Differentes jornaes transcreveram o artigo principal do nosso ultimo numero e que se intitula Indifferença politica. Agradecemos.
Na camara dos deputados o sr. Dias Ferreira enviou para a mesa vários documentos relativos á eleição de Castello Branco, e requereu por vários ministérios outros documentos. Esperamos com curiosidade o parecer que dará a respeito d’aquella eleição a respectiva commissão de verificação de poderes.
Lê
se no Diario de Noticias: «Os 55 contos de réis, que sobraram á commissão de soccorros aos innundados, e que ha dias foram depositados no banco de Portugal, serão destinados a formar o fundo da caixa de soccorros aos operários que se inutilisarem por desastres no trabalho e ás viuvas e orphãos dos que pela mesma causa succumbirem.» Todos têm tido, menos o hospital de Beja, partilha nas sobras da subscripção para os innundados. Foram contemplados com esmolas os asylos da Coimbra, o de Vianna, os famintos do Ceará, todos os estabelecimentos de caridade e beneficencia do districto de Braga, e o resto vae formar o fundo da caixa de soccorros aos operários. Ninguém tem escrupulisado em desviar o dinheiro para fim differente d’aquelle para que os subscriptores o deram, senão o presidente da commissão de Beja! Coisas nossas.
Disse o Districto de Faro, que, abertas as côrtes, as attenções se fixariam no tablado gigante de S. Bento e as festas de Beja esqueceriam. Pois não succedeu assim. O que se deu nesta cidade nos dias 22 e 23 de dezembro, continua a occupar as attenções da imprensa.
O Jornal de Vizeu dá o terceiro artigo intitulado Na politica e n’elle refere-se aos commentarios feitos pelo Diario illustrado ao discurso pronunciado em Beja pelo sr. Dias Ferreira, e combate-os.
O Diario illustrado continua na polemica com o Diario da manhã.
Echo de Portugal e Brazil dá conta da polemica entre o Diario illustrado e o Diario da manhã.
A Revolução de setembro diz que os constituintes arvoraram em Beja a cidadella magna, o capitolio, o solar da capitania do partido, e faz differentes observações ao discurso do sr. Dias Ferreira.
O Algarve publica o nome dos cavalheiros do districto de Faro que assistiram á reunião celebrada no centro constituinte de Beja, na noite de 22 de dezembro, e responde ao que o Jornal do povo diz ter-se passado na mesma reunião.
A Defesa do povo, na correspondencia de Lisboa, dá differentes trechos do discurso pronunciado em Beja pelo sr. Dias Ferreira, e a lista dos cavalheiros que representaram este districto e o de Faro, na reunião do centro constituinte.
A Liberdade diz que os brindes levantados em Beja pelo sr. Dias Ferreira mostram que os constituintes seguem um trilho perfeitamente opposto ao caminho tortuoso por onde divagam os da Granja.
O Campeão das provincias publica o discurso do sr. Dias Ferreira precedendo-o dos seguintes periodos: «Do Bejense transcrevemos o resumo do discurso pronunciado pelo illustre deputado por Aveiro na reunião politica que ha dias houve em Beja. S. ex.ª declarou-se alli franca e abertamente progressista, fallou da reforma da carta, e no muito que havia a fazer, para que a administração fosse uma realidade util, em vez de ser um aggregado de embustes e miserias, como o que temos visto, em proveito do escandalo, da devassidão e do esbanjamento. Como as ideias apresentadas por s. ex.ª estão de perfeita harmonia com a doutrina que ha largos annos apostolamos n’estas columnas, e como as nossas divergencias se referem sempre aos principios e nunca aos homens, reproduzimos o resumo do discurso do sr. Dias Ferreira, como preito devido á pureza do credo do partido progressista, a que nos honramos de pertencer.»
Adhesão
Sabbado, uma commissão do centro constituinte de Moura, foi cumprimentar o sr. Dias Ferreira, e convidal-o para ir áquella villa, quando estiverem encerrados os trabalhos parlamentares. O sr. Dias Ferreira acceitou o convite.
Na camara alta o sr. conde de Rio Maior pedio documentos a respeito da questão do Zambeze, fez uma declaração de guerra ao governo, apoiado vivamente por outros dignos pares.
Na mesma casa foram eleitos os srs. conde de Casal Ribeiro e Martens Ferrão para responderem, conjunctamente com a presidencia, ao discurso do throno.
Hoje deverá começar a interpelação ao governo sobre a grande velhacada do Zambeze.
Na casa electiva, na eleição das commissões de verificação de poderes, os progressistas não votaram e os constituintes deitaram listas brancas.
O correspondente de Lisboa para o Correio do Ave diz entre outras cousas: «Ainda n’um dos ultimos dias nos disseram as cartas particulares d’além das fronteiras que o rei D. Affonso, na esperança de chamar a si todos os partidos monarchicos, que dará a demissão ao sr. Cánovas no proximo mez de janeiro e que entregará ao sr. Sagasta a missão, aliás espinhosa, de organisar novo gabinete. Ora se o sr. Sagasta formar um ministério, claro está que será progressista. Entretanto o chefe do estado entre nós dispensa todo o seu apoio ao sr. Fontes, que, não obstante tal facto, pensa já em entregar o penacho ao sr. Dias Ferreira. Veremos pois em que dá tudo isto.»
O sr. Braamcamp apresentou um protesto do bacharel João José Dias Gallas, eleitor do concelho de Moncorvo, ácerca do acto eleitoral de Freixo de Espada á Cinta e Carrapzeda de Anciães, e uma representação e vários documentos relativos á eleição do circulo de Villa Verde; e o sr. Pedro Franco mandou para a mesa um requerimento pedindo, por differentes ministérios, alguns esclarecimentos, os quaes julgava indispensáveis para a discussão da sua eleição.
Roubos
Appareceram arrombados e roubados os cofres da thesouraria de Segovia.
Os curadores da massa fallida de Carmo & Sobrinho, do Porto, apresentaram um segundo balancete completamente differente do primeiro. Foram chamados aos tribunaes pelos credores.
Por ladrões estão processados o governador, sub
governador, corpos fiscaes e administrativos do Credito agricola de França.
Foi completamente saqueada a egreja de Santa Maria de Neda, no reino vizinho.
O barão de Gedaliah, director do banco de Copenhague, foi preso pelos crimes de roubo, falsificação e malversação.
Do banco de Castella foram roubados 6:000 duros.
O recebedor de Cabeceiras de Basto foi encontrado em enormissimo alcance para com a fazenda publica.
O chefe da estação telegraphica dos Arcos evadiu
se levando o dinheiro que recebeu durante o ultimo trimestre. Somma e segue.
Parte Official
Portaria ordenando que os reitores dos lyceus nacionaes providenciem para que os professores passem, ácerca dos seus alumnos militares, dentro dos 6 primeiros dias de cada trimestre, attestados ácerca do seu aproveitamento.
Parte Official
Decreto determinando que as fructas verdes e seccas que forem importadas de Hespanha pela alfandega do Faro e suas delegações, com destino a differentes paizes estrangeiros, tenham entrada livre de direitos.
Bibliographia
A moda illustrada—A grande lacuna que se fazia sentir entre nós está afinal preenchida. O sr. David Corazzi, caracter honradissimo e egualmente estimadissimo, não se poupa a fadigas nem a vigílias para o progresso da sua empreza, a empreza Horas Romanticas, que acaba de prestar mais um assignalado serviço ao paiz na publicação d’essa folha. Honra lhe seja.
Sobre a banca de trabalho temos o 1.º numero d’esta tão importante quão esplendida publicação. É na verdade um verdadeiro jornal de familias. Sinceramente folgamos com a apparição da nova folha.
A Moda illustrada sem lisonja o dizemos, nada deixa a desejar. É em tudo igual á La toile illustrée de Paris. Bom papel, excellentes figurinos, moldes, vestidos, impressão, escolhida redacção, emfim é uma folha que resume o bello ao sublime e o util ao agradavel.
Ás nossas amaveis leitoras recommendamos A moda illustrada na convicção intima e sincera que lhes fazemos bom serviço. A primeira edição (com figurinos coloridos) custa por anno 4$000 réis, por semestre 2$100 réis, trimestre 1$100, numero avulso 200 réis. Segunda edição (sem figurinos coloridos) anno 3$000 réis, semestre 1$600 réis, trimestre 850 réis, avulso 160 réis.
Almanak das Horas Romanticas para 1879
Acaba de ser distribuido este importante e curioso livrinho. É uma destas obras que se lê por gosto e que não nos satisfaz á primeira leitura. O almanak em questão affora as tabelas indispensáveis a este genero de livros uteis e indispensáveis a todas as casas, vem recheiado de bons artigos cheios de graça e pilheria, poesias, anecdotas e enigmas; alem disto é ornado por excellentes gravuras. Por 120 réis, quantia insignificante e ao alcance de todas as bolsas, o almanak não é vendido, mas sim dado. A empreza reservou um bom numero de exemplares para os offerecer como brinde aos assignantes da obra As tragedias de Lisboa, lindissimo romance do sr. Leite Bastos, no genero das obras populares de Ponson du Terrail, o actor do Rocambole, d’esse romance que tanto despertou a attenção publica, e que ainda hoje é procurado e lido com soffreguidão.
Em seguida ás Tragedias de Lisboa será publicado o romance Os operarios do mal igualmente escripto pelo sr. Leite Bastos. Este romance dividido em 4 volumes é illustrado com boas gravuras. A firma da publicação será a das Tragedias de Lisboa, isto é, ás folhas, a 40 réis cada uma. Dizemos isto meramente para a devida prevenção dos nossos leitores e dos assignantes das obras da empreza de que tratamos.
Um heroe de quinze annos
Eis o titulo da continuação da obra que ainda se acha em publicação A viagem fatal, da collecção das obras de Julio Verne, o festejado auctor da geographia romantizada. Ninguém ha que desconheça a grande importancia litteraria e scientifica que encerram estas obras, as quaes estão acima de tudo o elogio. Basta dizer que o seu auctor recebeu a distinctissima honra de serem premiadas pela academia das sciencias de França. Isto tudo colloca as obras respectivas acima de todas as encomias.
Já se acham publicados vinte e seis volumes. Em seguida ao livro Um heroe de quinze annos será publicada A descoberta da terra, traducção do sr. Manoel Pinheiro Chagas, uma das maiores intelligencias da actualidade. A Descoberta da terra é dividida em dois volumes e, conforme as demais obras de tão importante collecção, enriquecido com admiráveis illustrações no texto. Os vinte e seis volumes encadernados custam 34$700 réis. Brochados diminuem muito de preço. Estas obras devem ser lidas com a maxima attenção pois que o tornam, a qualquer encyclopedico, e portanto apto para entrar e com vantagem, em agradavel conversação sobre a geographia terrestre e celeste. Alguns d’estes livros têem a edição esgotada, tal é a procura que tem tido, mas, ao que nos consta, a empreza tenciona fazer segundas edições o que será sem duvida mais um serviço que prestará á boa instrucção.
Diccionario de geographia universal
Recebemos o fasciculo 66. Conforme os leitores sabem esta importantissima obra é publicada aos fasciculos pelo baixo preço de 100 réis cada um e para as provincias 120 réis. Dizemos baixo preço porque o é na verdade. Do grande merito da obra já a imprensa por differentes vezes tem fallado e com justificadissimo louvor. Recommendal-a, se é que taes publicações se recommendam, é só o que nos compete fazer.
Sabemos, o que muito nos apraz em divulgar tão lisongeira noticia, que a empreza tem em preparação para sahirem este anno, além dos romances Os operarios do mal e Descoberta da terra, de que acima fallamos, as seguintes obras O ultimo cavalheiro, por A. M. da Cunha e Sá; Os noivos, por Bento Moreno; Idylios e Satyras por Guerra Junqueiro; Evangelicas poema de Longfellow, traducção de Miguel Strett de Arrriaga.
Como pois se vê o sr. David Corazzi, e conforme deixamos dito acima, não se poupa a fadigas nem tão pouco a despezas ou a vigílias no intuito muito louvavel de promover o progresso da empreza Horas Romanticas que em feliz hora fundou. O publico honrando-a com a sua valiosissima protecção honra-se a si proprio porque assim tem mostrado o quanto sabe apreciar e louvar, o que sempre faz, os que trabalham em prol da litteratura diffundindo, na publicação de bons livros, o gosto pela leitura. Lisboa. S. J. Bagan.
As Tragedias de Lisboa, por Leite Bastos. É sem duvida um dos melhores romances portuguezes que teem apparecido á luz da publicidade. Filho na escola dos romances populares e de sensação, em que tanto primaram Ponson du Terrail, Alexandre Dumas, Xavier de Montepin, as Tragedias de Lisboa, têem a grande qualidade, que para nós tão apreciavel deve ser, de apresentar um cunho verdadeiramente nacional e de actualidade, cunho que se revela nos caracteres, que são portuguezes de hoje, no assumpto, que é baseado em successos da vida contemporanea trasladados para a tela do romance, com o realce que só lhes dá uma imaginação fecunda. Com effeito nas suas paginas cheias de verdade e de interesse, vêem-se em acção muitos personagens que temos encontrado na vida do nosso paiz; achamos narrados e explicados muitos dos mysterios que por vezes trazem suspensa a attenção d’uma sociedade inteira. Enredando com a arte dos romancistas da melhor escola, o romance Tragedias de Lisboa, que lembra a muitos respeitos as famosas Tragedias de Paris, nem por um momento esfria no interesse, e de capitulo em capitulo cada vez a attenção do leitor mais se prende com o seguimento da narrativa. Consta o romance Tragedias de Lisboa, de quatro grandes volumes com illustrações das principaes scenas, divididos nas seguintes partes: LIVRO I, PRIMEIRA PARTE: O homem demonio.—2.ª As invisiveis de Lisboa.—3.ª Proeza de Justin. LIVRO II, PRIMEIRA PARTE: O juizo do crime.—2.ª Nas espieras douradas.—3.ª O instincto do millionario. LIVRO III, PRIMEIRA PARTE: O club das gravatas lavadas.—2.ª Segredo do Mysterio.—3.ª Um cadaver no rio Secco. LIVRO IV, PRIMEIRA PARTE: As memorias do judeu.—2.ª Gloria ao amor. As Tragedias de Lisboa, têem como se vê uma acção extensa e complicada, como é de uso nos romances estrangeiros d’este genero, e, como nesses romances, também a sua extensão permitte ao auctor dar um amplo desenvolvimento ás suas ideas, isto é, apresentar um quadro completo da vida portugueza de hoje, com as suas miserias e grandezas, com os seus direitos e excellencias, com as suas virtudes e ridiculos com as suas verdades e mysterios. As Tragedias de Lisboa assigna-se na empreza Horas romanticas, rua da Atalaya, n.º 40 a 52. O preço da assignatura para as provincias é de 120 réis por cada fasciculo (franco de porte) de dez folhas e duas gravuras ou onze folhas e uma gravura. Lisboa.
O sr. G. A. Vieira de Castro foi nomeado, por um anno, aspirante da alfandega de Safára.
Reabriu a estação telegraphica de Mertola.
Mertola
No mez findo, na camara de Mertola, foram registadas 10 minas de manganez e uma de chumbo.
Teve hontem revista de correame e armamento, o regimento 17 de infantaria.
A commissão do recenseamento é assim formada: Presidente, José Umbelino Palma; Fernando Guilherme Guedes Pimenta; José Penedo de Castro e Sousa; Francisco José Lampreia; João Baptista Branco; Francisco Nunes de Oliveira; Elisiario José Baptista. Substitutos: Francisco Matheus Palma Junior; Antonio Rodrigues da Costa Soares; Amaro da Silva Guia; Manoel dos Prazeres Lança; José Telles Tinoco de Menezes; José Maria de Jesus; Adriano Antonio Trindade.
Foi transferido para infantaria n.º 1 o contramestre da musica do regimento 17 da mesma arma.
Terça feira prestaram juramento de bandeira os recrutas promptos do 17 de infantaria.
Publicou
se a caderneta n.º 42 do Rei dos Mendigos e a 12.ª da Mulher do Saltimbanco.
Noticias diversas
As amas dos expostos receberam, quarta feira, os salarios do mez de dezembro.
Recebemos e agradecemos o Defensor do povo, periodico litterario e noticioso que se publica em Braga. Tambem recebemos as Noticias do Algarve.
Nos dias 3 e 5 de fevereiro proximo vão á praça differentes bens nacionaes no concelho de Alvito.
No mercado de domingo ultimo, a carne suina regulou por 3$400 réis cada quinze kilogrammas. Fizeram-se grandes vendas.
Perante o digno vigario capitular desta diocese está aberto concurso para o provimento das egrejas parochiaes de: Cazevél (S. João Baptista), Senhora da Assumpção, Ouriolaa (Nossa Senhora da Assumpção), Santa Margarida, S. Barnabé e Santa Suzanna, Baronia (S. Barnabé e S. Suzanna), Nossa Senhora do Rosario (Nossa Senhora do Rosario), Santo André (Santo André), Santa Luzia do Gavião (Santa Luzia), Valle (Santa Catharina), Villa Verde de Ficalho (S. Jorge).
Socialismo, socialistas e regicidas é o titulo de um livro de W. Bäbler que nos foi enviado e que muito agradecemos. É livro de actualidade. Recomendamol-o.
Occorrencias policiaes (L. S.)—Dia 4—Por desordem estiveram detidos tres individuos. Dia 5 até 10—Nada.
Correspondencias
Aljustrel, 28-12-78. Sr. redactor—O sr. padre Cardote tinha de celebrar missa mandado dos mineiros governamentaes das minas de Aljustrel, no dia 5 do corrente mez, por alma dos trabalhadores que tinham fallecido na referida mina; porem como o tal Cardote esperava no adro da egreja matriz por aquelles brigadeiro foi a sua unção vocal para elle chegava um individuo pedindo-lhe para que fosse vaticar uma enferma ao monte do Moinho; de tal modo foi a sua indignação, que se alterou, mas depois, por estar mais acalmado, disse ao portador, que depois de dizer a missa iria vaticar; ora o portador chegou ás nove e meia horas da manhã, e quando o tal histrionico saiu foi á meia depois do meio dia e levando ao seu peito o rei de ouros, montou a cavallo á porta da egreja, cavalgando pelas ruas d’esta villa, de barrete posto, e com um chapéo na mão esquerda, prohibindo assim a que o povo acompanhasse a magestade divina como foi de costume até á sahida d’esta villa. Sr. redactor.—Quando o sr. Cardote chegou ao momento em casa, e foi ahi que poz em pratica a sua eloquencia de tal modo que collocando o Santissimo sobre uma meza, dirigiu-se á cama da enferma, e pegando no pulso d’esse afastando-se um pouco da assistente impropérios taes que os circunstantes ficaram assombrados como dizer-lhe, vocês são uns burros; por que nasceram, e não hão de acabar como burros!... estas vozes foram dadas em presença de arbitro dos mundos a quem acatar. Disse mais que não confessava em consequencia de conhecer, que a enferma só tinha uma birra, e logo que se lhe desse uma dúzia de cacetes logo se poria boa; porem a muitos rogos dos circumstantes, negava, não se prestando a confessar; pois até hoje ignoro como se possa fazer tal!... em seguida poz o sr. ao peito pondo o celebre barrete—nec Deo—na cabeça, o alforge ás costas, e vindo á porta bradou em alta voz pelo portador para o acompanhar, dizendo, leva o diabo d’alma! assim se incommoda o nosso Pai para que eu aqui venha? Depois de estar na rua vociferou, e pelo caminho de tal maneira, que o portador (defronte de quatro testemunhas) eu tenho vergonha de proferir o que elle disse... ora pois isto é que indecoroso e horroroso........ é e por tanto (segundo a religião que professa) merece apresentar-se tal facto em publico, afim de que as authoridades tomem as devidas medidas, e seja punido não só com as leis canonicas mas também com as civis; por quanto este sr. faltou não só ao respeito que devemos prestar á religião mas também á Magestade divina?... Sr. Cardote? quem foi aquelle que lhe deu tamanha authoridade? aonde está a sua historia? a sua consciencia, e o seu exemplo como ministro de Jesus Christo? Sr. redactor saiba mais que a enferma que estava doente por fingimento como disse o padre Cardote, e tal foi que decorridas que foram quarenta e seis horas falleceu. Um admirador.