 21 do corrente, por isso me resolvo a contar-lhe com toda a exactidão, de que me prezo, o modo porque se fez aqui a eleição. E se o contrario nalgum ponto succedeu, que protestem tambem os da Cuba, se forem capazes de o fazer. Procedeu-se antes de hontem neste concelho á eleição d’um deputado pelo circulo 118, e, depois de fielmente cumpridas todas as determinações da lei, o resultado da eleição foi o seguinte: O sr. Antonio Fialho Machado obteve 409, quatrocentos e nove votos, e o sr. José Maria d’Oliveira e Silva, apenas dois. Na verdade é bem mesquinho o papel que o sr. Oliveira veio aqui representar, e jamais tendo neste concelho, por agentes os dois unicos de quem, com bastante suspeita, se suppõe serem as duas listas entradas na urna. Ha mais a notar a coincidencia dos appellidos d’ambos os candidatos propostos, na verdade bem engraçada, para se não duvidar logo de principio a qual dos dois caberia a victoria. No acto da eleição apenas se deu um incidente, que rapidamente se desfez, continuando o acto eleitoral na mesma ordem que até alli tinha havido. O incidente a que me refiro foi á presença d’um rapazito estrangeiro, vindo de proposito da Cuba, a cabeça do circulo, que de um modo serio de mais para a occasião, se apresentou desde o começo dos trabalhos eleitoraes assistindo bem de perto, e sem interrupção alguma a elles, até ás quatro horas da tarde, hora em que se predispuz os animos dos eleitores de modo tal que, para a manutenção da ordem, foi conveniente mandar retirar do local da assembléa, segundo determina a lei, para evitar maior desordem. Continuando sendo os eleitores e a auctoridade tão tolerantes para com elle até á ultima hora, para que o espia, nosso agente do nota lei, presenciasse o modo porque se costumam fazer as eleições em Alvito, porque decerto ganharia com isso a cabeça do circulo eleitoral, se elle depois quizesse ir narrar com exactidão o modo porque se costumam proceder aqui. Só assim e seguindo o nosso exemplo em eleições futuras saberiam os regeneradores da Cuba como ellas se fazem e devem fazer. Em compensação cá ficou o seu outro agente, ou por outra o segundo agente, dizem, dos cobres do sr. Oliveira, presenciando até ao fim as operações da eleição, e bem de perto foi observador, porque se conservou, para despreso publico, sempre e desde o principio, firme sentinella ao presidente da assembléa. Parabéns pois ao ex.mo sr. Antonio Fialho Machado, pelo bonito resultado eleitoral que obteve neste concelho e oxalá que não esqueça nunca a confiança espontanea com que todos o elegeram. Pela fineza da publicação da seguinte correspondencia lhe ficará muito grato o De v. etc. Alvito 21-10-79. Um eleitor independente.
A’ ultima hora
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Para continuar a desmentir o conteúdo da noticia da Cuba, inserta no Diario Illustrado de 21 do corrente, basta dizer-lhe mais, que soube aqui ás 8 horas da noite, que o candidato governamental ganhou a eleição na cabeça do circulo por 125 votos. Estão justificados.
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Auctorisado pelo ill.mo sr. José Francisco Pinto, de Messejana, nosso particular amigo, podemos declarar que s. s.ª se torna neutral na futura eleição camararia de Aljustrel e de procurador á junta geral. É um acto acertado; em Aljustrel ha dois partidos a luctar ao qual deve ser estranho o sr. Pinto, porque laricas e intrujões não podem nem devem ficar silenciosos. A gatunagem precisa ser desmascarada, missão de que os laricas se incumbem. Bem hajam.
Cabeça Gorda
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Cabeça Gorda 20 do 18 de 79. Havíamos promettido, em o nosso ultimo communicado, voltar breve a cavaquear um pouco com o auctor do pasquim, que no mesmo transcrevemos; os ares porém toldaram-se um pouco, ameaçando temporal, e nós recolhemos prudentemente o camaroeiro e esperámos anciosos o desencadear dos elementos, de que resultou a repetição da fabula da montanha — mus parturiens — com a differença apenas de que, d’aquelle parto sahio um rato d’este... cousa nenhuma. Fieis, pois, no cumprimento de nossas promessas, acrescentaremos hoje aqui algumas interrogações, a que esperamos nos responda o pasquineiro da Salvada. Diga-me sr. Gomes: ainda V. S.ª não reparou nos ossos, que se acham a descoberta nas sepulturas cortadas no adro da egreja parochial? Sei que tem reparado, se nem podia deixar de reparar, quem tudo vê! V. S.ª mesmo sacodio com o seu pé um osso femur, que das ditas se havia desprendido, afim de que esse fosse collocar-se ao pé de um carro de mão, que o devia conduzir... não sei para onde! O certo, porém, é que V. S.ª nada tem ordenado, como presidente da junta, afim de que os restos mortaes dos avós de individuos, que com quem S. S.ª convive, sejam postos ao abrigo dos damninhos animaes caninos e da inconsciente maldade dos rapazes. Diga-me mais S. S.ª: o baldio d’esta parochia — terrenos doados pelo benemerito cidadão Henrique José Pires de Lisboa, sob a condição de não serem lavrados — são ou não semeados este anno? A junta affixou editaes prohibindo fosse aquelle semeado e, poucos dias depois, fez affixar outro edital, afim de que todos aquelles que quizessem semear os serviços, que alli tinham feito, comparecessem na sala das sessões da mesma junta, no dia que por ella era designado, na certeza de que, a todo aquelle individuo que não comparecesse, não seriam respeitadas as sementeiras que fizessem! Segundo nos affiança um vogal da junta não compareceu pessoa alguma. Diga-me pois, sr. presidente, fica ou não prohibida qualquer sementeira nos terrenos em questão? — Prohibidas estão ellas pela escriptura de doação! Porque motivo não fez V. S.ª publicar nos jornaes o segundo edital como fez ao primeiro? Seria por não querer que constasse lá fora a revogação de suas anteriores determinações? É provavel. Quando é que V. S.ª resolve regular a maneira de fruição do baldio e marcar os seus limites? Quer-nos parecer, que toda esta demora é motivada pelo encargo causado pelos quintos do anno preterito! Será ou não? Diga a verdade, não tenha acanhamento. Diga-me mais: é verdade ter S. S.ª exigido a sua exoneração de vogal da junta de parochia? Nós não cremos sem o ouvirmos de sua propria boca; pois sendo certo que V. S.ª estava isempto sempre que o requeresse, não só por ser subdito hespanhol, não naturalisado, mas ainda porque o seu nome não se acha inscripto no recenseamento eleitoral, e quem não tem voto não pode exercer cargos por eleição publica, não poderiamos convencer-nos da sinceridade de seus desejos! A mesquinha da sorte então fez sahir da junta os vogaes, que de ha muito nós haviamos prophetisado sahiriam!... Sempre a sorte é bem caprichosa! Outras cousas muitas tinhamos para perguntar a S. S.ª mas, ficaremos por aqui hoje. Até mais ver meu illustrissimo pasquineiro. Montes.
Lisboa
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Lisboa, 29 de setembro de 1879. (Continuado do n.º 980.) Nada temos que vêr com os factos que o anonymo affirma se passaram antes da nomeação do director do correio, ainda quando elles fossem verdadeiros, o que não podemos saber, pela simples palavra de quem, como o anonymo, só por excepção falla verdade. Não pretendemos o logar de director do correio, nem fazemos guerra acintosa áquelle empregado. Se demos parte d’elle por nos haver retardado a correspondencia official de Messejana, foi em cumprimento dos nossos deveres. Deixámos á auctoridade competente o cumprir os seus, sem que como podiamos tratassemos de saber o resultado da queixa. Quizeram, porém, fazer crêr que na direcção geral dos correios estavam uns poucos de idiotas, para quem tinha mais credito uma absurda e inconsciente declaração do official de diligencias, do que uma parte official do administrador do concelho; publicaram imprudentemente essa declaração, que do official só tem a lettra, para justificarem ainda mais a accusação, e tornaram assim indispensavel fazer-se luz, onde só havia trevas, a fim de cada um assumir a responsabilidade que lhe couber e soffrer-lhe as consequencias. Fiquem certos que não levantaremos mão do assumpto sem que se faça justiça, e nós entendemos ser de justiça a prompta demissão do director do correio. No seguinte numero continuaremos; e já que o anonymo nos deu o exemplo, fallando das laranjeiras do nosso amigo Metello a proposito da defesa do seu cliente, havemos de aproveitar a boa lua em que parece estar, para lhe perguntarmos como elle classificou a malvadez praticada em Coimbra em 1864, cremos nós, pondo ao fogo pela calada da noite á casa do eximio professor da universidade, o ex.mo dr. Dias Ferreira. De v. etc. M. J. Rodrigues de Figueiredo.
Aljustrel
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Aljustrel 29 de setembro. (Continuado do n.º 980.) Tendes provado por todos os meios ao vosso alcance que todos aquelles que se envolveram n’este negocio não estão esquecidos, e que só esperaes occasião propria para lh’o mostrardes. Precisando Domingos José Rodrigues que o sr. Cardote lhe passasse uma certidão foi á casa d’elle e depois d’ella passada, como era do seu dever, perguntou quanto era; está paga, disse o sr. Cardote; paga? sim sr., paga, não se lembra que m’a pagou na Minhotinha? A Minhotinha é o vivo diabo para o pobre padre, Figueiredo e sucia; hade, se não tratarmos de partir os braços a esta catiia de intrujões, ser um flagello constante para nós. Cum respeito ao ultimo periodo da correspondencia, deixemol-o sonegado, basta como resposta que o leitor imparcial o leia, e depois de bem combinar as cousas nos dirá quem tem razão, e de que meios o homem Figueiredo quer já lançar mão. Pensa que nos intimida ou ao ex.mo administrador central do correio de Beja, com a certidão que diz ter requerido. Pobre louco! Continuemos com o libello. O caso da prisão de Joaquim Cabeça de Ervidel, deixando um companheiro d’este tão culpado como elle em perfeita paz; fuga de dois presos e a prisão d’outro que bateu o cão d’uma espingarda para o regedor e os cabos que o deixaram fugir, passar sem punição, quando dias antes Cabeça ia debaixo d’uma escolta para a cabeça de comarca; é o acto mais revoltante, a acção mais indigna para uma auctoridade que se quer prezar, que nós até hoje conhecemos! Só um despota, um ignorantão chapado ou um louco incuravel é que pratica actos desta ordem. Uma auctoridade assim é um veneno no meio da sociedade que a vae corroendo a olhos vistos; é um provocador porque chama os seus administrados á rebellião e á desordem porque nem sempre se pode soffrer despotismo feroz de um homem que nós julgamos completamente perdido. Ouve mais. Um dia appareceu aqui um tal Valentim de Beringel, e que se occupa na venda ambulante de louça. O homem que trazia dois burros com a louça, depois de a vender entregou-se ás caricias de Baccho e embriagou-se. A consequencia da embriaguez foi elle vender um dos burros a Francisco da Palma e o outro a Antonio Joaquim Godinho do Barahona Junior, actual vice-presidente da camara. Figueiredo que sabe d’isto mandou chamar Palma e mette-o na cadeia, embora elle lhe provasse que tinha dado pelo burro o seu justo valor, e deixando ficar em casa muito socegado da sua vida o sr. Barahona, menino de coro do sr. Cardote. Soube ainda que Francisco da Quinta tinha vendido a Valentim presunto, pão e vinho, mandou chamar e lá foi para a cadeia. Outra tibia comprada ao [ilegível], uma gorpelha e lá foi para a cadeia; outra a quem Valentim tinha emprestado 500 rs. lá foi para a cadeia, em fim se Valentim caía na asneira de ir á missa, era o sachristão tambem preso por ser seu acolyto, não tendo duvida o sr. Cardote porque era de Figueiredo o seu anjo mau. Porque é que Palma foi preso e Barahona não? Quem o excluiu da lei geral em materia criminal? Pois o crime d’um não era o crime do outro? Até ha mais, se houve dolo na compra, foi da parte de Barahona porque foi muito mais barata. Mas perguntamos ainda: porque não foi preso Barahona assim como os outros? Responde grande despota: foi porque receavas indispor-te com o padre? Tinhas medo que elle te voltasse as costas? Pobre Figueiredo, ainda elle hade publicar a corda que te hade enforcar a um poste de ignominia! Dize ao sr. Adriano Machado que o mande para Avintes com a obrigação de elle te abandonar, e verás se elle tem duvida em o fazer. Vae muito longa esta, terminemol-a perguntando-te que tal tem sido a correspondencia enviada d’esta villa pela ambulancia. Deve dizer bonitas cousas não diz? O Antonio Joaquim é fustigado sem dó nem piedade, mas deixa-os que os creditos que elles tem por esse mundo, os roubos que elles tem feito a este concelho, põem Antonio Joaquim a salvo da sua cobertissima infamia. Saude luneta. Teu Fuças.
Occorrencias policiaes (M. S.)
ExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localDeserçõesFurtos e roubosPrisões
Dia 18 a 21 nada. Dia 22, por desertor da 1.ª companhia do regimento de infantaria 17, foi mandado apresentar ao ex.mo coronel do mesmo regimento um individuo, que foi preso em Castro; e por ter fugido de S. Thomé onde se achava degradado, foi presente ao ex.mo dr. juiz de direito desta comarca um outro individuo que tambem foi preso em Castro; bem como foi igualmente mandado apresentar ao administrador do concelho de S. Thiago de Cacem um individuo pelo crime de roubo. Dia 23 e 24 nada.