Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 299
30 notícias

BEJA 14 DE SETEMBRO

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaarremataçõesAssociaçõesAssociações recreativasBeneficênciaDecretos e portariasEstradasEstradas e calçadasFontes e chafarizesIndústriaLicençasLicençasNomeaçõesObras de infraestruturaObras municipaisPontesPrisõesRecrutamentoRepartições públicasTransferências
Beja · Braga · Coimbra · Évora · Faro · Leiria · Lisboa · Portalegre · Porto · Serpa · Brasil · Índia · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Revista da semana — Continua a occupar-se dos negocios militares o sr. Fontes. Poucos ministros da guerra tem, ha annos, trabalhado tanto e de tão bôa vontade como sua ex.ª. A ultima ordem do exercito traz diversas providencias e entre ellas um decreto passando de castigo á inactividade temporaria, por um anno, um coronel. Por uma portaria, ordena o nobre ministro aos commandantes de divisões e aos de artilheria, e engenheria que façam saber aos commandantes dos corpos que, na conformidade do disposto no § 4.º do artigo 4.º da lei de 27 de julho de 1855, deem baixa ás praças que completarem os trez annos do licenciamento de reserva; por uma outra, aos mesmos officiacs, determina que auctorisem os conselhos administrativos dos corpos a entregar a quantia de 27$ reis a cada uma das praças alistadas voluntariamente por contracto, e por ordem sua foi communicado, pelo chefe da 1.ª direcção, 2.ª repartição, ao commandante da 1.ª divisão militar que, sem demora, proceda a conselho de averiguação para se conhecer quem foram os soldados do 12 de infanteria, que na estrada de Coimbra ao Alva quebraram algumas arvores, afim de se proceder contra elles. Deseja tambem sua ex.ª saber quem era o official commandante da força para puni-lo. E de toda a justiça que sejam castigados tanto os soldados como o official este porem ainda com mais rasão por não vigiar, como lhe cumpria, o procedimento das praças. Temos esperanças que aclos destes se não repelirão porque sua ex.ª fez constar por outra ordem, aos commandantes de divisões, para que elles a transmitiam a todos os militares, a firme resolução em que está de os reprimir. Referendado pelo sr. Barjonade Freitas trouxe a folha official um decreto estabelecendo diversas disposições acerca dos solicitadores de causas, e alem deste dois mais referendados pelo sr. Martens Ferrão, um demittindo, por falsificador, o escrivão da administração do concelho de Albergaria e o outro o escrivão da camara do Macedo de Cavalleiros por desvio de dinheiros publicos. Com a assignatura de sua ex.ª appareceu tambem no Diario uma portaria aos governadores civis de Lisboa, Aveiro, Vianna, Vizeu, Braga, Porto, Coimbra, Leiria, Satarem, Faro, Angra, Horta, Ponta Delgada e Funchal recommendando-lhes especial cuidado na concessão de passaportes a colonos ou passageiros menores, e com a assignatura do sr. visconde da Praia Grande, um decreto isemptando, por quinze annos, do pagamento dos direitos de importação o opio produzido no estado da India. Pelo ministerio das obras publicas mandou-se proceder á continuação de alguns lanços de estrada e construcção de pontes, no Funchal, deu-se approvação aos estatutos da sociedade de soccorros mutuos denominada associação artística industrial e pelo da justiça estabeleceram-se as regras a seguir na concessão de licenças aos presos para contrahirem matrimonio. Corre, ha dias, que vamos ter recomposição ministerial ficando o sr. Fontes com a pasta da guerra somente e tomando a seu cargo a da fazenda o sr. Antonio de Serpa; tambem se diz que vae ser nomeado par do reino o sr. Mendes Leal e vogal do conselho de obras publicas o sr. Joaquim Thomaz Lobo d’Avila. O Diario chegado hoje confirma o ultimo dos boatos. O sr. Fausto Guedes, addido á embaixada do Brazil, foi transferido para S. Petersburgo. Foi exonerado o governador de Mossamedes, Costa Leal, e supprimidas as direcções de obras publicas de Vianna, Santarem e Portalegre, sendo a primeira annexada á de Braga, a segunda á de Leiria, e a terceira á de Evora.

Commettelleu

ExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoCapturasDebates políticosJulgamentosMovimentos de tropas
Elvas · Portugal Interpretacção incerta

se, ha tempo, em Elvas, um attentado gravíssimo. Um soldado do 5 de cavallaria, rompendo os laços da disciplina militar e abusando da espada que o estado lhe confiou, agredio premeditada e traiçoeiramente um alferes ferindo-o gravemente na cabeça. O ministerio publico tomou conhecimento do crime e deu querella contra o author. Parece porem que desde o dia do attentado até áquelle em que se fez a remessa do processo para o foro militar decorreram mezes. O sr. Fontes que desejava que o processo se activasse officiou nos termos se segnem ao seu collega da justiça: «Ill.°m.° e ex.°m.° sr.—Tendo-se dado no destacamento da praça de Elvas um facto de insubordinação perpetrado pelo soldado do regimento de cavallaria n.° 5, João Maria, n.° 11, da 6.ª companhia, o qual não só faltou ao respeito devido aos superiores, como traiçoeiramente deu uma cutilada na cabeça do tenente Rafael Pires Monteiro Bandeira, seu commandante: e sendo indispensável que um severo castigo se succeda sem perda de tempo ao crime; rogo a v. ex.ª a expedição de terminantes ordens, para que o delegado do procurador régio na comarca de Elvas abrevie, quanto ser possa, a instauração do respectivo processo, a fim de que, sendo entregue ao foro militar depois de completo, possa proceder-se ao julgamento nos tribunaes competentes.—Deus guarde a v. ex.ª Secretaria d’estado dos negocios da guerra, 25 de julho de 1866.—Ill.°m.° e ex.°m.° sr. ministro e secretario d’estado dos negocios ecclesiasticos e de justiça.—Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello.» A este officio respondeu o sr. ministro da justiça, em 4 de agosto, dizendo que o soldado se achava pronunciado, e, em 7 do mesmo mez, participava estar o criminoso entregue ao foro militar. Mui de proposito dêmos na integra o officio do sr. Fontes porque de certas palavras que n’elle se encontram quer a opposição tirar partido. As palavras são: «e sendo indispensável que um severo castigo se succeda sem perda de tempo ao crime» e o que a opposição d’ellas inferio, ou por má fé ou por estupidez, é que o sr. Fontes quer mandar fustilar o soldado criminoso!! Fazendo-se mui humanitários os microscopicos Victors Hugos que a compõem discorram contra a pena de morte em artigos de legua e meia, pintam com côres carregadas e sombrias a posição do soldado criminoso e afigurando-se-lhes vel-o, em Tancos, de olhos vendados e de joelhos em terra em frente da escolta que para elle aponta as armas, voltam o rosto horrorisados e soltam brados de indignação contra o sr. Fontes. Tudo isto é muito bonito e faz sua impressão nas massas ignorantes mas para os homens intelligentes provoca o riso ou o asco. Este systema de fazer opposição honrará muito comadres de soalho mas não fica bem a sacerdotes da imprensa. O sr. Fontes não tem nada com o soldado. Não lhe pode fazer bem nem mal. Os tribunaes tomaram conta do criminoso e se o condemnarem á morte nem o sr. Fontes é o seu juiz nem tão pouco o seu perseguidor. Perseguidor? Pois em que cabeça entra que o sr. Fontes se arvorasse em perseguidor de um soldado? Quem acredita isto? Quando se agride um ministro por esta e outras cousas semelhantes é porque ha absoluta falta de fundamentos para aggredil-o. Mas quem aggrede é que perde na opinião publica. O agredido esse ganha. Tenham pois prudência e juizo e não andem a beliscar e intervir no que não podem. Leis especiaes regem a disciplina do exercito. Deixem pois a essas leis a sua acção regular e não tornem responsável o sr. Fontes pelo que ainda não succedeu nem é provável que succeda.

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoJustiça e ordem públicaPreçosReligiãoAgriculturaCrimesCulto e cerimóniasInstrução públicaPreços e mercadosQuartéisTeatroTreinos e manobras
Europa · Portugal Exterior / internacional · Relatório

Eis o relatorio que sobre negocios militares dirigio a el-rei o sr. Fontes Pereira de Mello, actual ministro d’estado dos negocios da guerra. «Senhor.—Ha mais de meio seculo que terminou uma das maiores e mais prolongadas guerras que tem havido na Europa, e nessa tremenda lucta coube a Portugal não pequena parte de fadigas. Ao lado, ou em frente dos primeiros exercitos do mundo, o soldado portuguez combateu dentro da patria e fóra d’ella, mas sempre em defesa da independencia nacional, com a bravura e a disciplina de que ficou boa memoria, e de que deram sempre testemunho honroso alliados e inimigos, com justa imparcialidade. Muitos annos de campanha, a experiencia e a instrucção adquiridas num grande theatro de vastas operações militares, uma organisação que podia servir de modelo debaixo do ponto de vista de defensa do paiz, e uma disciplina severa, crearam um exercito aguerrido, que honrou a bandeira da patria em cem batalhas. O enthusiasmo da nação levou todos os seus filhos validos ás fileiras do exercito, e da milicia; a instrucção, e a disciplina, organisaram a victoria. No longo periodo de cincoenta annos, que vae decorrido em seguida á conclusão da guerra peninsular, ainda na quadra heroica das campanhas da liberdade, o exercito portuguez se mostrou á altura do seu nome e das suas tradições. A experiencia readquirida nos campos de batalha, a disciplina, que nasce do dever e do pundonor e a coragem do enthusiasmo, fizeram milagres. Se ao exercito coube no principio d’este seculo a honrosa missão de combater em defesa da independencia, não menos se podem ufanar os soldados que serviram ás ordens do augusto avô de Vossa Magestade, aos quaes coube a sorte de escrever com o sem proprio sangue, consquistando e firmando as instituições livres, uma das paginas mais brilhantes da historia do seu paiz. Ha trinta annos que findaram estas campanhas, e ha vinte se pôde dizer que temos estado quasi sempre em profunda paz. Entregues ao justificado cuidado de desenvolver e melhorar as nossas condições economicas, esquecemos e descuramos as cousas militares. Temos soldados valentes, e officiaes com brio e coragem, porém a instituição não está na sua altura, e os elementos materiaes que lhe devem corresponder fallccem completamente. Causaria lastima enumerar aqui a mingua de recursos de que podemos dispor para a organisação completa, mesmo em pé de paz, do nosso pequeno exercito de trinta mil homens. Para a reorganisação em pé de guerra, que corresponde a mais do duplo d’esta força, pôde dizer-se que falta quasi tudo; para o levantamento em massa, que é o complemento necessario do nosso systema de defesa, podemos contar apenas com o nunca desmentido enthusiasmo nacional. Despendemos 3.500:000$000 réis com o nosso exercito permanente, e não o temos nas condições regulares e normaes d’esta importante instituição social. Limitado ao serviço de policia, que lhe é improprio, e ao monotono e acanhado serviço de guarnição e de quartel, falta ao exercito tudo quanto é indispensável em armamento e exercício, para o habilitar a desempenhar as mais nobres e elevadas funcções que pertencem á força publica em qualquer paiz. E se a este definhamento em relação ás cousas materiaes não tem correspondido o abatimento moral na mesma escala, deve-se isso sem duvida aos esforços dos meus benemeritos antecessores, ao zelo dos generaes e officiaes do mesmo exercito, e á indole e excellentes qualidades militares que são tradicionaes no soldado portuguez. Não é exagerada a somma que nos custa o exercito, se a compararmos, proporções guardadas, com a que despendem outras nações da Europa, porém é excessiva e injustificavel, se a consumirmos inutilmente. [...]» (texto segue conforme OCR nas paginas 2-3; onde o impresso/OCR estiver truncado, marcar [ilegível].) [ilegível]

Muitas pessoas dirigiram

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoExércitoEpigrafiaLivros e publicações
Lisboa · Europa · Portugal Exterior / internacional

se no grande escriptor francez Emile de Girardin perguntando-lhe qual a rasão porque escrevia tão pouco, quando as circumstancias actuaes da politica tanto careciam de ser apreciadas pela sua vigorosa intelligencia. O illustre director politico, da Liberté respondeu-lhe com o notavel artigo que damos em seguida transcripto do interessantissimo Jornal de Lisboa: «Que pensam em julho de 1866 ácerca da guerra, os que em junho de 1863, apodavam com os seus epigrammas o nosso programma contido n’estas palavras Paz e liberdade na Europa; os que nos appellidaram inutilmente patriarcas de Saint-Pierre; os que nos designavam sob nome de utopistas? O que ganhou a humanidade—não digamos a humanidade, digamos a Europa; o que ganhou a Europa—não digamos a Europa, mas sim a paz duradoira, por que é a expressão consagrada; o que ganhou a paz duradoira com a victoria de Custozza ganha pelos austríacos contra os italianos, e com a de Sadowa ganha pelos prussianos contra os austríacos? O que pode ganhar a paz duradoira com uma segunda victoria obtida pelos prussianos? O que poderia ganhar a paz duradoira com uma derrota tomada pelos austríacos? [...] Tal é a impotência da força! Força brutal, ruiva a Foncee sê humil[...]» (texto segue conforme OCR na pagina 3; onde truncado: [ilegível].) [ilegível]

CORRESPONDENCIAS

Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoExamesGoverno civilObras municipaisSessões da câmara
Almodôvar · Odemira · Portugal Correspondência · Governo Civil

Odemira 10 de setembro de 1866 — A camara d’Almodovar, magnetizada pelo seu secretario (de quem opportunamente diremos milagres) acaba de praticar a maior arbitrariedade e injustiça que podia, que cremos será remediada pelo conselho de districto. Foi uma perfeita bulha do estabelecido em boas praxes. O secretario cumplice d’um chefe de facção partidaria... conspirou d’alto da sua cadeira de vereador, cujo titulo se arroga, contra a legalidade, indispoz com ella, e com antecipação, a opinião publica, quiz indemnizações por prejuizos que ninguém lho causou; compelliu a dois vereadores, e convenceu outros a que lhe sanccionassem a sua obra, que é um perfeito acto de vandalismo, arbitrariedade, e despotismo. Que excellente empregado?! Comprometteu a dignidade da camara; não houve as reflexões do digno presidente, o sr. Brito, desattende e nenhuma consideração presta á opinião do sr. administrador!; e tudo porque? para satisfizer ao primelho da sinagoga moderna como loja assente em Almodovar. Com opportunidade desenvolveremos esta bafunfra—por agora limitamo-nos a recommendrar ao sr. governador civil este «primo empregado»... dar-se-hão s. ex.ª a razão de ser de tantas indignidades por elle praticada. S. ex.ª conhecerá em vista de boas provas, qual o caracter e dignidade d’este empregado, que por sua influencia contribuiu para que uma corporação aliás respeitavel, perca o prestigio, praticando actos não só dignos de reprehensão, mas de reparo por serem um attentado contra as leis. * * * *

CORRESPONDENCIAS

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAssociaçõesCheiasGoverno civilLivros e publicaçõesObras de infraestruturaPobres e esmolasPontesVentos fortes
Correspondência · Governo Civil

Coruche 30 de agosto de 1866. Mais um valente, Salva vidas, um habil nadador, um homem util á humanidade, lançado no olvido, e no abandono!—Silvestre Calheiros, moço de vinte annos de idade, pouco mais ou menos, [ilegível], residente na villa de Coruche, districto de Santarem, aquém aquella povoação tem visto arremessar-se ao Sor, rio caudalossissimo nas suas cheias mais impetuosas, para arrancar das garras da morte aos desgraçados que por qualquer sinistro ali tem cahido; e este facto que vou contar; deu-se comigo. No dia 16 de março, d’este anno, meteu-se-me na cabeça ir bordejar n’uma lancha do ill.mo sr. Joaquim Raposo, e em minha companhia levava meu irmão José Maria Lopes, não ia por minha vontade, pelo facto, de não saber nadar.—Vi que pelo rio acima, ia no seu cahique, o ill.mo sr. Antonio Raposo, e como este cavalheiro me tem sempre dispensado a sua amizade, lembrou-me ir, para o mesmo sitio aonde elle se dirigia, que era para uma propriedade do mesmo sr. e que se denominava —A Alverca.— Andavamos em pouca distancia, e quando chegamos ao sitio do Alvercão, a escota que ia nas mãos de meu irmão, como viesse uma rajada de vento mais forte, correr-lhe, safando-se completamente, a vella empaposou-se, e obrigou a voltar-se a lancha, que ficou, de fundo para o ar, e aqui vim eu, e meu irmão, cerca de 700 m. pela corrente do rio fóra com o perigo, de que se chegássemos á ponte, em grande parte dava a minha vida, e a de meu irmão. Quiz-nos acudir—não nos podia seguir com o barco porque era impossível apanharmos antes que chegássemos á ponte.—Occorreu-lhe a maravilhosa idea de chegar o cahique, á terra, e mandar saltar Silvestre, que, que correndo por terra, com uma corda, poude atira-la, em tão certesa, que nos ficou logo na mão—assim que nos viu seguros á corda, lançou-se á agua, e acabou de nos salvar, trazendo-nos para terra. Assim que nos depositaram na praia, a primeira pessoa que vi ao pé de mim foi o ill.mo sr. Antonio Raposo; que me demonstrou a maior prova de estima. Muitas tem sido as victimas, salvas por Silvestre, e ainda não tinham decorridos 8 dias depois do facto que acabei de narrar, que um individuo d’aquella povoação por nome Adriano Guex, cansado de soffrer, uma dor sciatica n’uma perna, projectou dar-se a enforcar-se no rio.—Silvestre foi quem o salvou: e isto no seu val. Outro dias depois, um creado do ill.mo sr. Antonio Raposo, cahiu do bordo do cahique e foi logo ao fundo—Silvestre precipitou-se a salvar o desgraçado, e trouxe-o para fóra d’agua... Em fim, se fossemos a narrar os factos praticados por esse valente rapaz em favor da humanidade a filia, seriam poucas as colunnas d’um jornal. Esperei sempre, que a authoridade local, informasse o ex.mo sr. governador civil, para que um dia, sobre a velha camisola, d’aquelle bravo se visse brilhar a medalha de mérito, que o governo, ou a sociedade humanitária tem destinado, para aquelles que lutando com mais horrível dos elementos, conseguem puxar as lagrimas das famílias desoladas pela perda d’um de seus membros mais estremecidos, e que restituiem á vida aquelles que instantes mais seriam apenas cadaveres. Esperamos, e confiamos que a authoridade administrativa tome em consideração os serviços do pobre Silvestre, e que arrancará do olvido acções que devem brilhar ao sol da publicidade, tendo uma povoação de milhares de pessoas que o podem allestar. Honra ao ill.mo sr. Antonio Raposo; que esquecendo-se o ill.mo sr. dr. Malta das acções briosas de Silvestre, lembrou-se o mesmo sr. Raposo d’aquelle infeliz que o tem empregado em sua casa ha já bastante tempo. Julio Maria Lopes.

Festividade de S. Ed. (ou S. [ilegível]) em Almodovar

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioReligiãoAgriculturaConcertosFestas religiosasIncêndiosPecuáriaProcissõesTouradas
Almodôvar · Portugal Igreja

Almodovar 12 de setembro de 1866 — Festejou-se no dia 9 do corrente mez na matriz d’esta villa, o nosso bom e amavel santo, que finalmente se viu livre da trouxinha que o sobrochia. Houve na véspera uma brilhante tourada, onde se correram bravíssimos louros camadas; todo o gado foi agarrado, se bem que não na praça, o terá sido nas suas abegoarias; os capinhas distinguiram-se a toda a prova, especialmente aquelle castelhano... chamado... chamado... Antonio, este não deu muitos tombos. A funcção d’egreja esteve como era de esperar; não houve musica instrumental, mas houve mudesa de sus, suis, porque logo todos os devotos resoaram com estrépito, tal era a animação! graças pois no distincto orador o revd.° padre sr. João José Corrêa e Silva, que com suas eloquentes orações despertou o diminuto auditório. A procissão esteve brilhante, as ruas do transito achavam-se luxuosamente decoradas de sedas que ficaram nos baús e de madamas recostadas nos seus sophás; tal era o interesse de as admirar! Obraram dignamente. Na noite queimou-se muito logo preto, não sei porque razão, foi sendo escuro como fazia, achava mais natural queimar-se fogo branco, mesmo para nos guiar aos grupos de Vénus, e Apqllo; mas não, o fogueteiro entendeu que os gerentes eram dotados d’intelligencia propria e por conseguinte não quiz mudar de còr; ou então era pouco atilado na arte pyrotechnica. Os bichos largaram a pasta, tarde ou nunca tornarão a possuil-a, safa!... * * *

NOTICIÁRIO

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Correspondência

Expediente.—A correspondência de Ferreira, que hoje recebemos, não a podemos publicar por se achar já prompta a composição do jornal; irá no proximo numero, sem falta.

NOTICIÁRIO

Acidentes e sinistrosMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoCulto e cerimóniasFestas religiosasIncêndiosNeveProcissões
Beringel · Cuba · Portugal

Festividades.—Em Beringel, a duas léguas d’esta cidade festejou-se no domingo, com missa cantada e sermão a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Na Cuba, lambem se festejou a mesma imagem, mas com mais pompa. Na vespera houve um brilhante fogo de artificio, no dia seguinte missa cantada, sermão e procissão de tarde e nos immediatos touros em forma. Neutra freguezia, a meia légua d’esta cidade, lambem se festejou a imagem da Senhora das Neves. Foi um dia cheio para os carolas, padres, [ilegível] e fogueteiros. Deus lhes dê muitos assim.

NOTICIÁRIO

Geral

Boato.—Diz-se que o sr. dr. Camacho de Brito vem substituir, no curso de sciencias ecclesiasticas d’esta diocese, o sr. dr. Mascarenhas.

NOTICIÁRIO

Economia e comércioMunicípio e administracção localFeirasLicençasMercados e feiras

Administrador.—Em virtude de licença concedida ao administrador substituto d’este concelho o sr. Corrêa de Mello, tomou posse na quarta feira, interinamente, da administração o sr. dr. Francisco Barreto de Moreira e Lança.

NOTICIÁRIO

Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localReligiãoFestas religiosasProfessores
Aldeia Nova · Almodôvar · Mértola · Serpa · Portugal

Professores—Nas cadeiras de ensino primário, das terras abaixo designadas, foram providos, por trez annos, os seguintes srs: Manoel Francisco Moita, na de Aldeia Nova de S. Bento, concelho de Serpa. José Francisco Mosca, na de Corte do Pinto, concelho de Mertola. Antonio Jacintho Camacho (padre) na de Santa Cruz, concelho de Almodovar. João Pedro Torrei, na de Brinches, concelho de Serpa. Manoel Francisco Pataca, na da villa de Serpa.

NOTICIÁRIO

Acidentes e sinistrosExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesIncêndiosTreinos e manobras

Exercício.—Na tarde de hontem teve exercício de fogo o regimento 17 aqui estacionado.

NOTICIÁRIO

ExércitoMunicípio e administracção localRecrutamento
Aljustrel · Almodôvar · Alvito · Barrancos · Beja · Cuba · Mértola · Moura · Odemira · Ourique · Serpa · Vidigueira · Portugal

Recrutas—Dos 132 recrutas com que este districto contribue no corrente anno para o exercito, tocaram a cada concelho as seguintes: Aljustrel 6—Almodovar 11—Alvito 5—Barrancos 2—Beja 16—Castro 7—Cuba 6—Ferreira 5—Mertola 12—Moura 16—Odemira 20—Ourique 8—Serpa 11—Vidigueira 7.

NOTICIÁRIO

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoAgriculturaBanda militar

Musica.—Eis o programma que no domingo desempenhará, no campo de Oliva, a excellente banda do regimento 17 d’infanteria: Introducção, coro e cançoneta do 2.º acto da opera Trovador. Scena e duo de tiple e tenor da opera Fiorina. Coro e duo de tiples da opera Estrella do norte. Final do 4.º acto da opera Trovador. Mazurka da opera Africana. Mazurka Imperiosa. Mazurka Christina.

NOTICIÁRIO

Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesCorreioJulgamentos
Alvito · Beja · Moura · Odemira · Portugal Câmara Municipal

Tribunal de contas.—Por accordãos d’este tribunal foram julgados quites para com a fazenda publica: A camara municipal de Moura, pela sua gerencia desde 1 de julho de 1861 até 30 de junho de 1865. Francisco José Ferreira Nobre de Carvalho Junior, fiel thesoureiro pagador da administração central do correio de Beja, pela sua gerencia desde 1 de julho de 1861 até 30 de junho de 1865. João Antonio Fernandes recebedor da comarca de Odemira, desde 1 de julho de 1861 até 30 de junho de 1865. José Martins Godinho, director do correio d’Alvito, desde 21 de junho de 1856 até 30 de junho de 1859.

NOTICIÁRIO

Educacção e instruçãoReligiãoConcursos e provisõesEscolasFestas religiosasNomeaçõesNomeações eclesiásticas
Almodôvar · Castro Verde · Vidigueira · Portugal

Escolas.—Perante o commissario dos estudos, n’este districto, se mandou abrir concurso de sessenta dias, os quaes começam a decorrer de 17 d’este mez, para o provimento das cadeiras de ensino primário da Conceição, Almodovar, Castro Verde, Espirito Santo, Sant’Anna da Serra, S. Martinho e Vidigueira.

NOTICIÁRIO

ExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesNomeações

Tenente—Para fazer serviço no regimento 17 d’infanteria, aqui estacionado, foi nomeado, na ultima ordem do exercito, o tenente de caçadores n.° 3 João Mourato.

NOTICIÁRIO

Educacção e instruçãoExércitoEscolas

Mudança—O sr. Wenceslau José de Sousa Telles, alferes com o curso da escola, foi mandado do regimento 17 d’infanteria onde se achava, fazer serviço no batalhão de sapadores.

NOTICIÁRIO

ExércitoLicençasNomeações

Licença—Ao alferes do regimento 17 d’infanteria, addido ao batalhão de caçadores 12, João Jorge de Figueiredo Junior, foram concedidos, para se tratar, quarenta e cinco dias de licença.

NOTICIÁRIO

Justiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localCrimes

Pedido—Roga-se encarecidamente ao sr. administrador do concelho de Ferreira empregue a sua proverbial actividade e a da sua tão bem organisada policia afim de descobrirem os perpetradores do incrível desacato commettido para com a pessoa do sr. dr. José Francisco de Moreira e Lança, a quem, ha tempo, roubaram o mel das suas colmeias; e agora, ha poucos dias as galinhas, que tinha no quintal da sua própria habitação. * * *

A mulher

Economia e comércioJustiça e ordem públicaCrimes

Eis algumas opiniões sobre a mulher, extrahidas de escriptores distinctos: A mulher é mais amarga que a morte (Salomão). A mulher é o mais horrível dos males (Euripedes). A terra e o mar produzem grande numero de animaes ferozes: porém a mulher é o mais feroz de todos (Menandro). A mulher é um homem imperfeito (Philon). Tão fataes são as mulheres para o genero humano, que até as mais honradas fazem a desgraça dos seus maridos (Hesiodo). A natureza só faz mulheres quando não póde fazer homens (Aristoteles). Se as mulheres não existissem os homens conversariam com os deuses (Cicero). Não ha crime que não possa commetter uma mulher (Plauto). Uma boa mulher é mais rara que uma ave phenix (S. Jeronymo). Quando ouço fallar uma mulher fujo (Telia como de uma víbora (S. Pedro). A mulher é o peccado (S. Agostinho). A mulher é um diabo muito aperfeiçoado (Victor Hugo). As mulheres só são alguma cousa, quando os homens são nada (Chaumette). A mulher é o verdugo da rasão do homem (Carlos Lamede). Viver entre as mulheres sem peccar, é prodigio maior que o de resuscitar mortos (S. Bernardo).

Remedio para as oliveiras

Geral

Da «Voz do Progresso»: Tem-se desenvolvido um mal nas oliveiras, que lhes causa grande damno. O mal manifesta-se apresentando-se a oliveira com as folhas torcidas, que caem com facilidade. Para curar esta moléstia convem descobrir o pé da oliveira, pois que ao meio palmo de profundidade se achará uma ulcera, quasi sempre na parte mais exposta ao sul: essa ulcera deverá ser limpa de modo que se não offenda o amago da arvore, e depois de preparada uma massa feita de cal, greda ou barro e bosta de boi, em porções iguaes, cobrir-se-ha d’ella, bem como o tronco da arvore até onde começam as pernadas. Este remédio tem sido applicado com muito aproveitamento.

Estatística curiosa

Cultura e espectáculoEstatísticasLivros e publicações

Um inglez teve a pachorra de fazer a seguinte estatística da Bíblia: No Velho Testamento ha 39 livros 929 capítulos, 23:211 versículos, 532;439 palavras e 2:728:100 letras. O hvm que occupa o centro é o dos Provérbios. A partícula et é empregada no Velho Testamento 35:643 vezes e a palavra Jehovah, 6,855. O versículo 21 do capitulo VII do livro Estiras contem todas as letras do alphabeto. No Novo Testamento ha 27 livros, 260 capítulos, 7,985 versículos, 181.258 palavras e 838:580 letras. Reunidos o velho e o novo Testamento teem 66 livros 1819 capítulos, 31.173 versículos, 713,697 palavras e 3.466,680 letras.

Nova receita para atalhar o cholera,

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioSaúde e higiene públicaDescobertas e achadosEpidemiasHospitaisLivros e publicaçõesvacinação
Londres · Reino Unido Exterior / internacional · Hospital

Diz o Diario Popular que o dr. Widborne, segundo se lê no jornal The Presse, de Londres, tendo visitado o hospital de cholericos em Southampton, diz que em muitas casas se salvaram enfermos julgados quasi mortos inoculando-lhes em um braço camphora dissolvida em oleo de therebentina do mesmo modo que se inocula a vaccina. Este remedio foi descoberto em Southampton pelo dr. Nildin.

EXTERIOR

Município e administracção local
Berlim · Alemanha · Holstein Exterior / internacional

Berlim, 7.—Na camara dos deputados o projecto de annexação foi approvado por 173 votos contra 14. O sr. de Bismark apresentou um projecto de incorporação do Schleswig Holstein e pediu com urgência a sua approvação.

EXTERIOR

Londres · Reino Unido Exterior / internacional · Geral

Londres, 7.—Estão na baixa os cereaes em Liverpool.

EXTERIOR

ReligiãoCulto e cerimónias
Grécia Exterior / internacional

Candia, 3.—Corre o boato de que a missão confiada a Mustapha-Pacha se malogrou, e que os insurgentes pedem a sua união com a Grécia, preparando-se para combater.

EXTERIOR

Sociedade e vida quotidianaBeneficência

O governo de Athenas recusa-se proceder contra as commissões de soccorros formadas a favor dos canadinos, e receia o rompimento das relações diplomáticas com a Turquia.

EXTERIOR

Paris · França · México Exterior / internacional · Geral

Paris, 9.—O «Moniteur» publica noticias do México de 13 de agosto. Os juaristas occuparam Tampico no 1.º de agosto, contra uma guerrilha franceza forte de 175 homens.