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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 337
21 notícias

Theatro

Cultura e espectáculoTeatro

Deu hontem á noute a ultima recita a companhia dramatica a que dignamente preside o sr. dr. Tello. O espectaculo compoz-se do drama o Cavalleiro S. Jorge e da comedia util e agradavel. O desempenho foi magistral pelo que os actores receberam muitos applausos e tiveram algumas chamadas.

Novo regimento dos preços dos medicamentos

Economia e comércioExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisPreçosSaúde e higiene públicaFarmáciasMédicos e cirurgiõesPreços e mercadosSecas

Como se vê na secção dos annuncios, já se acha publicado e á venda o novo regimento para as boticas. É confeccionado segundo as regras do novo systema de pesos e medidas, e precedido de uma tabella de reduções dos antigos para os novos pesos. Segundo ouvimos a pessoa competente, o novo regimento é mui favoravel aos pharmaceuticos com respeito ao preço dos medicamentos. Tambem nos consta que brevemente será passada uma visita geral em todo o districto ás pharmacias e drogarias.

Assassinato

Justiça e ordem públicaHomicídios
Aljustrel · França · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Na madrugada de 3 do corrente, foi assassinado na villa d’Aljustrel, um individuo por nome Filippe, criado de servir. Consta-nos que o assassino fora Sebastião Claveiro, da mesma villa, e parece que ha tambem suspeitas de ter assistido á perpetração do crime José Maria França, sobrinho, porque tanto aquelle como este se evadiram.

Concessão de minas

Lisboa · Portugal Geral

Foi concedida á sociedade Peninsular de minas de Lisboa, a propriedade das minas de ferro situadas na serra de Mina e na serra do Rosário.

Exportação

Reino Unido Exterior / internacional · Geral

Durante o anno de 1866 a mina de S. Domingos n’este districto exportou para Inglaterra 157:023 toneladas de minerio.

Lavra

Economia e comércio

Calcula-se a despeza annual da lavra na mina de S. Domingos em reis 153:843$.

Novo horario

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferro
Barreiro · Beja · Portugal

Do dia 10 do corrente em diante o comboio partirá do Barreiro para Beja ás 7 horas e 15 minutos da manhã e de Beja para o Barreiro ás 6 horas e 30 minutos da manhã.

Tribunal de contas

Justiça e ordem públicaJulgamentos
Moura · Portugal

Por accordam d’este tribunal foi julgado quite para com a fazenda publica, pela sua gerencia desde 1 de junho de 1861 até 30 de junho de 1865, o sr. Francisco Anastacio Polido, recebedor na comarca de Moura; e por accordam do mesmo tribunal foi julgado em debito para com a fazenda publica, da quantia de reis 597$535 pela sua gerencia desde 1 de julho de 1859 até 30 de setembro do mesmo anno o escrivão pagador das obras publicas d’este districto Ricardo Antunes da Palma.

Cereaes

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados

A media annual dos preços (menor e maior) de cereaes, nos annos abaixo designados, foi nos mercados d’esta cidade o seguinte: Trigo 1865—menor 518, maior 525. 1865—menor 523, maior 537. Milho 1865—menor 480, maior 480. 1866—menor 435, maior 415. Centeio 1865—menor 400, maior 410. 1866—menor 403, maior 410. Cevada 1865—menor 271, maior 283. 1866—menor 353, maior 393.

Criminoso

Acidentes e sinistrosJustiça e ordem públicaPrisões
Coimbra · Portugal

Entre os criminosos que foram da cadeia de Coimbra para o Limoeiro, figura o Espada, natural d’esta cidade, e pronunciado n’este juizo por crime de ferimento em Antonio Patto.

Asilo maritimo

Arqueologia e patrimónioPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasEpigrafia
Porto · Setúbal · Vila Nova · Portugal

Por portaria de 28 do mez passado, determinou sua magestade que o maritimo Angelo José, natural de Villa nova de Milfontes n’este districto, e indevidamente inscripto na capitania do porto de Setubal, fosse isempto do serviço da armada.

Exercicio

Acidentes e sinistrosEconomia e comércioExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesFeirasIncêndiosTreinos e manobras

Na manha de segunda feira, pelas 4 e meia horas, teve exercicio de fogo o regimento 17 de infanteria aqui estacionado.

Proclamas

Geral

No dia 2 de junho leram-se nas freguezias da cidade os proclamas seguintes: Manoel Marques, com Maria da Conceição, solteiros. Bruno José, com Francisca Rita, solteiros. José Maria Alho, com Maria de Jesus, solteiros.

Movimento da freguezia de S. João Baptista

Sociedade e vida quotidianaFalecimentos

No mez de maio ultimo o movimento d’esta freguezia foi o seguinte: Baptismos, masculinos 3—femininos 1—total 4.— Cazamentos 1.—Obitos masculinos 3—femininos 1—total 4.

Lanço de estrada

Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestruturaPontes
Alcácer · Torrão · Portugal

Mandou-se proceder ao projecto definitivo do lanço da estrada d’esta cidade a Alcacer, comprehendido entre a Villa do Torrão e a ponte de Algalé.

Noticias de Mertola

Acidentes e sinistrosEconomia e comércioEducacção e instruçãoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaAcidentes de trabalhoAgriculturaCaminho de ferroColheitasComércio localDenúncias e queixasDiligênciasEstradasEstradas e calçadasExamesFalecimentosFestas religiosasFontes e chafarizesHomenagensHomicídiosIncêndiosInstrução públicaMédicos e cirurgiõesNaufrágiosNavegacçãoNeveObras de infraestruturaObras religiosasPecuáriaPrisõesProfessoresTrânsito e circulacçãoVandalismo
Algarve · Beja · Cambas · Lisboa · Loulé · Mértola · Ourique · Porto · Vila Real · Portugal Caminho de ferro · Correspondência · Interpretacção incerta

O nosso zeloso correspondente escreve-nos, em data de 4 do corrente, o seguinte: Começaremos por dizer que o arco das portas de Mertola, ao norte, foi demolido; e dentro da villa já entram carros e toda a especie de vehiculos, que não entravam desde Miramolim José; ou desde seculos anteriores a 1139 em que o famoso rei D. Affonso Henrique derrotou os 5 reis sarracenos companheiros de Ismael, nos memoraveis Campos d’Ourique, em que só este ficou para contar. O largo do Terreirinho—o mais famoso e mais publico de Mertola, que parecia desde esses ominosos tempos jazer ao desamparo de todos e de tudo—cheio de barreiras, de moledos pedragosos, e privado de toda a decente compostura acha-se reedificado, e o mais possivel aplanado; contem cadeirões de alvenaria e mármore para os pacientes descançarem nas bellas tardes de primavera e outono quando os dardejantes raios de Febo baixam ao sepulchro do occaso. Ficou um lindo largo ao qual só falta uma almêda. Tudo isto se deve á boa camara do biennio de 1865 a 1867, mas com toda a especialidade ao digno presidente o ill.mo Jacintho José da Palma dos Boisões, cujo zelo que tem mostrado por este povo, durante a sua presidencia é digno de louvor, chegando muitas vezes a abonar dinheiros seus adeantadamente para obras e outros pagamentos. Não desista pois o sr. Palma do seu bom proposito, que o bem e o mal nunca passam desapercebidos;—lucta-se muitas vezes com difficuldades, e até com detractores, mas tudo desapparece e só fica o bem publico por testemunha da verdade, e memória de seus authores. As necessidades internas n’este povo são muitas, apontaremos porem as mais urgentes:—calçadas—um poço—o caminho para a fonte das Neves e dos moinhos d’agua—caminho do Terreirinho a santo Antonio e S. Sebastião—do arrabalde ao porto pela Carrissa, são de momentosa precisão, e esperamos que a ill.ma camara as não olvide. Começou finalmente a estrada entre Mertola e o monte da Célia, cujos trabalhos teem á testa os srs. Ludovino, Campos, e Figueiredo; e com quanto os trabalhos nas primeiras 3 semanas só começassem em dois pequenos partidos, e só admittissem uns 40 a 50 homens, consta-nos que em breve seguirão com mais vigor outras muitas empreitadas. Nutrimos pois esperanças de que, rão longe, o Algarve, Andaluzia, Cambas, e os transeuntes de norte a sul portuguez poderão caminhar n’uma diligencia, que indubitavelmente correrá da quino dia em que a estrada se abrir á circulação. Felicitamo-nos pois, e tributamos um voto de agradecimento ao ex.mo ministro das obras publicas, e ao illustre director das mesmas n’este districto. A obra é de subida utilidade generica, e com ella nenhuma necessidade resta de caminhos de ferro ao sul de Beja—poupe-se tudo isso que é uma vantagem nas actuaes circumstancias em que nada se deve nem pode esperdiçar. Tambem haverá navegação a vapor entre Mertola e Villa Real de Santo Antonio (para o que já tractam de associar homens), uma vez que se saiba que a via ferrea não continua para o Algarve,—Não se temem vãos nem inconveniente algum, porque havendo, como ha, duas marés em cada 24 horas, aproveita-se o cheio d’ellas para as entradas e saidas do vapor ou vapores que depois ser de pequena lotação. Isto é o que se tem combinado, mas não se dão providencias sem constar uma definitiva resolução do governo, de não seguirem com o caminho de ferro algarvio, essa desgraçada obra, mal combinada e mal principiada; se bem que esses trabalhos podem ser aproveitados n’uma estrada a macadam, o que tão sómente devia ser, e era bastante para aquellas localidades de extensas serranias sem interesse vital nem commercial. —A mina de S. Domingos, diz-se que, não dará este anno, para os cofres do estado, menos de trinta e tantos contos!—Conseguintemente o concelho de Mertola merece uma estrada?... E merecia um caminho de ferro, com indizivel vantagem de tudo e de todos; e a mina tambem merece protecção. —Ha poucos dias Antonio Delgado, estabelecido na mina de S. Domingos, caminhou sobre um barreteiro, que ausentando-se, lhe não pagára certa quantia que lhe devia e encontrando-o á Penad’agui, junto ao Guadianna, ali o assassinou, lançando-o á agua. O morto era d’Ameixial, concelho de Loulé.—O assassino anda fugitivo. Foi preso um outro individuo, que para ensinar-lhe os caminhos acompanhava o dito Delgado. —Falleceu o sr. Nuno José da Fonseca, professor de instrucção primaria n’esta villa—rapaz de 22 annos, e de belissimas qualidades—deixou geral sentimento.—Acha-se a cadeira vaga. —A semana passada falleceu um sujeito da aldeã do Espirito Santo d’este concelho, d’um pleuris; e o reverendo prior d’aquella aldeã, o sr. Medeiros, não consentiu que o cadaver fosse sepultado sem exame e authopsia de facultativos; por suspeitar que o sr. Monteiro, ali sangrador, o tivera envenenado com medicamentos mal applicados. Foi a justiça, administrativa e judicial, e o sr. dr. Valente, medico, em S. Domingos, que procedendo a authopsia do cadaver (que já tinha 4 dias de morto) e ao exame de receituario e medicamentos restantes declarou diante do auditório, que todos aquelles remedios juntos bebia elle facultativo d’uma só vez sem que lhe causassem algum mal—que o individuo morreu pela gravidade da doença, da qual nenhum remedio o salvaria—isto é o que se diz; e por esta forma ficou (dizem tambem) o sr. Medeiros triste e o sr. Monteiro alegre—cousas do mundo. Agora, creio que, em recompensa o sr. Monteiro atiça fogo ao sr. Medeiros, por este se negar a baptizar um exposto, allegando que não era da sua freguezia, ou o quer que seja—o grande caso é que já tem vindo tantas testemunhas a depor sobre este ultimo facto, ignorando-se por ora qual será o resultado—creio que nenhum, aterrador. Duas palavras porem sobre aquella gente:—A freguezia do Espirito Santo tem sido sempre de paz e de mansos cordeiros—hoje ainda tem boa gente, mas a paz ahi está alterada—as ovelhas são as mesmas, os pastores são outros—em quem irá? Temos amigos naquella freguezia, e o reverendo prior é um d’elles: desejavamos pois que este cavalheiro se collocasse n’uma posição conciliadora: que chamasse os seus freguezes á ordem: que os obrigasse o honrado juiz eleito a assignar representações; que não negasse absolvição aos freguezes quaresmaes que não podiam ou não queriam comprar bulia, pois que não é obrigação legal, e sim moral.—O bom e cordato pastor leva o rebanho aonde quer e sabe leval-o; com aspereza embravece e espanta os mesmos cordeiros, que extraviando-se podem ir destruir-lhe a sua propria seara. Sentimos pois que o desassocego ali lavre, produzindo já: authopsias, corpo de delicto, processos e ausencia e marcha forçaria do reverendo prior, que uns dizem foi para Beja, outros para Lisboa, queixar-se—não sei de quem, e nem porque—talvez de si mesmo. —Falleceu o reverendo prior d’esta villa o sr. Antonio Guerreiro.—Sentimos. Já será fastidiosa a correspondência, e por isso basta por hoje. • • •

Expediente

Município e administracção local
Correspondência

A correspondência do aldeão do concelho de Ferreira, não a podemos publicar neste numero por falta de espaço, irá no seguinte.

Paris, 31

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Paris · Viena · Washington · Áustria · Estados Unidos · França Exterior / internacional

O czar chega ámanhã a esta capital. O jornal a «Patrie» desmente os boatos de dissolução dos corpos legislativos. A «Gazeta de Vienna», de hoje, publica um despacho de Washington tambem de 31 contando que Campbell e Escubedo tomaram Queretaio em 15 de maio e que o imperador Maximiliano fôra prezo sem condições.

Paris, 3

Paris · França · Rússia Exterior / internacional · Geral

O «Moniteur» de hontem publica o tratado relativo ao Luxemburgo, e conta a recepção feita ao imperador da Russia: S. M. recebeu em todas as localidades que percorreu grandes ovações.

Londres, 3

Justiça e ordem públicaPrisões
Londres · Reino Unido Exterior / internacional

Lord Stanley respondendo a mr. Butler, disse que não recebeu até hoje confirmação alguma concernente á prisão ou morte do imperador Maximiliano, e que receia que os despachos para o governo tenham sido detidos.

P. sh, 4

Município e administracção local
Correspondência

Uma carta de Kossuth censurando a conducta de mr. Deak na camara produziu grande sensação; os estudantes votaram uma mensagem d’approvação aos deputados hungaros que fizeram opposição ás propostas de mr. Deak.