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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 94
9 notícias

Festejos reaes

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Beja · Portugal · Sabóia Câmara Municipal · Correspondência · Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta

No domingo pelas 2 horas e meia da tarde, apenas chegou a esta cidade a noticia da chegada de S. M. a Rainha D. Maria Pia de Saboya, na parada do regimento d’infanteria n.º 17 subiram ao ar algumas girandolas de foguetes, e foi seguido na praça principal em frente da casa da camara. Á noite tocou a musica do regimento ao recolher, indo em seguida tocar na parada do quartel. Na segunda feira houve Te-Deum na igreja do Salvador, a que assistiram o exm.º bispo, todos os empregados das differentes repartições publicas, uma grande concurrencia de povo e o regimento d’infanteria 17 de grande uniforme. Depois do Te-Deum o regimento d’infanteria 17 foi formar em parada na praça publica, e alli deu os vivas do estylo a S. M. El-Rei D. Luiz I, a S. M. a Rainha D. Maria Pia, á familia Real Portugueza e Italiana e á carta, retirando em seguida para o quartel. Á noite houve uma pequena mas vistosa illuminação na praça principal da cidade feita pela camara municipal; e outra illuminação houve tambem na parada do quartel, tocando aqui a musica do regimento, e alli a dos artistas. Durante a noite subiram ao ar duzias de foguetes. Appareceu um bando a cavallo precedido de um carro triumphante, que nos pontos principaes parava recitando umas quadras alusivas ao acto. Na terça feira houve uma esmola, dada pela camara, a 180 pobres, de arroz, carneiro, pão, toicinho e dinheiro. Pela noite repetiu-se o mesmo que na vespera. Na quarta feira seguiu-se o mesmo que na segunda; em todos os dias a musica do regimento tocou a alvorada. Nesta mesma noite percorreu as ruas da cidade um bando a pé decentemente vestido, acompanhado de uma banda de musica, tocando o hymno de El-Rei o sr. D. Luiz. O povo de Beja passou quatro dias de verdadeiro folguedo. Damos os nossos emboras á camara, que excedeu a nossa expectativa.

Uma Rainha

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesArquitectura históricaAssociaçõesAssociações recreativasCasamentosComércio localCorreioDescobertas e achadosEstradas e calçadasFestas religiosasiluminação públicaJulgamentosMovimentos de tropasNavegacçãoTeatroTrânsito e circulacção
Belém · Lisboa · África · França · Itália · Portugal · Reino Unido · Sabóia Exterior / internacional · Interpretacção incerta

No domingo pela 1 hora e um quarto da tarde fundeava de fronte de Belem a flotilha que conduzia de Gênova S. M. a Rainha de Portugal, a Senhora D. Maria Pia de Saboya. Vamos dar uma idéa succinta da recepção de S. M., e do que mais se seguiu até á conclusão da ratificação do casamento no vasto templo de S. Domingos. Na manhã de 5 sahiram alguns vapores ao encontro da esquadrilha que conduzia de Gênova S. M. A companhia União Mercantil havia posto os seus vapores á disposição da associação commercial, com a reserva de um para os seus convites especiaes. Para esse, a companhia da Africa convidou as redacções de Lisboa, e os redactores das provincias, que se achassem em Lisboa. Tivemos o nosso logar de convidado no Açoriano, que é um bom vaso mercante, o qual levantou ferro ás 10 horas e um quarto do seu ancoradouro defronte do caes das Columnas. Levantaram ferro quasi ao mesmo tempo a D. Antonia, e o Infante D. Luiz. Tinham já sahido derrota da barra os vapores Argus, Lynce, e Torre de Belem, aquelle á ordem do governo, e este propriedade do sr. Burnay, admittindo por bilhetes de subscripção 1$500 rs. cada um. Todos os vapores da União Mercantil levavam musica, e os bilhetes de convite foram distribuídos de modo que os convidados não fossem incommodados. Íamos excelentemente; o dia estava o melhor possivel, e o mar chão. Antes de chegarmos á barra avistámos a flotilha de Gênova. Pouco depois do meio dia saudavamos a Rainha, e cumprimentavamos os nossos patrícios e hospedes. Ao approximar-nos da corveta Bartholomeu Dias, a musica tocou o hymno do Rei, e desenvolveu-se grande enthusiasmo. Tomámos o lugar da reserva, e acompanhámos a esquadrilha até ao fundeadouro, em Belem. Alli, ao passar pela Bartholomeu Dias, desenvolveu-se de novo grande enthusiasmo, e depois de lhe termos tomado a frente, pedimos ao capitão do Açoriano que voltasse ainda uma vez a cumprimentar a Rainha, a que este cavalheiro subscreveu com a maior benevolência. Passando de novo ao lado da Bartholomeu Dias, descobriu-se tudo, então o enthusiasmo subiu de ponto. S. M. a Rainha dignou-se apparecer no tombadilho, agradecendo as cordiaes provas de adhesão dos seus novos súbditos. S. M. vestia de azul, e occupava a direita do presidente do conselho, que estava descoberto, como assim o estava toda a comitiva real. O Senhor Infante D. Augusto, acompanhado do sr. ministro da marinha, que havia embarcado no Argus, foi cumprimentar S. M. a bordo. Pelas 3 horas da tarde, pouco mais ou menos, El-Rei, e os srs. ministros do reino, justiça, fazenda e guerra, cumprimentaram a joven Rainha de Portugal. A flotilha portugueza era acompanhada pelas fragatas italianas Maria Adelaide, Duca di Genova, Garibaldi, e vapor-correio Authian. Não acompanhavam navios alguns de guerra de França, ou Inglaterra. Assim que a esquadrilha fundeou defronte de Belem, cobriu-se o Tejo de faluas e botes nas proximidades da Bartholomeu Dias. No litoral via-se uma immensa concurrencia de povo, que fazia um magnifico effeito. Á noite illuminou-se a cidade, e uma immensidade de povo percorria as principaes ruas. Hontem teve logar a ceremonia das bênçãos nupciaes, conforme estava annunciado. Nunca vimos em Lisboa tão espantosa concurrencia de povo, qual a de agora. Muitos mil provincianos vieram abrilhantar as festas do casamento de El-Rei, e saudar a sua joven Rainha, e tudo notava a maior alegria, sem que nos conste, á hora que escrevemos, que houvesse motivo qualquer de desgosto. O ceremonial acabou muito tarde, perto da noite. Suas Magestades, principalmente no transito para o vasto templo de S. Domingos, foram victoriadas em differentes pontos. O Terreiro do Paço, e as ruas Aurea e Augusta offereciam um espectaculo surpreendente. Muitas bellesas da capital e provincias abrilhantavam estes pontos. Á noite a concurrencia do povo era espantosa. A illuminação do Terreiro do Paço fazia um bello effeito. A fachada do theatro de D. Maria II estava lindissima. A illuminação de madame Aline ao Chiado estava de ultimo gosto. O arco mandado levantar pela Associação Commercial ao Corpo Santo é uma cousa magestosa. Nas ruas de maior transito havia immenso pó, e tomámos a liberdade de lembrar á exm.ª camara, que mande irrigar bem essas ruas, á cahida da tarde (ruas Augusta, Aurea, Nova do Carmo, Chiado, Arsenal). Em summa, tem sido magnifica a funcção por occasião das reaes núpcias, e confiamos que ha de concluir por tres actos, que hão de tornar para sempre commemorado tão fausto acontecimento: amnistia amplissima para todos os crimes politicos, commutação de pena para todos os outros delictos julgados, e rehabilitação dos tão infelizes, como benemeritos, officiaes realistas. Agora duas palavras ás nossas damas, acerca da sua (e nossa) joven Rainha. A Senhora D. Maria Pia é branca, rosto sobre comprido, olhos pretos, cabello loiro, orelhas largas, feições mimosas, ar insinuante e de bondade, o que dá um todo surpreendente. Damas portuguezas, a vossa Rainha é bella de corpo; mas é ainda cousa melhor, bellissima d’alma. Que Deus a felicite, com toda a sua augusta familia! Que Deus felicite Portugal! Que Deus felicite a Italia! S. M. veiu acompanhada da sua antiga aia, e de seu idolatrado irmão o príncipe Humberto. Não veiu o príncipe Napoleão, nem a sua augusta esposa. (Do Doze de Agosto.)

Beneficencia regia

Política e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBeneficênciaCostumes e hábitosGoverno civilObras de infraestruturaPontes
Porto · Portugal Governo Civil

Os jornaes do Porto dão esta importante noticia: «El-Rei o senhor D. Luiz I, fiel ás tradições gloriosas da dynastia que representa, e verdadeiro imitador das virtudes de seu augusto irmão de chorada memória, mandou entregar ao sr. governador civil d’este districto, por intermédio do sr. conde da Ponte, a quantia de 500$000 reis para auxilio da sopa economica que vai distribuir-se pelos operarios fabricantes, a quem a falta de trabalho reduziu á miseria. Merecidos louvores cabem ao monarcha reinante, que n’esta obra de caridade tambem prodigalisou a sua protecção ás classes operarias do Porto. Se ao senhor D. Luiz resta a satisfação que as boas obras imprimem no coração generoso que as pratica, nem por isso deixa de caber aos operarios fabricantes do Porto e a nós a obrigação de as reconhecer. Honra seja á munificencia do rei de Portugal.»

Grande associação

Cultura e espectáculoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesAssociações recreativasLivros e publicações
Alemanha · Europa · França Correspondência · Exterior / internacional

Segundo diz o correspondente do nosso collega Ao Jornal dos artistas, em Heidelberg (Allemanha) acaba de se formar uma grande associação de alfaiates, a fim de affastar da França o imperio da moda. N’esta nova sociedade, que se denomina «Associação de modas da Europa», admittem-se como socios todos os alfaiates da Europa. É mais um meio de se aperfeiçoar e dar impulso ás artes, e por isso desejamos prospera vida á nascente associação.

Sociedade promotora de casamentos

Sociedade e vida quotidianaAssociaçõesCasamentos
Madrid · Espanha · Portugal Exterior / internacional

Diz o [ilegível]. Foi creada em Madrid uma sociedade para promover casamentos entre as pessoas, que por falta de meios, ou por outras quaesquer circumstancias se vejam afastadas do gremio matrimonial. Por este modo uma solteirona, a quem o amor abandonou até aos 30 annos; uma viuva acceitavel; uma donzella bexigosa e sem dote; um torto ou corcunda...; e o elegante dubio poderão com o auxilio desta util sociedade passar ao estado conjugal. Permitta Deus que em Portugal se institua uma sociedade d’esta natureza, afim de tirar do purgatorio tantas almas que ahi gemem.

Rectificação

Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaEstradas e calçadasFurtos e roubosHomenagensObras municipais

Accusámos ha dias a camara por não olhar para uma construcção que se estava fazendo na rua dos Sembranos, e em que nos parecia que se roubava quasi um metro á largura da rua. Fomos assim informados, e assim o escrevemos. Tivemos porém occasião de pessoalmente verificar que não tinhamos rasão, porque a nova parede está no mesmo lugar em que estava a antiga, e que por isso não se roubou terreno algum á largura da rua. Em homenagem á verdade entendemos dever fazer esta declaração.

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo, alqueire, 680 a 740; cevada branca, 380 a 400; farinha, 700 a 780; sal, 160; feijão, 800; aguardente, almude, 2$300 a 2$400; vinho, 1$200 a 1$300; azeite, 3$600; vinagre, 800 a 900; batata, 1 kil., 40.

Sr. redactor

Cultura e espectáculoEconomia e comércioComércio localLivros e publicações
Beja · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

Rogo-lhe o favor de publicar no primeiro numero do Bejense o seguinte: Pedimos ao auctor da correspondencia datada desta cidade, e inserta no Bejense de 4 do corrente mez, que dê a devida attenção ao nosso artigo publicado no n.º 2697 do Jornal do Commercio para reconhecer que no mesmo não ha motivo para a pergunta que teve a bondade de dirigir-nos, por equivoco talvez; sentindo não poder satisfazel-o, visto que a sua resposta se acha dependente da mesma indicação. Beja 11 de outubro de 1862.

Exterior

Cultura e espectáculoExércitoMunicípio e administracção localSaúde e higiene públicaConferênciasHospitaisMédicos e cirurgiõesMovimentos de tropas
Berlim · Londres · Roma · Alemanha · América · Itália · México · Prússia · Reino Unido Exterior / internacional · Hospital · Interpretacção incerta

Diz o Corning-Post que o partido mazzinista tenta novas conspirações, porém que as auctoridades não perdem de vista os movimentos. Continuam os jornaes a fallar no grande empréstimo contrahido pelo governo italiano. Os jornaes de Varsovia, dizem, publicam algumas medidas, que dão a entender quererem-se acabar alguns rigores que alli estavam estabelecidos. Berlim 20.—Lia-se na camara dos deputados, que o ministro da fazenda pedira a sua demissão, e tambem o da guerra, porém que o rei não havia acceitado [ilegível]. Diz-se de Londres em 21 que o typho faz grandes estragos em Cadiz e Macau. Houve insurreição em Terraras. Em Morning Club (Londres) foi adoptada uma moção em que se manifesta a esperança de que Garibaldi visite Londres, offerecendo todas as classes a melhor hospitalidade. Os confederados soffreram uma derrota, e foram impellidos a repassar o Potomac. Esta guerra dos estados da America é uma guerra de destruição; apenas se recebe noticia da derrota dos federaes, vem de breve uma outra de outro ponto que nos diz o mesmo dos confederados. Na manhã de 17 chegou a Spezzia o cirurgião inglez que alli se esperava, indo em seguida ver o general Garibaldi. A Spezzia tem chegado muitos inglezes, que se crê virem obedecer a uma palavra d’ordem. A crise ministerial na Prússia estabeleceu incerteza; falla-se no pedido da demissão da parte de alguns membros do gabinete, sendo Mr. Bernstorff um dos ministros que se retira, e que se julga irá novamente para Londres como embaixador. No Mexico têm-se espalhado alguns papeis que se dizem de origem hespanhola, convidando o povo á uma monarchia. Garibaldi está melhor. Cartas vindas de Roma dizem que o exercito francez está alli descontente. Dizia-se que no dia 19 de setembro á noite tinha chegado incógnito el-rei Victor Manoel, desembarcando em [ilegível], indo ter uma larga conferencia com Garibaldi, finda a qual embarcou immediatamente. Apesar do muito segredo que queria guardar-se, esta noticia transitava como certa.