Beja 9 de Setembro
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioEducacção e instruçãoMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaAchados funeráriosAssociaçõesCemitériosEscolasFeirasHomenagensMercados e feirasSessões da câmara
Na tarde de segunda feira, no cemiterio dos Prazeres, em Lisboa, uma massa enorme de povo abria alas á passagem de um cortejo formado de representantes do municipio de Lisboa, de differentes corporações da imprensa periodica, de creanças das escolas da capital etc. etc. Uma urna conduzida pelo ministro do reino e vereadores da camara municipal de Lisboa, fechava o prestito. A urna foi deposta n'um jazigo e o presidente do conselho de ministros, puchando um cordão, descobrio um busto—o de Vieira da Silva, do grande evangelisador da associação, aquelle a quem a democracia deve grandissimos serviços. Poucos lh'os terão prestado tão relevantes. Trabalho, perseverança, e até a propria vida sacrificou pela democracia. Não exageraram os srs. Souza Telles, Silva Lisboa, Ribeiro Gonçalves, Lopes Pacheco, Henrique Gonzaga, Agostinho da Silva, Theophilo Ferreira e Portugal, no que disseram do finado. Fizeram justiça e justiça inteira. É certo que muito ha que fazer ainda nos dominios da associação, mas que ella é já hoje um dos poderosos elementos da vitalidade nacional é fóra de duvida. E isto deve-se a Vieira da Silva. Prestar homenagem de veneração á sua memoria era dever das associações, e imponente e magestosa lh'a prestaram ellas; mas se as associações saldaram com aquelle trabalhador honrado a sua divida, todos os democratas a saldaram tambem. A homenagem prestada em Lisboa a Vieira da Silva foi uma homenagem nacional, uma demonstração sincera de que não são esquecidos os que trabalham. A inauguração do busto de Vieira da Silva foi uma sagração e um exemplo. Bom será que estas solemnidades se repitam. Ha esquecidos no pó das sepulturas muitos outros que é preciso fazer reviver.
Projectam
se, ao que se affirma, modificações ministeriaes de certa importancia. Diz-se que sairá o sr. Sampaio, que entrará o sr. Serpa, que sairá o sr. Lopo Vaz, e que entrará o sr. Antonio José Teixeira.
Tudo isto poderá ser sem ser milagre. Mas o que será da gente de má nota se o sr. Lopo Vaz deixa a pasta?
Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
O sr. Barros e Sá apenas sobraçou a pasta da fazenda, a primeira cousa que fez, foi arrancar-lhe o despacho de um filho de 16 annos para segundo official da caixa geral dos depositos! O sr. Lopo Vaz dá-se auctor da proeza; o sr. Lopo Vaz, que não tem tenção de voltar ao ministerio, é quem finge tomar a responsabilidade d’aquella violencia, porque finge que a decretou na vespera de largar a pasta, e portanto um dia antes do sr. Barros a apanhar. Como tudo isto é baixo! O sr. Barros e Sá comprehende perfeitamente o logar que occupa, e a situação de que faz parte.
Acontecimentos na Europa
Cultura e espectáculoExércitoPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesDebates políticosEleiçõesReformasTelégrafoTreinos e manobras
Fallámos em a nossa preterita revista ácerca dos mais importantes successos politicos da Europa, do maravilhoso e explendido resultado das eleições em França, facto importante ao qual toda a imprensa prestou a devida attenção. Hoje, e em additamento ás noticias e observações do nosso ultimo trabalho, e para que se veja a forma liberrima como se fizeram as eleições n’esse paiz, damos a carta que Leon Gambetta dirigiu aos eleitores de Belleville. É um documento importantissimo que fez calar os conservadores nas suas vergonhosas diatribes contra o acto eleitoral e contra a politica do governo. Eil-o: «Meus caros concidadãos.—No escrutinio legislativo de 21 de agosto tinha eu considerado como um dever não distinguir entre os dois circulos de Belleville; queria submetter claramente, sem subterfugios, o julgamento da minha politica a todos os meus antigos eleitores, abstendo-me de me propor em nenhum dos outros collegios eleitoraes do paiz. Foi pronunciado este julgamento, e a maioria dos eleitores dos dois circulos reunidos ratificou a minha politica. Eleito pela primeiro circulo de Belleville por maioria absoluta, soube esta manhã que o segundo apenas me deu a maioria relativa. Está tomada a minha resolução; sei o que pretendia saber. Parece-me hoje inutil, e pouco respeitoso para com o suffragio universal, que não deve ser instrumento de um capricho tentar uma nova demonstração eleitoral, sem fim pratico, por isso que a opção entre os dois circulos seria inevitavel dentro de poucas semanas. Julgo mais digno proclamar essa opção desde já. Sou e fico sendo o deputado do primeiro circulo. Deputado por Belleville, isso me basta. Esta eleição, apesar da vileza e da violencia dos esforços reunidos de todos os nossos inimigos colligados contra nós, é decisiva. Ella prova que, no centro mais apaixonado, mais inflammavel de Paris, ao lado de uma minoria muito propensa á versatilidade, ha sempre uma minoria de republicanos resolutos e fieis ás sãs rasões politicas. Tirou-se a prova aqui, como em todo o resto da França, e não serão os commentarios de uma imprensa desvairada, as vozerias furibundas dos demagogos, os sarcasmos desmedidos dos vencidos reaccionarios que poderão desvirtuar o caracter e o alcance da politica reformadora, firme, prudente, leal, methodica e forte que nós concordemente seguimos, e que nunca estará á mercê de coalisões vergonhosas. Preservaremos na politica de progressos regulares, successivos, por tempos, esperando tudo da vontade do paiz, nada da força; sempre promptos a repellir os utopistas e os retrogrados; sempre resolvidos a manter a par a ordem com o progresso republicano. Não nos será difficil achar nas vossas fileiras, para representar o segundo circulo, um grande numero de servidores da republica, experientes e dedicados, cujo passado e cuja honra estejam á altura dos vossos suffragios. Apenas accrescentarei uma palavra. A vós, todos que vos tendes conservado firmes, e que tendes tido confiança no vosso mandatario, os meus agradecimentos. O deputado pelo 1.º circulo de Belleville, Leão Gambetta.» A rasão da existencia da carta fez saber-se no apuramento das eleições que Gambetta não ficara eleito deputado pelo segundo circulo de Belleville. Compare-se a forma como em França se fizeram as eleições com a maioria despótica, arbitraria e torpe como entre nós correu por parte do governo o acto eleitoral. A carta de Gambetta é um documento comprovativo da liberdade da urna em França. Está encerrado o parlamento inglez. Uma grande parte da imprensa presta n’este momento grande attenção á viagem do imperador Guilherme e ás novas manobras que o exercito allemão vae executar, ás quaes os officiaes estrangeiros, segundo um telegramma dirigido de Berlim ao Times, não poderão assistir. É este o ponto de maiores observações da parte da imprensa. Sabe-se que muitos generaes solicitaram do governo allemão que os officiaes que haviam sido convidados a presenciar as manobras que se realisaram na provincia de Hannover e do Holstein pudessem assistir tambem ás de [ilegível], porém com muita cortezia o governo de Berlim, que quer guardar o mais rigoroso segredo ácerca da sua combinação de movimentos, negou-se a esta pretenção. Com a noticia da viagem do imperador Guilherme e das novas manobras do exercito allemão correu igualmente uma outra noticia da constituição do ducado de Badeu em reino; hoje, porém, sabe-se que era e é destituida de fundamento. O boato que tem corrido d’uma visita do rei de Italia ao imperador d’Austria e ao da Allemanha parece confirmar-se e ácerca d’este assumpto falla-se com muito interesse em toda a Italia. Ao que parece não estamos longe d’uma triplice alliança da Allemanha, Austria e Italia. Uma só cousa observaremos: é que chega quasi a parecer incrivel como a Austria esqueça Sadowa e a Italia esqueça Solferino e Magenta.
Chegou a Mondariz, onde está fazendo uso das aguas mineraes, o nosso chefe o sr. conselheiro José Dias Ferreira.
Justiça e ordem públicaCrimes
Houve, sabbado, grande arruaça na barraca Dallot—apuro do negocio—um cidadão espancado e a policia desprestigiada. Bom. Bom? Excelente.
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localEscolas
A camara nomeou para comporem a junta escolar os srs.: Francisco Pedro da Fonseca, José Telles Tinoco de Menezes e Francisco Matheus Palma Junior.
Cultura e espectáculoEconomia e comércioSaúde e higiene públicaFeirasHospitais
D. José Dallot deu sexta feira um espectaculo em beneficio do hospital civil. Na mesma noite o caritativo empresario, satisfazendo a um pedido da meza administrativa que gira o hospital em 1879, offereceu para a salla dos benfeitores o seu retrato.
Meteorologia e fenómenos naturaisNeve
Domingo, nas Neves, ha festividade ao orago, e no domingo seguinte á Senhora do Rozario.
Vae com licença, a banhos, o habil mestre da banda de infanteria 17, o sr. Roth.
Acaba de sahir a caderneta 32.ª da Mulher fatal.
Publicou
se o fasciculo 9.º da Europa Pittoresca.
Distribuiu
se o n.º 65 da Moda Illustrada.
Recebemos e agradecemos a visita do nosso collega O Noticioso, folha que se publica em Valença.
ExércitoMovimentos de tropas
Na noute de sabbado partio para Barrancos um destacamento de infanteria 17. Vae render outro.
Tomou interinamente a direcção technica do matadouro, o sr. dr. Xavier de Britto.
A banda de 17 de infanteria tocou, domingo, das sete ás nove da noite na praça de D. Manoel. Hontem tocou no largo Nove de Julho.
Foi nomeado sub
inspector de ensino primario no terceiro circulo (Beja) o sr. Joaquim Pedro Maduro, e no quarto (Mertola) o sr. José Maria da Conceição.
Na noite de sabbado, foi encontrada abandonada ás portas de Aljustrel, uma creança recemnascida, do sexo masculino.
Cultura e espectáculoEconomia e comércioFeiras
Segunda feira deu o ultimo espectaculo a companhia de D. José Dallot.
Já tem contra
mestre a banda do 17 de infanteria.
Desarmou
Município e administracção local
se o primeiro andaime da cupula dos paços do concelho.
Tem licença por trinta dias o intendente de pecuaria d’este districto.
O Mandarim
assim se intitula uma nova folha que começou a publicar-se em Lisboa, e de que é redactor o sr. Barros Lobo. Recebemos o 1.º n.º e agradecidos remettemos em troca O Bejense, desejando ao collega longa vida.
Cultura e espectáculoLivros e publicações
El Gallego, é o titulo de um novo jornal que começou a publicar-se em Lisboa e que se dedica a advogar os interesses da colonia hespanhola. Recebemos o n.º 1, e desejamos ao collega longa vida.
Município e administracção localTransportes e comunicaçõesarremataçõesEstradasEstradas e calçadasObras de infraestruturaObras municipais
Foi concedido á camara municipal d’Aljustrel o subsidio de 1:244$460 reis, para a construcção do lanço da estrada municipal d’Aljustrel a Messejana, comprehendido entre Aljustrel e a horta da [ilegível].
Publicou-se o n.º 110 do 5.º volume do Jornal de Viagens. Eis o summario: Texto
Cultura e espectáculoEstatísticasSociedade e vida quotidianaCostumes e hábitosLivros e publicações
Digressões e phantasias: O cavallo branco dos prados—Aventuras de terra e mar: Sensações de Polydoro Marrasquino—Estudos geographicos: A lingua dènkas—Pelas regiões longinquas: A punição do traidor—Estudos geographicos: Como Serpa Pinto atravessou a Africa—Os seculos XV, XVI e XVII—Assumptos de geral interesse: Alimentos. Illustrações—Digressões e phantasias: O cavallo branco dos prados—Pelas regiões longinquas: A punição do traidor—Os pescadores de Naor, romance por Luiz Jacolliot. Á venda na empresa Ferreira de Brito.—Cada fasciculo 100 rs. O Jornal de Viagens e Aventuras de Terra e Mar, o primeiro jornal de geographia fundado entre nós, publica-se semanalmente, quatro a cinco vezes por mez, com numerosas gravuras sobre costumes portuguezes e viagens contemporaneas, actualidades, etc. O custo d’esta magnifica publicação é apenas de 50 reis cada n.º no Porto, e 60 rs. na provincia.—Empresa Ferreira de Brito, rua da Victoria, 136, Porto.
Município e administracção local
As janellas da cupula dos paços do concelho estão coroadas pelos bustos de D. João do Castro, Luiz de Camões, Pedro Alvares Cabral, Pedro Nunes, João de Barros e Vasco da Gama.
Foi transferido para a comarca de Baião o delegado do procurador regio na comarca de Ourique, o sr. Francisco Pereira de Mello Marinho Falcão.
Por ser declarada sem effeito a transferencia do delegado do procurador regio na comarca da Ilha das Flores, para a de Baião, verificou-se a transferencia para a comarca de Ourique.
Justiça e ordem públicaJulgamentos
O sr. Francisco Fialho da Silva, escrivão do juizo ordinario dos julgados de Cuba e Alvito, foi exonerado.
Economia e comércioTransportes e comunicaçõesDiligênciasFeiras
Uma diligencia de infanteria 17, escoltou quinta feira, para Moura, dois criminosos.
Política e administracção do EstadoDebates políticos
Tem quinze dias de licença o facultativo do partido camarario, o sr. Joaquim Baptista Ribeiro.
Transportes e comunicaçõesNavegacção
A casa a vapor por Julio Verne; publicou-se a segunda parte que tem por titulo A Ressuscitada.
Começaram as festas em Ourique, á Senhora da Colla e por conseguinte a cahir o maná para os camaristas.
O Futuro de Portugal
Cultura e espectáculoLivros e publicações
É o titulo de um folheto que o sr. dr. Barbosa Leão acaba de publicar. Agradecemos o exemplar que nos foi enviado.
Em nosso poder, fica uma correspondencia de Serpa, que a falta de espaço nos obriga a retirar esta semana. Irá no n.º seguinte.
Pergunta
Meteorologia e fenómenos naturaisReligiãoFestas religiosas
se: Porque motivo sua ex.ª o sr. dr. Boavida, demettio o sacristão d’Almodovar. Seria por politica, ou pelo seu mau comportamento? Por este não, e a prova está no documento que segue: Ill.mo e revd.º sr.—Diz Joaquim José Lampreia Junior, casado e morador em Almodovar, actual sacristão da mesma freguezia, que para fins convenientes precisa, que v. s.ª lhe passe, como attestado, qual tem sido o seu comportamento, como sacristão durante o tempo que tal cargo tem exercido, e bem como em particular. Pede a v. s.ª mt.º revd.º sr. prior e vigario da vara se sirva passar-lho como requer e por de justiça. E. R. M. Joaquim José Lampreia. Antonio Jacintho Camacho, parocho collado n’esta egreja matriz de Santo Ildefonso, da villa de Almodovar, e vigario da vara do respectivo districto, diocese de Beja. Attesto que o comportamento de Joaquim José Lampreia, durante o tempo que tem exercido o cargo de sacristão, n’esta parochia, tem sido muito bom. E por ser verdade passo o este que assigno. Almodovar 18 de agosto de 1881. Antonio Jacintho Camacho. (Segue o reconhecimento.)
Congresso das associações portuguezas
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesAssociações recreativasBeneficênciaEleiçõesEscolasFestas civis e popularesIndústriaInstrução públicaLivros e publicaçõesNomeaçõesNomeaçõesObras municipaisSessões da câmara
Recebemos a seguinte carta: «Ill.mo Ex.mo sr.—As associações portuguezas, como fórmas naturaes onde convergem todas as iniciativas dos individuos, e como a verdadeira escola em que se organisam outras forças semelhantemente poderosas e necessarias como as de que dispõe o estado, comprehenderam a necessidade de se harmonisarem a um fim commum, concorrendo por uma intelligente uniformidade para a grandeza das festas nacionaes ao centenario de Camões no dia 10 de junho de 1880. Se essa festa de um povo, que exaltava a maior gloria da sua civilisação, ligada ao facto fundamental da historia moderna—as navegações portuguezas—admirou a Europa, que reconheceu a nossa solidariedade no progresso hodierno, em Portugal não foi menor a sua influencia, accordando nos elementos mais vitaes da nação os estimulos para uma era de renascimento. As associações portuguezas revelaram a intenção da revivescencia ligada ao centenario de Camões, quando para commemorarem a data grandiosa acceitaram estas bases exaradas no programma do Tricentenario, Parte I, n.º 5: “Pelas differentes associações será celebrada no dia 10 de junho de todos os annos uma assembléa geral ou congresso dos representantes de todas as associações reunidas para o fim de apreciar as condições do successivo desenvolvimento social, intellectual e economico do paiz.” Cumpria á commissão executiva da imprensa, que logrou realisar as festas mais significativas e que no povo produziram a emoção mais fecunda, intervir de um modo directo para que se levasse a effeito este pensamento do congresso das associações portuguezas, consignado entre as fundações emergentes do centenario. Como a Associação dos jornalistas e escriptores portuguezes, dirigida na quasi totalidade pelos membros da commissão executiva da imprensa, era tambem uma fundação do centenario, a ella foi submettida a proposta do congresso, e, se como associação mais moderna, ella entendeu que não lhe competia organisar definitivamente o Congresso das associações, reconheceu todavia a sua obrigação moral, e conciliando-a com uma honrosissima modestia, limitou-se a iniciar a primeira sessão solemne inaugural do referido congresso, entregando ás associações portuguezas o destino d’essa promettedora instituição. Pela commissão promotora do congresso pediu-se á dignissima camara municipal de Lisboa, por officio de 4 de junho, a cedencia de uma sala para a celebração solemne d’essa sessão inicial, sendo convidados todos os presidentes das associações para virem assistir a esse acto, que conforme o respectivo programma, § 2, consistia em eleger uma commissão encarregada de organisar as bases definitivas do futuro congresso das associações portuguezas, e formular sobre consultas especiaes o questionario, podendo aggregar a si todos os individuos cuja competencia e serviços em prol da idéa associativa eram garantia do exito incalculavel de um tal emprehendimento. A ceremonia inaugural do Congresso das associações portuguezas excedeu todas as expectativas, não só pelo logar da sua celebração no palacio da municipalidade, como pela commemoração effectiva do dia 10 de junho de 1881, que nunca mais será esquecido. De facto ahi se fez a eleição dos membros da commissão organisadora do Congresso das associações, e é em virtude d’esse acto que nos foram conferidos os poderes para realisarmos em mutuo accordo uma fundação de tanto alcance. É n’este intuito que a commissão organisadora do congresso se dirige a v. ex.ª, pedindo-lhe se sirva proceder de modo que a meritissima associação, a que preside, ponha em acção os meios indispensaveis para que o Congresso das associações portuguezas se effectue em data não remota, e para que produza as vantagens que ainda os espiritos mais vulgares podem prever. Em primeiro logar, nenhuma idéa de politica individual ou partidaria actua no plano da realisação do Congresso das associações; é n’esta abstenção de paixões partidarias, e no mais elevado intuito scientifico e economico, que convidamos as associações portuguezas de existencia, e á consecução do seu destino individual. A idéa de um Congresso das associações portuguezas é antiga entre nós; appareceu em differentes épocas, sob fórmas diversas, mas não póde ser realisada pelo atrazo em que estiveram por muito tempo as idéas associativas. A sua iniciação data de 1856; tentava-se um ensaio de liga ou Federação das associações, cujo relatorio e base são de 2 de maio de 1857 e de 16 de outubro de 1858. Felizmente, a maior parte dos individuos que pugnaram por esta idéa, porque o congresso é a consequencia da federação das associações reunidas em assembléa geral annual, acham-se ainda agora na commissão organisadora eleita no dia 10 de junho ultimo no palacio municipal. Em outubro de 1865 o centro promotor dos melhoramentos das classes laboriosas tomou a iniciativa de um congresso social, cujas bases foram publicadas com um manifesto, em 30 do mesmo mez e anno. Porque se mallograram todas as tentativas? Porque é que o mesmo pensamento reapparece espontaneo por occasião do centenario de Camões? A resposta cabal só póde ser dada pela historia do principio associativo em Portugal; e de facto desde 1857 e desde 1765 até hoje tem-se avançado immensamente no que respeita á illustração e iniciativa individual. O que ha vinte e cinco annos não passava de uma tentativa, o que ha dezeseis annos ainda não era exequivel, hoje está no animo de todos, que reconhecem a necessidade de tirar as associações da sua vida isolada, ligando-as nos interesses communs e dando-lhes a força de uma collectividade para tornar effectiva a representação dos seus direitos. É por isso que a realisação do congresso das associações demarca uma epoca nova na manifestação do principio associativo em Portugal. Entre nós a vida collectiva nunca teve condições de desenvolvimento; a moral social fundava-se na desconfiança mutua, no isolamento egoista do individuo, que se receiava do seu semelhante, porque emfim obedecemos durante seculos a instituições que fundavam a ordem publica da delação secreta e na espionagem, como a inquisição e a intendencia. Para introduzirem Portugal á idéa associativa foi preciso um apostolado fervoroso, não só contra o preconceito da desconfiança vulgar, como contra a resistencia de governos que imaginavam nas aggregações de classes centros de conspiração revolucionaria, e as embarcavam pela intervenção administrativa. Mau grado a estas condições excepcionaes, a idéa associativa generalisou-se na vida portugueza, e hoje são numerosissimas as associações que derramam os seus beneficios e influxos moraes e philanthropicos sobre todas as classes. É-nos impossivel aqui enumerar esses centros de desenvolvimento individual; basta traçar a area da sua acção, que comprehende associações economicas, cooperativas de consumo e de trabalho industrial, associações de beneficencia, soccorros domiciliarios, associações instructivas e recreativas, etc. [ilegível]. As associações de fóra de Lisboa podem nomear delegados ao congresso individuos filiados em associações n’ella estabelecidas, quando não queiram enviar representantes directos.» (Continua).
Bibliographia
Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoPolítica e administracção do EstadoPreçosDecretos e portariasInstrução públicaLivros e publicaçõesPreços e mercados
O Ensino Obrigatorio.—O conhecido e conceituado editor portuense o sr. A. G. Vieira Paiva, proprietario da livraria Archivo Juridico, acaba de dar á luz da publicidade um livro de 200 paginas contendo toda a legislação promulgada até hoje sobre instrucção primaria. A edição, aliás muito importante, contem todas as leis, portarias, circulares, regulamentos, instrucções e programas, publicados até ao presente, sobre instrucção primaria. O livro, do qual a edição é de esperar que breve se esgote, custa 300 reis. São muitos os serviços que o nosso bom amigo e sr. Paiva tem prestado ao povo com a publicação em volume de differentes leis tornando-se, pelo seu modicissimo preço, ao alcance de todas as bolsas.
Bibliographia
A Mulher das tres caras.—A empresa Noites Romanticas continua com a maxima pontualidade a publicação da excellente collecção das obras de Paulo de Kock e o romance de folhetins, que é curiosissimo, em breve estará concluido. Conforme era de esperar a empresa tem visto coroados os seus esforços esmerando-se o mais possivel em bem corresponder ao favor publico. A Mulher das tres caras é um dos romances do enredo mais bem architectado e do desfecho mais interessante que nos deixou o famoso escriptor por quem ainda hoje a França chora. A empresa tem em vista poder publicar toda a collecção das obras para o que continua aberta a assignatura.
Bibliographia
Mysterios do Povo.—Terminou a publicação do terceiro volume d’esta admiravel obra de Eugenio Sue. Do quarto volume já se distribuiram as primeiras folhas. A publicação d’esta obra, que está a cargo da empresa Horas Romanticas, é distribuida com a maxima regularidade, e a empresa espera que em breve esteja concluida. Os volumes são illustrados com muitas gravuras e custam brochados 600 reis cada volume.
Bibliographia
Economia e comércioPreçosPreços e mercados
A mesma empresa, além dos romances que tem no prelo, acaba de distribuir o fasciculo n.º 134 do Diccionario de Geographia Universal que vae na letra L O N. Esta publicação, que é muito importante, tem sido apreciada com louvor por toda a imprensa do nosso paiz, bem assim por uma grande parte da imprensa estrangeira. O Diccionario honra a empresa e, no genero, é o primeiro entre nós. Cada fasciculo custa apenas 100 reis, preço muito insignificante e convidativo.
Bibliographia
ReligiãoFestas religiosasObras religiosas
Maravilhas da Creação.—Acaba de ser distribuida a folha numero 35, 3.º volume, d’esta admiravel obra de alto valor scientifico. Os dois volumes já publicados tratam dos mammiferos e das aves, cuja historia é precedida de uma interessante introducção, onde se encontram elaboradas noções de anatomia e de physiologia. O terceiro volume está quasi concluido e trata de peixes. No escriptorio da empresa, travessa de Santa Justa, 95, Lisboa, continua aberta a assignatura para esta obra. Lisboa. Sebastião J. Baçam.