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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 934
34 notícias

BEJA 22 DE NOVEMBRO

Estatísticas
Beja · Portugal Interpretacção incerta

Apareceu o balancete da divida fluctuante relativa a 31 do mez de outubro ultimo. A divida fluctuante externa não soffreu alteração; importava em 3:150 contos no dia 30 de setembro, e era de igual somma em 31 de outubro. A interna teve um augmento de 122:550$000 réis, pois que, no indicado período, subiu de réis 5.816:400$000 a réis 5.938:950$000. O total da divida fluctuante ficou sendo de réis 9.088:950$000. No augmento do 122:550$000 réis, figuram a caixa geral dos depositos com 30 contos e os particulares com 92:550$000 réis. O credito da caixa geral dos depositos sobre o thesouro sobe já a 1:910 contos. Depois da grande operação de 38:000 contos em fundos publicos, achou-se a divida fluctuante reduzida, em fins de maio de 1874, a 1.682:936$495 réis. O anno economico de 1874-1875 encerrou-se com uma divida fluctuante de réis 3.633:300$000. No seguinte anno economico 1875-1876, o balancete final accusou a divida de réis 6.595:500$000, a qual foi subindo, e achava-se elevada a 9.950:937$753 réis em 31 de dezembro de 1876; ainda cresceu uns 200 contos no mez seguinte, mas em 30 de junho, isto é, no fim do anno economico de 1876-1877, achava-se em 9.610:200$000 réis. Tratou-se, por essa epocha, da consolidação da divida fluctuante; porem, devido a differentes causas, a operação não se realisou na integra, nem com muita felicidade, e em 31 de dezembro de 1877, apezar das entradas por conta da parte da operação de credito que se tinha projectado, era pouco sensivel a reducção da divida fluctuante, achando-se descripta por réis 8.878:887$000 n’aquelle dia. O ultimo anno economico de 1877-1878 encerrou-se com uma divida fluctuante de 11.282:650$000 réis. De então para cá essa divida tem apresentado o seguinte movimento: Julho 11.199:200$000; Agosto 9.027:700$000; Setembro 8.966:400$000; Outubro 9.088:950$000. É nos tres ultimos mezes que nos cofres publicos teem dado entrada varias quantias por conta da operação de 11:250 contos recentemente realisada. Em maio de 1874, depois de uma venda de 38:000 contos em fundos publicos de 3 p. c., devia o thesouro, por divida fluctuante, 1:600 contos. Vendidos mais 29:250 contos, n’estes dous annos ultimos, devem-se ainda 9:000 contos. O quadro ahi fica fielmente desenhado. É prospero na verdade o estado do thesouro.

Geral

Aos collegas que transcreveram, e aos que extractaram o artigo ao nosso ultimo numero, sobre a reunião do centro opposicionista desta cidade, damos sinceros agradecimentos.

Lisboa · Portugal Correspondência · Geral

O correspondente de Lisboa para o Campeão das provincias, diz: «Os regeneradores andam aterrados não só com a deserção que tem tido ultimamente as suas fileiras, mas tambem e muito principalmente com as romarias politicas que fez ultimamente o sr. José Dias Ferreira. As suas excursões e o modo como tem sido recebido por todos os pontos do paiz, por onde tem viajado, são elos que aterram os velhos regeneradores, porque vêem assim baqueada uma das boas columnas que sustentavam a egrejinha ministerial. Alem das demais ovações de que o sr. Dias Ferreira foi alvo em differentes pontos do norte do reino, teve uma muito festival, ultimamente, na Moita. A continuação d’estes factos assusta os granadeiros firmes, porque vêem n’elles a força da opinião, que por todos os modos se pronuncia contra o actual gabinete, a quem rendem cultos, e contemplam com desanimo as fileiras ministeriaes abandonadas pelos mais vigorosos athletas.»

Cultura e espectáculoPolítica e administracção do EstadoDebates políticosEleiçõesExposiçõesLivros e publicações
Beja · Portugal

Dou que fazer a certa gente ter sahido truncado, no Diario da manhã, o nosso artigo sobre o que se passou, na noite de 10 do corrente, no centro opposicionista. Cada qual guisou o caso ao sabor das suas conveniencias, mas o ponto favorito, por onde afinavam certas alminhas, era que havia desagradado ao sr. Dias Ferreira, o que um redactor deste jornal respondera aos que affirmavam que o partido constituinte não tinha programma. Ora vamos ver se é assim. Diz o Diario da manhã: «A falta de uma linha de reticencias na transcripção que ante-hontem fizemos de um artigo do Bejense, póde fazer suppôr que na reunião do centro opposicionista de Beja, só fallaram duas ou tres pessoas.» Não é assim. Nós é que só podemos transcrever, porque recebemos tarde o jornal, e não tinhamos espaço, os primeiros paragraphos do artigo e um dos ultimos. Tivemos assim de supprimir os extractos dos discursos de muitos cavalheiros, e entre elles o de uma excellente exposição de doutrinas feita pelo redactor principal do Bejense. Por elles se via que as ideas do partido a que temos a honra de pertencer e que sustentamos na imprensa, foram enthusiasticamente advogadas por quasi todos os cavalheiros que assistiram áquella reunião. E como a eleição de Beja foi uma affeição independente e digna, como os eleitores de Beja votaram no cavalheiro que representava as suas ideas politicas e não n’um candidato qualquer, cujo nome lhe fosse enviado da secretaria do reino, o sr. Nobre Carvalho, com applauso e adhesão de todos os seus eleitores, declarou que se alistava entre os nossos amigos politicos.» Agora podem continuar a ladrar.

Algarve · Beja · Portugal Geral

se no Diario de noticias: «O sr. José Dias Ferreira e os seus amigos politicos vão reunir-se em Beja com diversos influentes do Algarve.» É exacta a noticia. A reunião verificar-se-ha nos primeiros dias de dezembro. Está longe, mas, ainda assim, já muitos andam amarellos. Hão assustadiços.

Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localAbastecimento de águaFontes e chafarizesSecasSessões da câmara
Lisboa · Portugal Correspondência

No Diario de noticias, e na secção que tem por titulo Assumptos do dia, lê-se o que se segue: «Prepara-se, effectivamente, uma sessão parlamentar agitada, em que hão de combater ardentemente tres partidos, um dos quaes se está individualisando agora, e que ahi deve diffundir a sua posição: o partido regenerador ou governamental, que tem por chefe o sr. Fontes; o partido progressista a que estão alliados os elementos do partido reformista, e que tem por chefe o sr. Braamcamp; e o partido constituinte cujo chefe é o sr. Dias Ferreira; este ultimo partido, que se determinou junto á urna, está procurando e recebendo adhesões, e ainda ante-hontem celebrou, segundo ouvimos, uma reunião de certa importancia, tratando da sua organisação e meios de combate.» Na correspondência de Lisboa para o Primeiro de janeiro, deparámos com os seguintes periodos: «Supponho tambem que se o governo persistir em ir á camara ou lhe derem tempo para isso, não se completará, ou se provêr a pasta da justiça só o fará em vesperas da abertura do parlamento... A epocha não é propria para recomposições; duvida-se que o governo possa sustentar-se até janeiro e é possivel que o sr. Fontes, para não cair no parlamento, com risco de o poder ir ás mãos do sr. Dias Ferreira, arranje uma dôr de dentes, antes de janeiro, e aconselhe ao chefe do estado que dê o governo ao sr. duque de Avila, que lhe pegaria com ambas as mãos.»

Economia e comércioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaCrimesFalecimentosFeirasMercados e feiras
Lisboa · Portugal

Na madrugada de terça feira falleceu na sua casa em Lisboa, o sr. dr. Albano Caldeira, deputado eleito pelo circulo da Idanha e juiz da relação de Lisboa. Era o sr. Caldeira um magistrado integerrimo, um caracter honestissimo e homem de convicções firmes. A magistratura perdeu um dos seus melhores ornamentos, a camara popular uma auctoridade, e o partido constituinte um soldado valoroso. Que descanse em paz.

Algarve · Beja · Portimão · Portugal Geral

Está no Algarve a companhia de zarzuela do sr. Larripa. Diz o nosso collega da Liberdade, que o distincto actor e a sua troupe são esperados em Portimão. Se descessem até Beja...

Município e administracção local
Odemira · Portugal

No dia 16 de dezembro proximo vão á praça differentes bens nacionaes no concelho do Odemira.

Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisTouradas

A chuva de domingo passado obstou a que a companhia gymnastica, dirigida pelo sr. Lopes, désse espectaculo. Comtudo, porém, o digno director não desanimou e no proximo domingo proporcionar-nos-ha uma bôa tarde de passatempo, e em que para deslumbrar ainda mais a folia, teremos uma apparatosa tourada. Sigamos pois os passos de que são dignos da protecção do publico e vamos todos á praça da Guia.

Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localRestauro e conservacçãoRuínas e monumentos

A torre do Terreiro das peças vae ser reedificada e coberta. Foi uma acertada resolução que o fiscal da camara, o sr. Bonita, tomou. Conserva-se, bom ou mau, um monumento.

Economia e comércioPreçosPreços e mercados

A carne suina conserva o preço de 3:300 por cada 15 kilogrammas.

Economia e comércioPreçosPreços e mercados

O preço do salario das pessoas empregadas no apanho da azeitona regulou, esta semana, mulheres 100 réis, homens 240.

Geral

Recebemos e muito agradecemos o 5.º volume da excellente obra de Augusto Maquet, As tragedias da côrte.

ExércitoJustiça e ordem públicaPrisões
Moura · Portugal

Chegaram a esta cidade, sabbado, tres presos, que responderam em Moura, e foram condemnados a degredo. Eram escoltados por uma força do regimento 17 de infanteria. Deram entrada na cadeia.

Publicou

Geral

se a 15.ª caderneta do Rei dos Mendigos e a 6.ª da Mulher do Saltimbanco.

Educacção e instrução
Pedrógão · Portugal

Foi provida na propriedade da cadeira de ensino primario do Pedrogão, a sr.ª Maria Feliciana Branco.

Portalegre · Portugal Geral

Partio para Portalegre, domingo, uma força do 17 de infanteria commandada pelo digno capitão, o nosso amigo o sr. Araújo.

Geral · Islâmico

O sr. visconde da Esperança foi agraciado com o titulo de conde. Os nossos parabéns.

O sr. conselheiro Justino Maximo Baião Mattozo, separou

Política e administracção do EstadoDebates políticos

se do partido progressista.

Município e administracção local
Serpa · Portugal

O sr. Francisco de Paula de Faria Azevedo, administrador do concelho da Arruda, foi transferido para o de Serpa.

Município e administracção local
Serpa · Portugal

Foi transferido de Serpa para a Arruda, o sr. administrador do concelho, Antonio Luiz de Macedo.

Geral

O nosso districto, segundo o ultimo recenseamento da população, tem 151:672 individuos. Em 1863 tinha 137:468. Houve portanto um augmento de 14:204 individuos em 14 annos. Perto de 11 0/0.

Festejou

Acidentes e sinistrosIncêndios

se domingo a Senhora do Carmo. Na vespera houve fogo de vistas. Tocou a banda do 17 de infanteria.

Geral

Nunca se vio tão grande quantidade de pombos bravos como este anno. Os prejuizos causados por elles nos montados são grandes.

No dia 26 deste mez abrem

Justiça e ordem públicaJulgamentos

se as audiencias geraes.

Alemanha Exterior / internacional · Geral

Segundo uma notificação do Officio principal de Loteria Jersentai etc. C.ª em Hamburgo, publicada na folha de hoje, aos 11 de dezembro deste anno começam os sorteios da Loteria allemã em dinheiro. Pela participação extraordinaria que esta Loteria achou aqui no paiz deve esta noticia interessar muito. Como até agora o Governo de Hamburgo garante, com toda a fazenda do Estado, pelo pagamento pontual de todos os premios pertencendo, como é notorio, Hamburgo ás cidades mais ricas da Allemanha, é absolutamente offerecida toda a segurança, e por isso póde-se recommendar como solida esta loteria.

Tribunal militar

ExércitoJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordensCondecoracçõesJulgamentosPrisõesQuartéis
Beja · Portugal

Audiencia de 8 de novembro. Presidente, coronel de artilheria n.º 2, Antonio Ferreira Quaresma. Promotor, capitão P. Pinto. Defensor, capitão Leopoldo Gouveia. O 2.º sargento 75 da 1.ª companhia de infanteria 17, Francisco dos Santos Moreira, estando no seu quartel em Beja, no dia 29 de junho, entrára pelas 2 horas da tarde no quarto do sargento da 3.ª companhia, e encontrando alli o 1.º sargento e o 2.º, Ramos, injuriára este, e offendera aquelle por meio de palavras, sendo-lhe intimada a detenção no quartel e a obrigação de sahir do mesmo quarto pelo respectivo superior, o que cumprio. Mais tarde voltou novamente a provocar os mesmos sargentos, chegando a crescer para o 1.º sargento, intimidando-o com um instrumento que tinha na mão, e que, segundo o depoimento de algumas testemunhas, parecia ser uma navalha. Accusado por este crime, e pelas transgressões de embriaguez, ter violado o preceito de detenção sahindo para fora do quartel, foi-lhe instaurado o respectivo processo e presente era julgamento do conselho de guerra para responder pelo crime previsto pelo n.º 2 do artigo 82.º do codigo de justiça militar, aggravado com a transgressão dos deveres militares expressos nos n.os 7, 10 e 20. Foi pelo mesmo conselho provado o crime, sendo o réo condemnado em 3 annos de prisão militar, e tomado em consideração para a applicação da pena, o ser condecorado com a medalha de comportamento exemplar.

Tribunal de policia correccional

Justiça e ordem públicaJulgamentosPrisões

Audiencia de 11. Presidente, ex.mo juiz de direito. Accusação, ministerio publico. Escrivão, Guedes. Defensor, Farello. Réo, Carlos Inverno, accusado de porte de arma prohibida. Condemnado em 8 dias de prisão correccional.

Tribunal de policia correccional

Acidentes e sinistrosJustiça e ordem públicaJulgamentosPrisões
Ervidel · Portugal

Audiencia de 14. Escrivão, Cardoso. Réo, Francisco Antonio Guelose. Idem absolvido. Defensor, Esteves. Ré, Casimira Augusta Bana, accusada de dar tavolagem, condemnada em 15 dias de prisão correccional remiveis. Escrivão, Guedes. Réos, José João e Antonio Gago, accusados de ferimentos em Manoel Amador. Absolvidos. Réo, Joaquim dos Santos Baptista Cabeça, de Ervidel, accusado de deixar fugir um preso. Condemnado em 8 dias de prisão remiveis a 100 réis.

Audiencia de 21 de novembro

Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localJulgamentos
Aljustrel · Portugal

Escrivão, Cardoso. Réo, José Marques Simões, de Aljustrel, accusado de transgressão de posturas. Absolvido.

[Aljustrel] Aljustrel 6 de novembro de 1878. Sr. redactor

Cultura e espectáculoMunicípio e administracção localReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAssociaçõesCasamentosCulto e cerimóniasEstradas e calçadasFestas religiosasiluminação públicaLivros e publicaçõesPobres e esmolas
Aljustrel · Portugal Igreja

No dia 31 sahio a philharmonica denominada intrujôna tocando o hymno de s. magestade; porém na vespera, o sr. presidente da camara, tinha proposto na sociedade intrujôna, cantar-se um Te-Deum sendo convidado para esta solemnidade a referida sociedade, nossa mesma occasião pessoas mais doutas aconselhavam-lhe, que seria decentissimo o proceder convidando as duas, mas elle como pessoa muito entendida... tomou a seu bello prazer a resolução de não attender aos conselhos de seus amigos, para pôr em pouca consideração aquelle que ainda ha pouco elle dizia sou amigo e protector, mas que em breve foi seu traiçoeiro, e isto tão sómente pela razão de não se ligar á sua politica. Sr. redactor creio que a verdadeira politica manda, que em actos solemnes, e religiosos, se tratem todos com igualdade; mas... oh!... quam grande foi a minha espectação!... vendo que se praticou o contrario! Um l.º egrégio conselho sr. presidente: quando por acaso houver uma occasião de manifestarmos a sympathia por qualquer pessoa real, não convide todos geralmente, e não cahirá na crassa ignorancia de fazer excepções, como effectivamente praticou, não convidando o digno capellão da santa casa da misericordia, que a nada se tem poupado para brilhar qualquer acto de sua missão; bem como excellentes outras muitas illustres personagens, patriando assim é a meu ver, charivar, não a fraternidade, mas sim a rebellião, e dizer-se-ha que é uma perfeita anarchia. Sr. redactor! minha intenção não é mais do que mostrar ao publico na certa de seu mui illustrado jornal a calumnia de que se serve o Diario de Portugal, n’um communicado d’Aljustrel, que diz mais ainda de povos politicos não manifestaram o jubilo devido ao anniversario de sua magestade. Oh! que calumnia!... pois será possivel, que em terra desta ordem baixam o necessario para que se faça uma illuminação cabal? e eu caso de cada um dos habitantes? não; o regosijo demonstrou-se n’aquelles, que primeiramente tiveram a grande satisfação de se levantarem, uns á uma hora, outros ás duas, e tres horas da madrugada, de maneira, que quando eram quatro horas já a philharmonica larica tocava pelas ruas com todo o affan o hymno real, em vista do que o ex.mo não sei, e nem posso saber, que haja, quem tenha o caracter tão ridiculo de cair na miserima ignorancia, e estupidez de estampar um jornal tão acreditado, communicando de tão insignificante ordem; o mesmo é mostrar em tão terna consciencia do que fizeram, e publicaram. Tomando pois, esta regra por norma, proseguirei com passo firme no caminho encetado, para que excitando-lhes a pratica das virtudes, lhes indique o caminho da bemaventurança. No entanto, attendendo a que me não é possivel hoje exarar aqui todos os factos ou apontamentos contidos em minha velha carteira, apenas lhes iniciarei os que mais recentes se tem dado, deixando para outra occasião os mais remotos, mas por ventura mais terriveis. Ora pois, meu reverendo prior, permitta-me lhe dê alguns conselhos na certeza de que, se bem os receber, alguma cousa lhe aproveitarão. Cumpra fielmente as ordens de seus superiores, não transgrida com ellas. Consta que o meu amigo ha pouco recebeu uns noivos em uma capella particular, quando o mandado determinava a séde da freguezia para celebração do dito consorcio. Tambem se diz que o meu caro ha poucos dias, tendo ido com o seu coadjuctor a uma outra freguezia assistir a uma festividade, só recolheu á sua, já noute, fazendo esperar os paes, padrinhos e mais pessoal que d’aqui havia partido para essa aldeia christianisar um recemnascido, o que só se effectuou ás 8 horas da noute, tendo os pobres de voltarem para esta povoação debaixo de um verdadeiro diluvio, o sem que para isso o meu bom amigo estivesse superiormente auctorisado — dizem. Tambem o meu reverendo tem causado alguns prejuizos a noivos, sahindo com o seu coadjuctor para fóra de villa e termo, e tendo os pobres de esperar para o dia immediato. Diga-me, meu caro, se em vez de um casamento ou baptisado fosse uma confissão ou extrema-unção a um enfermo, tambem se lhe mandaria esperar para o outro dia? É natural que assim succedesse. O senhor padre João Ignacio Godinho, seu digno coadjuctor, pelo simples facto de ser thesoureiro da parochia, entende estar auctorisado para pegar nos paramentos da capella particular d’esta aldeia e leval-os para dizer missa ahi na séde da freguezia, dizendo que, os que ahi existem estão incapazes de serviço. Na realidade o senhor padre Godinho tem graça! Continue! se d’aqui a pouco alguém pedir á junta d’esta parochia uma casula — por exemplo — para serviço n’esta igreja, o meu amigo será um dos primeiros que, com a sua opaca intelligencia, responderá — a junta não tem cousa alguma com o culto das capellas particulares! no entanto o meu affectuoso amigo, veio com os seus caros compadres inventariar todos os objectos pertencentes a objectos pertencentes a esta capella, que amanhã com certeza chamará particular. Vá, meu rico, aprender a ser um pouco mais escrupuloso, e para a outra vez não arrogue a si poderes que não tem. Até outro dia, meus caros, porque bastante prolixo tenho hoje sido e, acreditem-me, sou seu verdadeiro admirador. Montes.

[Cabeça Gorda] Cabeça Gorda 12-12-78

Meteorologia e fenómenos naturais
Interpretacção incerta

Tolda-se a atmosphera. Vão apparecendo algumas nuvens nos reverendos semblantes, signaes certos da borrasca, que lhes vae n’alma. No entretanto, nem uma palavra, nem a minima indirecta se desprende de tão candidos labios. Os pregadores de hontem, os titans de ha pouco, tornaram-se os pygmeus de hoje: o que daria causa a tam grande transformação? Ignoro-o. Serão remorsos de consciencia? É natural. De facto, não pequenos são os seus peccados e, por isso, é natural que a penitencia sincera e humilde...

[Aljustrel] Aljustrel 13-11-78. Meu Charo Amigo

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAgriculturaBeneficênciaCostumes e hábitosEleiçõesFestas religiosasHospitais
Aljustrel · Portugal Hospital · Igreja · Interpretacção incerta

Nunca na minha mente teve apoio, nem por ella passou que um homem constituisse mau grado seu transparece em seus semblantes. Assim como porém, ao confessor cumpre pintar ao penitente, com as côres ainda as mais carregadas, todos os soffrimentos ou castigos, que aos impenitidos estão reservados na outra vida, assim tambem a nós nos cumpre desenrolar, perante aquellas almas contrictas toda a enormidade de suas acções, para que seja mais puro e verdadeiro o arrependimento. Sim, senhor, este homem habilitadissimo... tanto que não podendo remover n’esta villa o capellão, desposto está a arguil-o ousando calumnial-o, pois sei que esta propriedade não cabe nem póde pertencer ao caracter d’um ministro de Jesus Christo, e mesmo que se torne desconveniente. Este homem que muitas faltas tem em suas obrigações, pretende insultar aquelle que com seus actos o affronta... não podendo afastal-o d’esta localidade parece ter contractado com o provedor da santa casa da misericordia para nada dar-se ao capellão, afim de que este reduzido á miseria seja compelido a deixar tal logar... parece assim ser; por quanto tem sido de costume dar-se a todo e qualquer capellão d’esta santa casa metade do ordenado a vencer; porém com o seu actual não succede o mesmo... Oh! elle tem exigotado todos os meios possiveis para que se reuna a meza, e vê que de proposito não se reune ha dois mezes, de maneira que já não attende e até reune abaixo assignados que os mesarios lhe dirigiram, e isto porque? porque o sr. Mouat faz da santa casa da misericordia reprezalhas, um centro de politica... por escarneo é palavra. Ora já um mineiro, digo mineiro por lidar em minas, é politico, é engenheiro, é provedor, e jemin? presidente d’uma camara!... mas caro amigo não sabe porque o capellão não tem recebido, nem sabe qual a côr que tem o trigo e o tinir do dinheiro da casa? é porque elle entendeu que devia obediencia só a seus superiores, e por isso não quer pertencer á sua politica immunda. Ora pois sr. Mouat mande reunir já e já a meza, mande para o thesoureiro esses quarenta e nove mil e quinhentos réis que salvo erro o sr. tem em seu poder, para com elles pagar ao capellão, aos empregados da referida casa de misericordia, que a não ser o capellão pedir-lhe por caridade em casa do sr. José Julio Peres não haveria quem lavasse a roupa do hospital... hospital! diz o sr. provedor como estamos com referencia á administração d’elle? ora isso sim, isso anda ás sete maravilhas... tanto que tem sido costume antigo dar-se ao andador algum dinheiro para se comprarem alguns necessarios; porém este anno foi o contrario... e sim nada se deu. Sr. provedor porque não providencia estas cousas? será porque não póde andar bem? pois bem deve saber que a cabra coixa não tem fôlego, e no caso que a possa ter, não tenha com a miseria d’uma pessoa para quem se deve prestar attenção pelos seus actos; não... não sr. provedor não coopere para que o sr. padre (Cardote) foique com os trabalhos d’outrem, satisfazendo-lhe seus pedidos; deve-se lembrar, que este seu satisfeito (Cardote) em tempo foi seu inimigo, e ainda hoje o é, porque elle não é, nem póde ser amigo de qualquer. Meu amigo, ainda hontem nós dissemos (fallando ou pensando maduramente) que o sr. provedor não era culpado, mas sim o prior, esse homem historico, esse homem que põe á venda o bom trigo, e depois vende a escoria d’elle que é o farello, vi de mais que me esquecia, o sr. provedor attende a seus pedidos, para remunerados trabalhos que teve na eleição camararia, andando de patinhas pelo corpo da igreja distribuindo listas, e consentindo, que o sr. Alonso Gomes estivesse repimpado na sa-