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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 298
30 notícias

Beja 7 de setembro

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Algarve · Beja · Bragança · Lisboa · Madrid · Porto · Espanha · Portugal Exterior / internacional · Governo Civil · Interpretacção incerta · Relatório

Revista da semana—Continuam no santo ocio os srs. ministros da justiça e marinha mas em compensação vão fazendo algum cousa os seus collegas do reino, obras publicas e guerra. Referendados, pelo ultimo, appareceram tres decretos e uma portaria. N’ella ordena sua ex.ª ao commandante geral de engenheria que mande progredir a execução dos trabalhos de fortificação na serra de Monsanto; pelo primeiro dos decretos foram abertos dois créditos extraordinários na importância de 600 contos de reis, sendo applicados para armamento, equipamento e material de guerra 500 e para despezas do campo de manobra 100; pelo segundo foi creada uma commissão, sob a presidência do sr. marquez de Sá, para estudar e propor o plano das fortificações da cidade e porto de Lisboa, e pelo terceiro foi nomeada outra, a que preside o sr. general Baldy, para estudar e propor a reforma do exercito, da secretaria da guerra e das leis que regulam as recompensas e promoções. Um relatorio optimamente bem pensado e escripto com primôr precede os decretos. N’elle expõe o sr. Fontes, a el-rei, as circumstancias do exercito, a necessidade de o reorganisar e dá as razões que determinaram o governo a proceder menos legalmente. Sentimos que devido ao pouco espaço de que podemos dispor nos vejamos obrigados a não poder dar n’este numero, na sua integra, um tão notável documento. Publica-lo-hemos porem no seguinte sem falta. Querendo conhecer se ao artigo 3.º do decreto com força de lei, de 21 de outubro de 1836 se presta fiel e pontual observância, acaba o sr. Martens Ferrão de dirigir uma portaria circular aos governadores civis, recommendando-lhes que remettam annualmente, ao ministério do reino, mappas das sobras das irmandades e confrarias e da applicação que tiveram. Merece louvor por esta providencia, o sr. ministro do reino porque os estabelecimentos de piedade e beneficencia estão soffrendo bastante em se auctorisarem, ás irmandades, despezas supérfluas. Por uma outra portaria determinou tambem o nobre ministro ao governador civil de Bragança, que providenceie para que os trabalhadores das estradas, assim que adoeçam, sejam logo convenientemente tratados e por uma outra, ao mesmo magistrado, ordenou-lhe que louve o empregado Francisco Eugênio da Silva Barros pelo bom serviço que prestou fazendo arrecadar avultados debitos de algumas municipalidades, realisando uma economia de reis 1:279$380, excluindo muitos expostos indevidamente matriculados, e activando a cobrança de derramas municipaes em alguns concelhos. O sr. Corvo acaba de regularisar o abono dos vencimentos dos engenheiros, architectos e conductores do corpo da engenheria civil. Era uma providencia de ha muito reclamada porque os vencimentos que actualmente percebiam aquelles empregados não tinham outro fundamento legal senão os despachos e resoluções ministeriaes, segundo os casos oscuorrentes e as necessidades de momento. A contar pois do 1.º do corrente e segundo as suas graduações, serão abonados, mensalmente, áquelles empregados, os seus vencimentos pela tabella seguinte: Inspector de divisão 100$000; Engenheiro chefe de 1.ª classe 85$000; dito dito de 2.ª 70$000; dito subalterno de 1.ª classe 40$000; dito dito de 2.ª 40$000; Aspirante a engenheiro de 1.ª classe 30$000; dito dito de 2.ª 24$000; Architecto de 1.ª classe 70$000; dito de 2.ª 43$000; dito de 3.ª 30$000; Conductor de 1.ª classe 40$000; dito de 2.ª 31$000; dito de 3.ª 27$000; dito de 4.ª 22$000; dito auxiliar 20$000. Alem do vencimento fixo, segundo a natureza e importancia do serviço, receberão aquelles empregados gratificações as quaes para as primeiras calhegorias serão de 80, 57 e 38 mil reis e de 25, 13 e 6 mil reis para as segundas. Alem d’isto quando se afastarem das residências officiaes para fazer estudos ou reconhecimentos 15 kilometros, e 25 para dirigir estudos, fiscalisar ou inspeccionar trabalhos ser-lhes-ha abonada diariamente como indemnisação por gastos de viagem, uma ajuda de custo regulada pela tabella: Inspector de divisão 3$000; Engenheiro chefe de 1.ª e 2.ª classe 2$500; dito subalterno de 1.ª e 2.ª 2$000; Aspirante a engenheiro de 1.ª e 2.ª classe 1$500; Architecto de 1.ª classe 2$500; dito de 2.ª 2$000; dito de 3.ª 1$500; Conductor de 1.ª e 2.ª classe 1$000; dito de 3.ª e 4.ª 800; dito auxiliar 500. Esta reforma trouxe algum augmento de despeza, mas não tanto como se diz. Para pagamento da differença do preço de pão e forragens foi aberto no ministério da fazenda, a favor do da guerra, um credito supplementar de reis 26:021$442 e para subsidiar os emigrados hespanhoes um extraordinário de 50:000$000. São estas as novidades officiaes. As não officiaes é dizer-se que o sr. Martens Ferrão tem quasi concluida a reforma administrativa, que no corpo diplomalico se vão introduzir reformas, e que vão ser mandados apresentar, á junta militar de saude, alguns officiaes. O sr. conde d’Avila, já partio para Madrid. O boato que correu de haver apparecido o cólera em alguns pontos do Algarve é destituido de fundamento.

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Beja · Évora · Lisboa · Portugal

(Continuação)—Quando demos a noticia de haver sido suspenso do exercício de suas funcções o sr. administrador central do correio de Beja, Alexandre Pinto da Fonseca Vaz, promettemos esclarecer o publico acerca do nojento trama que nas trevas urdiram, contra sua ex.ª, uns miseráveis que querem passar por homens de bem e defensores da moralidade, mas que não são mais de que uns vis e abjectos calumniadores. Sobre o que se deu e está dando com o sr. administrador central do correio de Beja, fizeram-se no Jornal de Lisboa, uma das folhas mais sisudas e honestas do paiz, revellações importantissimas. A elle vamos buscar o que julgamos necessário para illucidar o publico começando deste modo a desempenhar-nos do compromisso que contrahimos ha tempo. Lê-se pois na folha a que nos referimos: «O sr. Lessa director geral dos correios, assás conhecido pela sua índole despotica, é inimigo-capital do administrador central do correio de Beja, o qual tendo sido nomeado para este logar contra vontade e diligencias do sr. director tem este diligenciado acintosamente por todos os meios, ainda os menos airosos, compromettel-o. Não o tendo podido conseguir legalmente desceu para esse effeito a mancomunar-se com um pretendente ao logar; arranjaram-se cartas anonymas: sobre ellas fundamentou-se um inquerito ou visita á administração por um empregado especial ad hoc creatura intima do director geral.» Se isto é exacto forçoso é confessar que o sr. Lessa andou n’este negocio menos decentemente, e que a proverbial rispidez de sua ex.ª e a sua moralidade, tão apregoada, não passam de palavras ocas. Quem desce a guerrear um empregado, seu inferior, por taes meios e com taes armas desprestigia-se. Que espera sua ex.ª, a ser exacto o que se diz, que façam esses com quem se mancomunou? Se elles se desviarem da senda que o bom empregado deve trilhar como quererá obrigal-os a entrar nos seus deveres? Que força tem para isso? Nenhuma. Não nos alarguemos porem em considerações, deixemos ao publico os commentarios e continuemos a ouvir o que se diz no Jornal de Lisboa. Conta-se em seguida a maneira como se procedeu á syndicancia sobre actos, mais particulares do que públicos, do administrador central do correio d’esta cidade, e publica-se depois, para se provar que no inesperado balanço que se deu ao cofre se achou estar tudo na melhor ordem, o seguinte documento: «Aos trinta e um dias do mez de julho de mil oitocentos sessenta e seis, nesta administração central do correio de Beja, sendo presente o official visitador da direcção geral dos correios, Carlos José da Horta Veiga, em visita de commissão n’esta administração, bem como o administrador Alexandre Pinto da Fonseca Vaz, o fiel thesoureiro, Adriano de Sousa Affonso, o official de primeira classe encarregado da contabilidade, Francisco Sérgio da Matta Veiga, comigo Gustavo Carlos de Sousa, praticante da mesma administração, afim de ter logar o balanço ao cofre, segundo o determinado no artigo quarenta e um das instrucções geraes de contabilidade de vinte e dois de fevereiro de mil oitocentos cincoenta e quatro, e sendo em seguida aberto o cofre, e verificado por meio de contagem a existência dos valores nelle arrecadados, se encontrou em dinheiro de metal a quantia de quinhentos e onze mil cento e setenta e dois reis, que com a de reis trinta e oito mil seiscentos e quarenta, vencimento dos carteiros na semana de um a vinte e oito de julho do corrente anno, e a de reis cinco mil trezentos e trinta e quatro, premio de desembolso pelos sellos que compraram no dito mez os directores de correios e depositarios das caixas de pequena posta; verbas estas ainda não abonadas pela direcção geral dos correios prefazem o total de reis quinhentos e cincoenta e cinco mil cento e quarenta e seis, que é exactamente o saldo que demonstra o livro do cofre; e bem assim se encontrou em sellos o valor total de reis um conto quatrocentos e oitenta e tres mil quinhentos e cincoenta, proveniente de sette mil quatrocentos e deserto sellos de taxa de cinco reis, dez mil quatrocentos e noventa dos de dez reis, trinta e quatro mil trezentos e quarenta e oito dos de vinte e cinco reis, mil novecentos e trinta e cinco dos de cincoenta reis, tres mil quinhentos e vinte e cinco dos de cem reis, e duzentos e oitenta dos de cento e vinte reis; quantidades e valores que tambem demonstra o livro—D—caixas de sellos. Depois do que, foram todos os ditos valores novamente arrecadados no cofre, e logo foi pelo dito official visitador, Carlos José da Horta Veiga, intimado o despacho do excellentissimo senhor conselheiro director geral dos correios de trinta d’este mez, ao respectivo Alexandre Pinto da Fonseca Vaz, pelo qual o mesmo é suspenso do exercício das funcções do dito logar, pelos motivos declarados no referido despacho, de que lhe foi entregue uma cópia, sendo por este motivo, e em conformidade com as ordens do mesmo excellentissimo senhor, entregue a administração ao official de primeira classe, Francisco Sérgio da Matta Veiga, o qual fica com uma chave do cofre, o fiel thesoureiro com outra, e a terceira foi entregue ao official de segunda classe, Antonio Gomes Pereira, que fica tendo a seu cargo a contabilidade, e assistiu tambem a todos os actos praticados. E por esta fórma se deu por concluido o balanço, e feita a entrega da administração. E de tudo para constar se lavrou o presente termo que depois de por mim ser lido e se achar conforme foi assignado pelos supramencionados. E eu Gustavo Carlos de Sousa, praticante d’esta administração que o escrevi e assigno, Carlos José da Horta Veiga, Alexandre Pinto da Fonseca Vaz, Francisco Sérgio da Matta Veiga, Adriano de Sousa Affonso, Antonio Gomes Pereira, Gustavo Carlos de Sousa. Está conforme. administração central do correio de Beja, em 1 de agosto de 1866. O official de segunda classe,—João Silvestre da Fonseca Junior.» É importantissimo este documento e responde cabalmente ás accusações feitas nos anonymos de que o sr. Vaz substituia, por vales, os dinheiros públicos arrecadados no cofre. Não gostarão por certo que se lhe dê publicidade os inimigos de sua ex.ª. Tenham paciência. Soffram que tambem a moralidade, por sua causa, padece. Mas ha ainda no artigo d’onde lemos copiado estes trechos outros mais importantes. São estes: «O administrador requereu ao sr. ministro para ser ouvido, sobre as accusações que lhe eram feitas, negando formal e positivamente os fundamentos da suspensão; Veio a Lisboa, procurou fallar ao ministro, e instou para ser ouvido; pois ha quasi um mez que aquelles factos se deram e ainda nem o requerimento teve despacho, nem o ministro se dignou attender o accusado! Ao mesmo tempo que isto se dá continua o director geral a empenhar toda a sua influencia e a dos seus amigos para com o ministro, afim de lhe sanccionar a sua arbitrariedade. Os papeis foram ao ajudante do procurador da coroa no ministerio das obras publicas, e n’elle logo se agarrou o director geral, pretendendo a todo o custo fazer com que o citado administrador seja exonerado. O que porém se não quer por modo algum, é que elle seja ouvido e que apresente a sua defesa. Teme-se que o administrador por justo desforço da sua honra e dignidade offendidas, se apresente e diga coisas pouco lisongeiras ao director geral e aos seus seides.» Sempre em tudo o sr. director geral! Sempre elle que nesta questão devia elevar-se a descer até nivelar-se aos calumniadores! Mas se sua ex.ª lhe não repugna isso, se lhe não imporia tomar parte activa n’este negocio, o que não poderá conseguir, á não se atropellar a lei e tudo quanto ha de justo e honesto, é que o sr. Vaz seja condem nado sem primeiro ser ouvido. D’isto só se fazia, e não era sempre, no tempo da inquisição e no reinado do sr. D. Miguel; mas hoje que nos regemos constitucionalmente não é possível. Esses santos usos cahiram na Asseiceira e deram o arranco extremo em Evora-Monte. Tentam ressuscital-os? Fazem mal porque as consequências podem ser mais serias do que suppõem. No meio de tudo isto lemos fé que o sr. Vaz ha de alcançar um completo triumpho sobre seus inimigos. Ao ministerio das obras publicas preside um cavalheiro respeitável e quem por costume administra inteira justiça. Confiamos n’elle.

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Anúncio oficial · Igreja · Relatório

(Circular do ministerio do reino, 21 de agosto de 1866)—Tendo sido ordenado em portaria circular de 1 do corrente mez de agosto que os governadores civis dos districtos do reino procedam á visita dos respectivos districtos, a fim de, quanto couber nas suas attribuições, proverem sobre os ramos de serviço publico confiado aos seus cuidados; enviar ao governo o relatorio do estado da administração em todas as localidades do districto; e promover as differentes ordens de melhoramentos que muito lhes têem sido recommendadas nas diversas instrucções emanadas do ministerio do reino, é conveniente n’esta occasião chamar em especial a attenção dos referidos magistrados administrativos para o importante assumpto da beneficencia publica, que mui to convem que em todos os districtos administrativos do reino seja desenvolvida e generalisada. Nem é insolúvel o problema da miséria se os governos que se impuzeram o encargo de o resolver dominando os efffeitos do pauperismo, não separarem da pratica da administração a parte que n’esta importante obra deve pertencer de preferencia ao sentimento publico. Quando existe um sentimento moral, quando actua em todos os indivíduos e qual é aquelle em que a privação exerce influencia? o dever do governo é aproveita-lo, deixando-lhe toda a espontaneidade, mas procurando convenientemente encaminhar com liberdade e com mão dada para soccorro dos pobres a sua acção e efffeitos. A miséria e com ella a mendicidade nasce de muitas e variadas cousas, que o estado da sociedade diversa. A ignorancia generalisada no povo, e a falta de educação moral; a deficiência de actividade nas localidades, e a corrente constante da emigração dos povos dos campos para os grandes focos de população, deixando ali immensas riquezas por explorar, e vindo lançar na miséria ou entregando ao vicio successivamente os sobejos do emprego nas industrias das grandes cidades, são as cousas que mais concorrem para o augmento do pauperismo, e que as administrações provinciaes devem combater com perseverança e á justa ainda de sacrificios. Estas cousas são poderosas, e mais ou menos permanentes, e devem por isso seriamente preocupar a solicitude publica. Mas por outra parte são igualmente valiosos os recursos que a sociedade póde empregar para contrair constante e progressivamente aquelle vicio social infelizmente tão generalisado. Expo-lo aos povos e indicar os meios proficuos de o contrariar, são o primeiro recurso de que é mister lançar mão. Docrer da sua profundidade sana desconhecer o poder pratico da convicção, e a acção eficaz e inevitavel que no espirito dos povos, ainda os menos illustrados produz sempre a luz da verdade. N’este intuito é mister aproveitar o concurso dos homens illustrados das localidades, e procurar com o auxilio e com a coadjuvação d’estes encaminhar a acção das populações n’uma direcção que constantemente contrarie áquelle desvio. A educação popular deve ser dirigida no mesmo sentido, e os seus resultados não serão duvidosos quando se levar a todas as classes a instrucção apropriada a cada uma das profissões sociaes e se fizer sentir ao chefe da família que não tem direito de recusar o pão da instrucção a seus filhos deixando-os entregues á ignorancia. A caridade assiste ao indigente depois da sua decadencia na miséria ou na pobreza; a reserva organisada collectivamente, as sociedades de soccorros, e todas as outras instituições que accumulam recursos para quando a vigôr abandona o individuo ou os accidentes da fortuna temporariamente o deixam sem emprego util, previnem a queda na miséria. A par d’esta serie de elementos uns de alivio outros de prevenção que é mister coordenar e ligar intimamente para a solução do problema da miséria, desponta uma ordem de instituições novas, que se generalisa com utilidade nos paizes que têem tido o bom aviso de preparar a sua propria educação economica; são as instituições de credito popular, que auxiliam pelo credito o operario; são as colonias agricolas e industrias que aproveitam utilmente as forças da mendicidade ainda valida, ou educam para o trabalho a infancia desvairada pelo vicio e pelo abandono. Assim como a caridade resgatou o pauperismo das mãos da escravidão, assim a providencia deve por antecipação procurar evitai-o. Desta maneira tornar-se-ha cada vez mais limitada a missão da assistência publica. Esse é o grande commettimento economico que mais interessa ás classes operarias. Emprehende-lo segui-lo com perseverança, auxilia-lo com largueza é o dever do governo: antecipará assim com proveito a realisação do pensamento que inevitavelmente tem de ser a lei geral da sociedade futura. Mas para que as instituições que ficam enumeradas possam prosperar rapidamente, é necessario concurso dos particulares e providente auxilio do estado. N’este sentido porém a acção do governo actualmente depende de grandes parte de faculdades legislativas de que não está prevenido e que precisa obter. É conveniente por isso predispor, n’este intuito, a opinião dos povos, preparar o concurso e a iniciativa particular pelo associação, e reanimar e dirigir a ação das instituições já existentes. Todo este trabalho incumbe aos governadores civis na occasião da visita que vão começar, cujo fim não é só indagar a maneira por que a administração é praticada, mas tambem, a par com esse importante assumpto, dar util impulso a toda a ordem de melhoramentos que convem iniciar ou desenvolver nas localidades. Deverão dar conta ao governo dos resultados uleis que poderem obter, a fim d’este auxiliar convenientemente, essas instituições pelos meios e que dispõe, e instruir com os esclarecimentos obtidos as propostas que tiverem de ser apresentadas ao parlamento. Outro assumpto, ligado intimamente com o que fica exposto, deve chamar tambem a attenção dos governadores civis. A exposição das creanças é um mal que cresce todos os dias em proporções, que seriamente devem preocupar os poderes públicos. Mortalidade em exagerada desproporção com a que se dá nas creanças educadas no seio da família, e entregues aos cuidados de seus paes; vicioso desenvolvimento physico da grande maioria d’aquellas que chegam a passar dos primeiros annos; falta de costumes moraes, proveniente do desconhecimento da educação e da amor da família; abandono e desamparo no meio da sociedade, e por isso carreira aberta para o vicio e depois delle para o crime; são as tristes e inevitaveis consequências da exposição. Por outra parte impedindo o complemento da família a exposição compromette gravemente os costumes públicos, é um triste exemplo do desprezo dos deveres naturaes e sagrados da paternidade, e chega a conduzir pela impunidade até á exposição da filiação legitima! Debaixo ainda de outro aspecto a exposição absorve, com pouco resultado, os melhores recursos do municipio e do districto. As causas mais geraes d’ella são, a miséria e a pobreza das mães; a facilidade de expor e não poucas vezes o lucro dahi deduzido; a falta de educação moral e religiosa; e o desprezo dos costumes. Todos estes viciosos desvios da sociedade devem ser combatidos com perseverante energia. É necessario organizar sociedades especiaes de protecção, que exerçam para com os expostos durante todo o periodo da educação os deveres da tutela, que seus paes abandonaram; convem generalisar a fundação de hospicios, e ao lado d’elles desenvolver o estabelecimento das creches; é mister ir ainda mais longe e acompanhar nos primeiros annos a educação d’aquellas que seus paes enjeitaram, empregando os rapazes no trabalho em colonias agricolas ou fabris, ou confiando-os a agricultores e a industriaes, debaixo da vigilancia da auctoridade, e entregando as raparigas a estabelecimentos de caridade e de educação. Assim a sociedade acompanha-os em todos os seus passos durante a infancia: toma-os no berço, segue-os na escola, na igreja, no hospicio, na officina, nos campos e empenha todo o poder de que dispõe para prehencher o vacuo immenso que em torno d’elles cavára o crime ou a falta dos seus progenitores. Outro ponto convem ter muito em vista, é dar largo desenvolvimento ao systema do auxilio ás mães pobres para a creação dos filhos. Este recurso generalisado ha de ser um dos mais poderosos meios para evitar o systema que tem sido exposto. E a par d’esta serie de elementos uns de alivio outros de prevenção que é mister coordenar e ligar intimamente para a solução do problema da miséria, desponta uma ordem de instituições novas, que se generalisa com utilidade nos paizes que têem tido o bom aviso de preparar a sua propria educação economica; são as instituições de credito popular, que auxiliam pelo credito o operario; são as colonias agricolas e industrias que aproveitam utilmente as forças da mendicidade ainda valida, ou educam para o trabalho a infancia desvairada pelo vicio e pelo abandono. Para a organisação systematica das reformas necessárias sobre este assumpto os governadores civis deverão igualmente informar o governo: 1.º Do numero de estabelecimentos de expostos existentes no districto. 2.º Da população media de cada um d’esses estabelecimentos. 3.º Da sua capacidade e estado de conservação. 4.º Da despeza media por criança em cada asylo. 5.º Da importancia da dotação dos estabelecimentos. 6.º Da proporção em que se acha a exposição com os nascimentos dos não expostos. 7.º Da mortalidade dos expostos comparada com a das outras creanças creadas na familia, e, em separado, da mortalidade dos abandonados. 8.º Do numero dos abandonados fóra das rodas e dos hospicios. 9.º Do numero dos infanticidas. As indicações deverão ser com referencia ao ultimo anno. Os governadores civis como empregados de immediata confiança, comprehenderão que, na visita aos districtos que vão fazer, devem procurar satisfazer com a maior diligencia a todas as indicações que pelo ministerio do reino lhe têem sido feitas, auxiliando assim o governo, para conveniente e opportunamente poder occurrer ás necessidades da administração publica, o que Sua Magestade El-Rei lhes ha por modo recommendado. Paço, em 21 de agosto de 1866.—João Baptista da Silva Ferrão de Carvalho Martens.

Correspondencias—Ferreira 2 de setembro de 1866

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Sr. redactor.—Em cumprimento da minha promessa feita na anterior correspondência vou apresentar ao publico o esbôço historico da ultima eleição municipal. Disculpem-me os sabichões cá da terra se o faço sem os enfeites da rhetorica que nunca estudei e nem de taes conhecimentos preciso no caso presente, pois me parece que a verdade não deixará de o ser mesmo quando se apresente sem arrebiques e quando só assim a pode dizer quem não é doutor e nem a tal tem aspiração. Disseram, em tempo, que nesta eleição tinha o partido democrático conseguido uma assignalada victoria sobre a aristocracia, e quem isto lêsse provavelmente imaginou que effectivamente se dera luta entre aquelles dous elementos sociaes: mas tal não aconteceu, porque aqui não figuram estes ou aquelles principios, esta ou aquella escola politica: aqui debatem-se quasi sempre, como ainda agora, interesses particulares e ambiciona-se o poder para satisfação de ruins paixões, de vinganças mesquinhas, muito embora se acobertem com o desejo de bem gerir corrigindo abusos. A camara transada era animada de boas idéas; mas necessitava de ser coadjuvada pela auctoridade administrativa. Para levar a effeito os seus planos eram-lhe indispensaveis os meios que só podia haver dos contribuintes: destes muitos se descuidam de pagar em tempo competente, terminado o qual começa a acção da auctoridade para obrigar os relapsos; mas esta acção é que fallou sempre, apesar das promessas vindas mais de cima. A camara instava, o administrador por birra e não sei porque mais a nada se movia! ninhuma actividade, mas muita palavra e nisso ninguem o excede, mas nenhuma idéa aproveitável: aquella dispensando-lhe o palavriado, com grande despeito da parte do orador, e exigindo energia; este saboreando os deleites da inercia, curtindo preguiça e alimentando a dos seus subordinados, um dos quaes com tudo merece contemplação pelos seus padecimentos: eis aqui já um grande elemento de opposição á camara e esta por tal forma embaraçada no seu desejo de emprehender alguma cousa util, de modo que só com muito trabalho e muito desassossego conseguiu dar um grande passo, tomou contas rigorosas ao ex-thesoureiro que assim ficou alcançado em porção pequena quantia, pela qual ainda hoje é demandada. Foi então que tambem se lembraram de lhe exigir o dinheiro da que já desconfiavam ser infiel depositario, e do qual só entregou parte, confessando por meio d’uma carta que assignou que tinha disposto para seus gastos da importante quantia de novecentos a tantos mil reis, abusando assim da confiança que elles, então n’elle tinham depositado! Tomadas as convenientes medidas de caução dispensaram-lhe os serviços e aqui recrutou a auctoridade mais um elemento inimigo contra a camara e sua clientella, porque o não deixavam comer mais, gastar, consumir ou o que em melhor portuguez se quizer que se diga. Parecia mal á camara que se executassem os devedores por pequenas quantias, tendo por isso que pagar custas que não estão em proporção e não era de decoro, nem de justiça que, ao passo que se executavam os pobres miseraveis, se poupassem os devedores de grandes quantias, havendo-os, um de setenta e tantos mil reis; outro, parente proximo do administrador e hoje um conspicuo vereador da camara, que deve ainda, apesar da sua posição official, os seus quarenta e oito mil e tantos reis; outro devedor de trinta e tantos mil reis e cuja execução começou, mas parou logo, porque, disse-se, que recommendações vindas d’esta cidade trancaram a roda do processo que de todo emperrou. Mais um de quantia superior a vinte mil reis; e o tal a quem já venderam as talhas, que o comprador pagou, mas a divida está em aberto e os conhecimentos por isso ainda fazendo carga! Outro, outro e outro... que são muitos os devedores privilegiados e com processos agachados, afim de por este meio se pagarem obrigações... e o cofre do municipio tanto de meios para occorrer ás suas despezas e por isso tambem os empregados no desembolso de vinte mezes dos seus ordenados! e alguns d’elles querendo antes pedir adiantamentos por conta, do que faturem o seu dever conseguindo desse modo a justas retribuição dos seus serviços! E só de tarde em tarde dão algum signal de vida, mas para que? para se proceder como ainda ha pouco, enviando-se uma deploravel ao administrador do concelho de Vianna afim de obrigarem as religiosas d’aquella villa a pagarem um quartel de congrua, importando as custas em quatrocentos e setenta reis! É pena que se não publique a carta que aquelle magistrado dirigiu a um seu amigo encarregando-o de satisfazer tudo, pois que as cordatas reflexões que faz sobre tão apoucado modo de proceder serviriam de severa, mas justa lição de cortezia a quem tão pouco sabe guardar as conveniencias. Continuando, dirá mais que a apropriação que a camara fez d’um terreno que era seu e em que mandou edificar uma casa d’escola que não tinha, mas do qual gozava, havia muito tempo, um influente da situação ainda mais indispoz este e sua familia e outra d’ellas. As instrucções para se tomarem e analysarem as embaraçadas contas da junta de parochia e que ainda até hoje se não deram aggravam mais o odio de um membro da mesma, que já estava indisposto por se faltar nos taes setenta mil reis de derramas. A impunidade que desejavam e de que hoje gozam uns parentes d’um vereador que a muitos prejudicam devassando-lhes as propriedades com o seu gado, gabando-se até do que fazem porque tem a justiça de casa. A promessa feita a um parente de só lhe livrar um filho do recrutamento, promessa que se não pode cumprir, tendo o mancebo de ser resgatado pelo dinheiro, tinha tambem granjeado um activo galopim eleitoral, que de mais a mais desejava mostrar a sua gratidão a alguém que a um seu tinha feito não pequeno favor, havia pouco tempo. Um protesto de vingança contra o homem que repeliu com dignidade suggestões que se lhe dirigiram para que deixasse de cumprir o seu dever veio então completar um crime, bem celebre e notavel procedente que aqui se inaugurou. O desejo d’armar e dispôr as cousas de modo que se pudesse lançar mão do dinheiro que a camara tinha em deposito e que em vez d’este pirateado podia servir para pagar certas dividas em Lisboa... fallaremos a isto mais devagar. Todas estas circumstancias que levo mencionadas e outra de que agora me não recordo, mas todas tendentes a satisfazer vinganças ou interesses particulares deram logar a uma colligação monstruosa, inaudita da auctoridade com toda a sua influencia para conseguir o resultado desejado, completamente em opposição com o bom senso, a justiça e imparcialidade que pretendia apresentar um voto de gratidão á camara que, quando nada mais tivesse feito bom, tinha ao menos vencido a grande campanha das contas do thesoureiro, salvando ainda uns poucos de centos de mil reis do poder d’aquelles soffocarem a usacia, mostra n do assim quanto zellava e bem administrava o patrimonio do municipio que é o patrimonio de nós todos os contribuintes. Eis-aqui tem sr. redactor com verdade o modo por que as cousas se passaram; depois do que esta boa gente conscia do que vale e do que pode, imaginando a sua vontade superior a todas as leis vae satisfazendo as suas paixões e passando por cima de todas as conveniencias, julgando-se em paiz conquistado, sem que isto desperte a attenção dos poderes superiores ou finalmente de quem pudesse ter-lhe mão, para se evitar o triste futuro que a esta infeliz terra necessariamente lhe deve provir deste estado de cousas na tal insignificância para quem sinceramente desejar o engrandecimento do seu reino moral e material e que só poderá conseguir dominando-se o trabalho e a industria honrada e licita, a moralisação e o temor de Deus objectos que por aqui andam muito esquecidos e nada respeitados, campeando desembrodos os vicios, principalmente o da embriaguez e o jogo em todas as tabernas e outras casas aonde muitos pais de família vão dar, alem da vergonha e os bons sentimentos, aquillo que tinham para sustentação dos seus filhos habituando-os para cousas ciimes de que muita gente dá noticia, havendo alguns roubos e sendo poucas as noites em que se não ouvem gritos de desordens apparecendo até o effeito d’estas mas de que a auctoridade não tem cuidado nenhum, porque diz a sua preguica de nada lhe dá parte! Estas são os factos; refutem-nos se podem, mas discutam de modo conveniente e como se usa entre gente civil e cortez, por que nós para comprovar o que temos dito temos centenas de testemunhas que lamentam tão triste perspectiva, e a quem falta animo bastante para uma acção forte, mas prudente e baseada na lei para uma reabilitação que é indispensavel se quizerem evitar que esta terra perca a cathegoria de trabalho com as suas tristes consequências e de que ha bem distantes provas muito perto de nós. Longa vae esta correspondência e por isso ficaremos hoje por aqui, promettendo, comtudo, continuar, se assim o julgarmos necessario, porque ainda se não disse tudo.

Noticiario

Educacção e instruçãoReligiãoConcursos e provisõesCulto e cerimóniasFestas religiosas

Festividade—Com missa cantada pela manhã, sermão e lôrlninha de tarde, a que assistiu grande concurso de fieis, se festejou no domingo, na sua capella, a linda imagem de Nossa Senhora da Guia.

Noticiario

Município e administracção localReligiãoChegadasVisitas pastorais
Algarve · Portugal Igreja

Hospede illustre—O ex.mo bispo do Algarve chegou no sabado a esta cidade partindo depois para a sua diocese.

Noticiario

Justiça e ordem públicaAgressõesBebedeiras e desordens

Desordem—Na noute de terça, no Terceirinho das Peças travaram-se de razões dois individuos ficando um d’elles bastante mal em consequência do outro, depois de o bater por cara com uma batedada, o atar a pancadas.

Tiro

Economia e comércioFeiras

Na terça feira, pela meia noute e meia hora, sentiu-se um tiro perto da cidade. Ignora-se qual a razão porque foi disparado e por quem.

Preso

ExércitoJustiça e ordem públicaDeserçõesHomicídiosPrisões
Lagos · Portugal

Na noute de sabado sahio da cadeia d’esta cidade, para Lagos, a fim de ser entregue ao commandante do regimento 15 d’infanteria, d’onde se disse desertor, o Fadista que se acha pronunciado pelo crime de assassinato perpetrado, ha mezes, na pessoa de Manuel Vaquinha. Uma força de cavallaria n.° 5 acompanhou o criminoso.

Visita

Política e administracção do EstadoGoverno civil
Governo Civil · Interpretacção incerta

Dizem-nos que o sr. governador civil d’este districto começará brevemente a visitar os concelhos. Parece que leva por secretario o amanuense o sr. Joaquim Manuel Ferreira Lobo.

Recurso

Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasNomeações e cargosSecas
Serpa · Portugal

N’uma das ultimas sessões do conselho d’estado, leu, o sr. conde de Thomar presidente da secção do contencioso administrativo, o decreto pelo qual sua magestade houve por bem denegar provimento, entre outros recursos, ao de Antonio Velhinho, filho de José Bento Velhinho e de Anna Reboxo, da freguezia de S. Salvador, concelho de Serpa, n’este districto.

Licença

Justiça e ordem públicaJulgamentos
Cuba · Portugal

Ao delegado do procurador regio da comarca da Cuba, n’este districto, foi concedida licença de trinta dias, como prorogação da antecedente, para poder estar ausente do seu respectivo lugar mas sem prejuizo das audiências geraes.

Outra

Justiça e ordem públicaCrimes

Ao escrivão e tabellião do juizo de direito d’esta comarca, o sr. Domingos Cardozo Guedes, foram concedidos tambem sessenta dias, para poder estar ausente do respectivo lugar.

Concurso

Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localReligiãoConcursos e provisões
Barrancos · Beja · Évora · Portugal Igreja

Está a concurso a egreja de Nossa Senhora da Conceição, no concelho de Barrancos, districto de Beja, diocese de Évora.

Tribunal de contas

Economia e comércioJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesCorreioJulgamentos
Almodôvar · Alvito · Serpa · Portugal

Por accordam d’este tribunal foram julgados quites para com a fazenda publica os srs: João de Almeida Valente, thesoureiro da alfandega de Serpa, pela sua gerencia desde 1 de julho de 1864 até 30 de junho de 1865; Jadnlho Manoel Vaz Ramos, recebedor da comarca de Almodovar, pela sua gerencia desde 1 de julho de 1864 até 30 de junho de 1865; Antonio Maria de Carvalho Barata, director do correio de Alvito, pela sua gerencia desde 1 de julho de 1853 até 23 de junho de 1856.

Errata

Geral

No artigo principal do numero passado, pagina 2.ª, columna 1.ª, linhas 78, onde se lê—tudo quanto promover e garantir lêa-se—tudo quanto possa promover e garantir etc. etc.

Obras publicas

Economia e comércioTransportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestruturaPontes
Alcácer · Beja · Mértola · Portugal

Na tabella da distribuição da despeza a fazer com obras de estradas, pontes, etc. etc. n’este districto, no anno economico de 1866 a 1867, encontrámos as verbas seguintes: No Desenvolvimento n.° 1: para a grande reparação da Ponte do Torjal 2:930$000; No Desenvolvimento n.° 2: para estudos de estradas, rios etc. etc. 1:350$000; No Desenvolvimento n.° 4: para a estrada de Beja a Mertola 14:000$000; Para o lanço de Alcácer á Barrosinha 8:706$000; Para o da Barrosinha ao Alfebre 748$000; No Desenvolvimento n.° 6: para pessoal da administração e expediente 2:850$000; No Desenvolvimento n.° 7: para conservação de estradas 4:130$000.

Operarios

EstatísticasTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesEstradasObras de infraestruturaPontes
Alcácer · Alvito · Beja · Mértola · Portugal Caminho de ferro

O numero medio dos operarios empregados diariamente nas estradas e outras obras publicas, deste districto, nas semanas findas em 2, 9, 16, 23 e 30 de dezembro de 1865 foi o seguinte: Estrada de Beja a Alcácer 52; « « « « Mertola 143; « « Alcácer ás Alcáçovas (estudos) 2; Ponte de Terges e avenidas 1; Ramal de Alvito á estação do caminho de ferro 6; Direcção geral 4.

Dias uteis

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesEstradasObras de infraestruturaPontes
Alcácer · Alvito · Beja · Mértola · Portugal Caminho de ferro

O numero dos dias uteis, de trabalho nas estradas e outras obras publicas, deste districto nas mesmas semanas foram: Estrada de Beja a Alcácer 28; « « « « Mertola 28; « « « ás Alcáçovas (estudos) 8; Ponte de Terges e avenidas 35; Ramal de Alvito á estação do caminho de ferro 14; Direcção geral 35.

A festa chamada das da villa

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoJustiça e ordem públicaReligiãoBebedeiras e desordensConcertosCulto e cerimóniasFestas religiosasIncêndiosTeatro
Vidigueira · Portugal Correspondência · Igreja

Em carta de 26 d’agosto dizem-nos da Vidigueira: «No dia de hoje celebrou-se a festa da Senhora das Relíquias no convento do Carmo festividade que por devoção d’antigas eras é feita todos os annos, no ultimo domingo d’agosto, a expensas de devotos da Senhora. Houve missa solemne cantada por musica vocal e instrumental que foi executada com primor, e no sermão, recitado de tarde, o reverendo padre José Maria Sétta fez com claresa, expressão e minuciosidade a apotheose da Virgem. A concorrência dos romeiros foi muita e grande numero de pessoas d’ambos os sexos cantavam e bailavam nas proximidades da igreja ao som da viola e guitarra. Nem uma desordem nem uma só altercação houve. No dia de hontem á noute houve fogo de artificio a que assistiu muito povo e bem assim a musica dos artistas vidigueirenses agradando muito as peças que tocou. F. A. P.»

Oração de um remedor bebido

Economia e comércioReligiãoAgriculturaFestas religiosas

Santa uva que estás na parreira, purificada sejas sem enxofre: venha a nós o vosso liquido, sejas bebido á minha vontade, assim na taberna como na regedoria: tres quartilhos por cada hora nos dae hoje, perdoae-me as vezes que te bebo menos, assim como perdoo o mal que ás vezes fazes; não me deixeis cair atordoado, e livra-me de todo o vinho que for artificial. Amen.

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Preços por que correm os generos em Beja. Trigo alqueire 540 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca 320; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 700; Batatas 200; Azeite almude 3:400; Vinho 1:300.

Paris, 1

Paris · Áustria · Europa · França · Itália · Prússia · Veneto Correspondência · Exterior / internacional · Geral

O «Moniteur» publica uma carta do imperador, com data de 11 de agosto, dirigida a Victor Manuel e em que diz: Soube com prazer, que vossa magestade adheriu ao armisticio e aos preliminares da paz, concluídos entre a Prússia e a Áustria. É pois provável, que uma nova era de paz se abra na Europa. Acceitei o offerecimento do Veneto, para o livrar de uma effusão de sangue inutil, afim de que a Italia seja livre desde os Alpes até ao Adriático. Senhora dos seus destinos, a Venecia poderá dentro em pouco manifestar a sua vontade pelo suffragio universal. Vossa magestade reconhecerá n’estas circumstancias a acção da França, ainda exercida a favor da humanidade e da independencia dos povos.

México, 7

México · México Exterior / internacional · Geral

Os francezes retomaram Monterey. Cortinas, que se pronunciou pelos imperialistas retomou Reynoza. Tampico foi tomada no 1.º de agosto pelos dissidentes, 200 homens mantem-se no posto contra as guerrilhas francezas.

Paris, 3

ExércitoPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasNomeações
Paris · França Exterior / internacional

Por decreto do 1.º de setembro corrente, foi nomeado ministro dos negocios estrangeiros M. Munsliur, em substituição de M. Drouyn de Lhuis que foi nomeado membro do conselho privado. M. Lavnlclte foi encarregado interinamente da pasta dos negocios estrangeiros. O general Benedetti foi nomeado grã-cruz da legião de honra.

Paris, 4

Paris · França Exterior / internacional · Geral

O «Temps» affirma que Benedelli substitue Munslier em Constantinopla.

Berlin, 3

Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localJulgamentosNomeações e cargosPartidas
Paris · França · Prússia Exterior / internacional

Benedetti partiu hontem para Paris. O rei Guilherme concedeu a Gollz uma longa audiência: o bill de indemnidade foi adoptado na camara por grande maioria. A «Gazeta do Norte» diz que a nomeação de Munslier é um novo penhor das relações cordiaes entre a Prússia e a França.

Paris, 5

Paris · França · Polónia · Rússia Exterior / internacional · Geral

As auctoridades russas em Varsóvia preparam um projecto de annexação da Polonia á Rússia.

Vienna, 4

Viena · Áustria Exterior / internacional · Geral

Affirma-se que os húngaros terão ministros responsáveis, mas terão de enviar cem representantes ao senado do império.

Nova York, 26

Transportes e comunicaçõesTelégrafo
Paris · Espanha · França · Portugal Exterior / internacional · Telégrafo

Trata-se seriamente de estabelecer novos telegraphos transatlânticos, passando pelos Açores, Portugal, Hespanha e Paris.