Te-Deum
ExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoGoverno civilVisitas pastorais
No dia 1.º de dezembro, anniversario da nossa independencia, houve solemne Te-Deum na cathedral, assistindo a este acto os exm.ºs bispo e governador civil, camara municipal, conselheiros de districto, auctoridades militares, empregados das diversas repartições etc. etc.
Despacho
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. dr. Firmino de Sequeira Teixeira Manso, que era delegado do procurador regio nesta comarca de Beja, foi nomeado para o lugar de juiz de direito da comarca do Sabugal, de 3.ª classe.
Desordem
Economia e comércioJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordensFeirasPrisões
Na quarta feira, segundo nos informam, houve uma desordem entre os presos existentes na cadeia d’esta cidade, recebendo um d’elles duas facadas.
Hinos e flores
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Recebemos o primeiro numero d’este bello jornal litterario que se publica em Coimbra. Saudamos a sua apparição, e agradecemos a sua remessa.
Alto escandalo no paiz, á imprensa e ao governo; questão de imprensa
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaCrimesLivros e publicações
É este o titulo d’um folheto em que o sr. Albano Affonso d’Almeida Coutinho, redactor do Doze d’Agosto, colligio uma serie d’artigos publicados n’aquelle periodico, acerca das formas de processo nos crimes commettidos por abuso de liberdade d’imprensa. Recommenda-se a sua leitura.
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioEducacção e instruçãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAchados funeráriosEpigrafiaExamesFalecimentosFeirasHospitaisMédicos e cirurgiões
Viva ou morta!—No Vimarense lê-se o seguinte: «A exm.ª sr.ª D. Antonia Amelia Pinheiro da Silva Rocha, de que já demos uma local, debaixo da epigraphe — Raro accidente — morreu na madrugada da sexta feira para o sabbado na Povoa do Varzim. «Como já tivesse acontecido esta menina, havia quinze dias, ter sido considerada morta, e no espaço de trinta e oito horas reviver, tendo-se já ordenado o funeral, etc., sua familia conservou-a em casa o dia de sabbado e o domingo até ás Trindades; porem vendo que ella não voltava a si, resolveu mandal-a para esta cidade por quatro homens. «Chegou com effeito aqui pelas 6 horas da manhã do dia de hontem, e ás 11 teve o funeral e todas as ceremonias da sepultura. Porem principiando-se a espalhar que a defuncta estava viva, o digno administrador ordenou que ella não fosse enterrada, sem que previamente se procedesse a um minucioso exame; afinal ordenou que se não enterrasse sem que o cadaver estivesse no estado de putrefação. «Foi então o cadaver levado para o hospital de S. Francisco desta cidade, e depositado n’uma cama, coberto com a roupa necessária, etc., e duas enfermeiras para velarem junto do corpo mysterioso. «Nós cremos que a exm.ª snr.ª D. Antonia gosa o somno eterno, ha porem alguns symptomas que nos apresentam signaes vitaes. Verdade é que nós somos completamente estranhos na sciencia medica, porem em o nosso humilde entender julgamos que as apparencias são vitaes; comtudo crêmos que a exm.ª snr.ª D. Antonia Rocha vive com os anjos. «As apparencias são: Flexibilidade de nervos. Beiços com côr natural. Carnes das faces moles. Meninas dos olhos sem névoas, e as palpebras flexiveis. Orelhas encarnadas, e ao tocar-se-lhes parece fugir-lhes o sangue, que novamente volta, e finalmente o corpo não no estado de putrefação, havendo já cento cincoenta e tantas horas que o corpo está considerado morto!...» Grande numero de gente correu hontem para as Capuchinhas a fim de ver a defuncta viva, até que foi mister mandar-se fechar a porta do templo, não só para evitar a pouca reverencia com que a gente em multidão ali estava, mas tambem porque todo o mundo queria tocar na defuncta. Uns esfregavam-lhe as pernas, outros apalpavam-lhe os pulsos, etc. Gostamos então d’um dito aproposito de uma creancinha de oito annos, pouco mais ou menos, a quem lhe perguntam se a defuncta estava viva, ao que ella respondeu: — Se ella estivesse viva, já aquella gente a tinha matado.
Pergaminho por excellencia
Arqueologia e patrimónioMuseus e colecções
Mr. Queensly, de Cambridge, que foi grande admirador dos poetas gregos, deixou determinado no testamento que da sua pelle se preparasse um pergaminho: n’elle se escrevesse toda a Iliada de Homero, para ser depois offerecida ao museu britannico.
Cabo Verde
Acidentes e sinistrosArqueologia e patrimónioJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaDescobertas e achadosFalecimentosIncêndiosPrisões
As principaes noticias da provincia de Cabo Verde são as seguintes: Pelas 11 horas da tarde do dia 9 de outubro o carcereiro da cadeia civil da cidade da Praia sentiu bater ferros dentro d’ella; participou ao substituto do delegado do procurador da corôa e fazenda da comarca de Sotavento, Francisco Cardoso de Mello, que os presos estavam tirando os ferros a outro por nome Miguel Gomes, a que por castigo haviam sido lançados. Dando o delegado parte de tal successo ao juiz substituto, ambos estes funccionarios, acompanhados do escrivão Joaquim Isidoro Machado Pereira, depois de reforçada a guarda da cadeia, alli se dirigiram para tornarem a pôr os ferros ao preso a quem tinham sido tirados. Foram recebidos ás pedradas, que feriram alguns soldados da guarda, pelo que esta se viu obrigada a fazer fogo, d’onde resultou ficar gravemente ferido um preso, que pouco depois falleceu, e alguns outros levemente feridos. Ao som dos tiros, apresentou-se o administrador do concelho, que, mandando collocar as sentinellas convenientes para evitar a fuga de qualquer preso, persuadiu ás referidas auctoridades que não insistissem na pretensão de entrar áquellas horas na cadeia, o que deveriam reservar para a manhã seguinte. Effectivamente assim succedeu, e a ordem foi restabelecida. O governador geral mandou immediatamente proceder ao competente auto de investigação de todos os factos occorridos.
Descoberta notável
Arqueologia e patrimónioDescobertas e achadosEscavacções
Debaixo d’este titulo dá o Tribuno Popular do dia 26, periodico que se publica em Coimbra, a seguinte curiosa noticia: «Os trabalhos de escavação que se proseguem com muita actividade e intelligencia em Pompeia debaixo da direcção de M. Fiorelli, pozeram a descoberto uma casa completa de padeiro, com o forno, cuja boca estava ainda tapada com uma larga porta de ferro, com duas azas. No momento em que se tirou a porta, conta o Addendum Inglez, appareceu a fornada completa dos pães, tal qual tinha sido disposta 1783 annos antes. Os pães eram em numero de 82, e com relação á grandeza, á forma e todas as particularidades caracteristicas, á excepção do peso e côr, estavam como se acabassem de sair da mão do padeiro. São circulares, com perto de 20 centimetros de diametro, chatos mas um pouco covados no centro, sem duvida pela pressão do cotovello do operario. As bordas são um pouco levantadas e partidas em 8 porções iguaes por linhas profundas, que como raios partem do centro. A côr é escura.»
Pontifical
ReligiãoVisitas pastorais
Consta-nos que no dia 8 do corrente ha de o exm.º bispo d’esta diocese celebrar pontifical e lançar a benção papal, na igreja do convento da Conceição.
Despacho
Arqueologia e patrimónioJustiça e ordem públicaCrimesDescobertas e achados
Foi despachado juiz de direito da comarca de Almodovar, o sr. dr. Hypolito José Pereira, que foi delegado do procurador regio da comarca d’Elvas.
Concerto
Cultura e espectáculoConcertos
O que teve logar na sociedade bejense na noite do 1.º de dezembro, satisfez completamente. A romanza e aria da Luiza Miller cantada pela exm.ª D. Adelaide Possas, as variações de rabeca por Osternot, desempenhadas pelo sr. Militão, a fantasia de piano sobre motivos dos Foscaris executada pelo sr. Trindade, as reminiscencias poeticas da Somnambula executadas com dois dedos de cada mão pelo sr. Vargas Junior, e os diversos jogos de variações de flauta desempenhadas pelo sr. Doria arrancaram expontâneos applausos aos espectadores. Citando, pois, estes nomes não queremos dizer que não satisfizessem tambem completamente todas as demais damas e cavalheiros que tomaram parte no concerto. O programma foi o seguinte: 1.ª parte: 1.º Quintetto de flauta, clarinete, rabeca, violoncello e piano, composição do sr. Vargas Junior, executado pelos srs. Doria, A. Adriano, Militão, Vargas Junior e Trindade. 2.º Aria de Clara de Rosemberg executada no clarinete pelo sr. A. Adriano. 3.º Noturno para piano de Ravina executado pela exm.ª D. Augusta Eugenia de Britto Godins. 4.º Fleurs melodiques = Reverie = para flauta por J. Faharbach executado pelo sr. Doria. 5.º Reminiscencias poeticas da Somnambula para piano pelo sr. Vargas Junior executadas só com dois dedos de cada mão pelo mesmo sr. 6.º Romanza e aria de Luiza Miller cantada pela exm.ª D. Adelaide Possas. 7.º Fantazia sobre motivos da Traviatta, executada no piano pela exm.ª D. Maria Benedicta Rezado. 8.º Variações de rabeca por Osternot executadas pelo sr. Militão. 2.ª parte: 1.º Variações de piano sobre motivos da opera Capuleti, com acompanhamentos de orchestra, executadas pelo sr. Vargas Junior. 2.º O Trovador para flauta por F. Carrer executado pelo sr. Doria. 3.º Fantazia de piano sobre motivos da Favorita executada pela exm.ª D. Marianna Possas. 4.º Scena e aria da Traviatta executada pela exm.ª D. Lucia Vargas. 5.º Fantazia brilhante sobre motivos da Martha por E. Retterer, executada no piano pela exm.ª D. Anna Perpetua Menezes. 6.º Il balen de su sorriso — aria do Trovador cantada pelo sr. Pires. 7.º Fantazia de piano sobre motivos dos Foscaris executada pelo sr. Trindade.
Theatro
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoInstrução públicaTeatro
Dizem-nos de Mertola: «No dia 1.º de dezembro foi á scena, no theatro — Instrucção e recreio — d’esta villa, o drama Modesta que sendo representado por curiosos correu soffrivelmente. Os srs. Dias, Caetano Guerreiro e Carreira tiveram scenas em que apossando-se dos papeis andaram o melhor possivel e pena é, que em algumas scenas de maior transporte se reconhecesse em todos muita frieza; porem temos esperanças que continuando no exercício dramatico, todos estes srs. virão a ser bons comicos e perderão alguns vicios que ainda teem. Appareceram todos muito bem caracterisados e com especialidade os srs. Guerreiro e Parreira. O sr. Nuno fraquejou alguma cousa (o que é pena) porem tem desculpa por ter sempre feito papeis de mulher. O Jacinthinho, já em outros papeis andou menos mal, porem no de Carolina, não o desempenhou como devia talvez por não estar no seu caracter. Na farça andaram todos perfeitamente e mereceram os applausos da platea. O sr. ensaiador bastante se esforçou para que a peça sahisse como devia; mas não é possivel tirar de repente vicios inveterados e fazer de simples curiosos comicos de profissão; porem aproveitem as lições que este sr., com tão boa vontade lhes dá, e de futuro não envergonhará ver-se no theatro — Instrucção e recreio — representar qualquer drama ou comedia.»
Monumento a Colombo
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaAssociaçõesDescobertas e achadosEpigrafiaFalecimentosImpostos e finançasNavegacçãoObras de infraestruturaObras municipaisObras religiosasRuínas e monumentosSessões da câmara
Em Genova verificou-se com toda a pompa a entrega do monumento de Colombo feita á municipalidade pela commissão que fora encarregada de o construir. Assistiram ao acto o corpo municipal e todos os seus empregados, e os representantes das associações operarias, com bandeiras. O monumento erigiu-se na praça de Agua Verde, onde está a casa que se diz foi habitada por Colombo, que não nasceu em Genova, mas em Cogoleto, porto que dista poucas léguas d’aquella cidade. A dita casa foi reedificada com luxo e adornada com estatuas e relevos. O sumptuoso monumento custou 30:000 frs. (54:000$000) réis e a municipalidade votou frs. 8:000 (14:400$000 réis) para as despezas da inauguração. A sua base compõe-se de dois corpos quadrados, o primeiro de maiores dimensões que o segundo, e assenta sobre uma pequena cadeira. Tem na face fronteira a seguinte singela inscripção: — A Christovão Colombo, a patria. Nos ângulos tem quatro estatuas, sentadas, que symbolisam a Sciencia, a Piedade, a Prudencia, e a Fortaleza, feitas de mármore de Carrara pelos melhores esculptores de Genova e Florença. Nas quatro faces do segundo corpo tem quatro relevos, que representam — Colombo em sessão com os sabios de Salamanca; no acto de adorar a cruz, quando chegou á America; no acto de ser recebido em Barcellona pelos reis Fernando e Izabel; e quando o fazem embarcar carregado de ferros. D’este segundo corpo, que, como todo o monumento, é de mármore branco commum, excepto as estatuas e relevos, que são do mais alvo de Carrara, ergue-se um fuste de columnas, adornado com proas de navio da epoca, e sobre este fuste pousa a estatua de Colombo, no trage do seu tempo e cabeça descoberta. Apoia a mão esquerda n’uma ancora e com a direita aponta para uma americana, sentada a seus pés e absorta na contemplação de uma cruz que tem na mão esquerda. A attitude de Colombo é nobre e singela. A escultura d’este grupo é admiravel. Por de traz de Colombo vê-se um escudo com as armas de Hespanha. O grupo que corôa o monumento foi começado em Carrara pelo estatuario de Pedro Freccia; porem, atacado este, pouco depois de uma furiosa alienação mental, do que aos seis mezes falleceu, encarregaram-se da execução da obra os esculptores Frassoni e Svanastini, o primeiro de Carrara e o segundo de Spezzia, que a concluiram a contento dos intelligentes. É um monumento que honra Genova, Colombo e os artistas que o construiram. Foi posta a primeira pedra em 1846 pelo congresso de sabios alli reunidos. Começou a construir-se em 1855 e terminou-se ultimamente.