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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 11
4 notícias

Festividade

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Beja · Lisboa · Portugal Câmara Municipal · Governo Civil · Igreja

Teve lugar, nos últimos tres dias da semana que passou, a festividade do SS. Sa cramento, que este anno, com a pompa e grandcsa do costume, foi solemnisada na egrcja de Santa Maria d’esta cidade. A melhor ordem e dccencia presidio a todos os actos d'esta augusta solemnidade, que a cidade de Beja, em todaa as epocbas, e em todos os tempos, tem sabido appresentar, digna de uma terra illustrada, e do venerando mysterio, que a igreja celebra n’estes dias. Nada faltou para tornar magcslosa esta manifestação d’ culto religioso, esta verdadeira homenagem de respeito, que o nosso povo todos os annos tributa ao Rei dos reis. À irmandade de Santa Maria cabem, realmente, os mais justos louvores, pela efficaz dedicação com que procurou desempenhar a nobre missão que lhe incumbia. O templo achava-se ricamente decorado, e junto á sua entrada, no adro, a philarmonica artistica Bejense executava lindas peças de muzica. A muzica do côro tanto a vocal como a instrumental satisfizeram plenamente, e as iozes do snr. Celestino, e Bonifácio discípulo do conservatorio de Lisboa, muito faziam realçar as agradaveis harmonias, que, de involta com as nuvens de incenso, subiam até ao throno do Senhor. O desempenho das funcções do púlpito caminhou em perfeita harmonia com todo o apparato e pompa da festividade. Oraram os reverendos Padres Alexandre Ramos Cid, Dr. Barradas, e José Gonsalves Janeiro. No profundo silencio do auditorio estava escripto o mais subido elogio á intelligencia dos oradores. Gostámos de ver a firmeza, e a convicção com que os dignos ministros do altar cortavam pela base os argumentos dessa doutrina prevertida, com que os inimigos da religião teem pretendido desvirtuar o mais santo, o mais augusto, o mais venerando dos mysterios da nossa religião. Os argumentos de analogia, que os sagrados oradores foram tirar aos phenomenos do mundo physico, e á ordem moral, foram magnificamente escolhidos, e habilmente manejados — A eloquência a par da lógica triumfavam no púlpito contra a incredulidade, e contra o atheismo. Oxalá que o púlpito Portuguez seja sempre tão dignamente occupado, e a religião de nossos paes tenha sempre tão intelligentes deffensores. Na noite de sabbado houve um variado fogo de vistas, cujo bom effeito foi um tanto diminuído pelo estado da atmosfera, que, n’essa noite, se achava carregada de vapores. No domingo a concurrencia do povo ao templo foi immensa. Das duas para as tres horas da tarde foi servido um magnifico jantar aos encarcerados nas cadeias da cidade, e a um grande numero de indigentes. As differentes iguarias, que constituíam o jantar, eram conduzidas em 126 vasos apropriados, cubertos de flores e conduzidos em forma de préstito, a cuja frente tocava a banda de muzica dos artistas, desenhando assim o magnifico e tocante quadro da religião unida á caridade. De tarde differentes imagens, conduzidas em ricos andores de prata, eram levadas em procissão pelas ruas da cidade: seguia-se-lhes a custodia, conduzida pelo reverendo Prior da freguezia. A traz do palio acompanhou a procissão a Camara Municipal, o Governador civil, varias auctoridades e funccionarios públicos, e fechavam o prestido uma guarda de honra de caçadores 8, acompanhada da sua banda de muzica. Na frente da procissão tocava a muzica dos artistas. Ao recolher da procissão foi dada a posse á freguezia de S. Salvador, a quem pertence no anno seguinte a solemnisacão d’esta funcção religiosa, subindo por essa occasião ao ar innumeraveis girandolas de foguetes.

Suicídio

Serpa · Portugal Geral · Interpretacção incerta

Suicidou-se em Serpa uma rapariga, 20 annos, chamada Maria Estevens. Não estão ainda bem conhecidas as causas, que levaram a infeliz a tentar contra seus dias; supõe-se que um desgosto despertando uma súbita alienação mental dera lugar a este lamentável acontecimento.

Baile

Cultura e espectáculoEconomia e comércioBailesFeirasFestas civis e populares

Na 5.* feira á noite, 7, houve uma brilhante e concorrida reunião de famílias na casa da sociedade Bejense. Um animadíssimo e esplendido baile constituiu o principal passatempo da noite. Cantou o snr. Celestino, acompanhado a piano pelo sr. Goes.

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Preços porque correm os generos em Beja: Trigo (alqueire) 700 réis; Cevada branca 280; Dita aveia 160; Fava 700; Batata 440; Farinha 750; Sal 160; Feijão 1$000; Chixaro 600; Aguardente (almude) 3$200; Vinho (almude) 1$600; Azeite 3$200; Vinagre 1$000.