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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 58
11 notícias
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaCrimesLivros e publicações
Coimbra · Lisboa · Portugal Correspondência

NOTICIÁRIO—(No Folhetim do nosso n.º 55 falta uma quadra entre a oitava e a nona. É a seguinte:—Escuta-os.—Escutemo’-os... / Como elles bramem! rugem / E o espaço uivando estrugem... / Gelam-se os membros trémulos!) Assim saiu no Instituto; jornal da notabilíssima sociedade litteraria desse nome, que espontaneamente nos fez a honra de receber no seu grémio, por unanimidade. Nunca nos permittiu um coração expansivo testemunhar o nosso agradecimento por tanta honra; hoje que nos põem o mérito em hasta publica, e que não queremos que se adjudique ao credor com rebate, á falta de quem lance, aproveitamos a occasião de pagar uma divida e defender a propriedade. E pois falamos em erratas e estamos com as mãos na massa, na Beatriz vem uma flamada azul, que é para pôr juizo a arder, ás mais sismadoras e melancholicas das nossas assignantes! Não é flamada; é flamula. [Este erro, (e este sim, que é typographico; o outro era vicio de copia) foi por duplicado motivo desastroso; primeiro, porque se ao menos fosse inflamada... teria uma idea: segundo, porque esta quadra é de todas a que desejaríamos que sahisse mais fiel—ao nosso pensamento,— e á memoria de João de Lemos que a sabe de cor... Teve occasião de a recitar em conversa ao nosso primeiro amigo Manoel de Paula Viana, e de nos fazer, assim, crer, pela primeira vez, que n’este caco, como no d’André Chénier, ha aqui alguma coisa! Dessa vez disse o poeta, o Bellini da harpa lusitana, e cujas poesias são todas norma e norma eterna para os poetas da nossa lingua—«diga-lhe lá que escreva». Ora quando João de Lemos sabe de cor uma quadra; signal que a quadra... não é quadrada; e quando elle diz a alguém que escreva, é que esse alguém pode e sabe escrever. É uma sem razão acusar de parcial a historia por archivar os ditos dos grandes homens, a titulo que se o mesmo pensamento tivesse occorrido a um ninguém, morreria desconhecido. Com razão se morresse; o mesmo pensamento, não: as mesmas palavras, sim. Pois pensa-se que de boca a boca não variam as palavras d’idea? Pois quando Humboldt diz que a nossa phrase ar livre é mais bella que o grand air, dos francezes, não ha só nisso um universo d’ideas? e que nem meia idea seria só, dito por um grammatico, ou por um frade commentador d’Horacio! D’escreva, dito por João de Lemos, a escreva, dito por um João Fernandes vai a differença de escreva a não escreva. E pois falamos n’esse homem permitta-se-nos falar n’um outro, que bem não temos o gosto de conhecer mas todo o Portugal conhece. Quando a Beatriz saiu no Ateneu, poucos dias depois recebemos nós uma carta, que dizia assim: «Meu Poeta / Acabo de ler a sua Beatriz e invejei-o. Este peccado me ha de infernar a mim; este, que d’outros não hei de eu dar contas a Deus nem pabulo ao diabo. / O J. D. é o meu poeta mimoso: valido lhe chamaria eu se á sombra da minha soberania litteraria podessem privar nas regalias da reputação os que assim sabem subir e librar-se tanto acima disso, que por ahi babuja nas vertentes sujas de Castalia... / Escreva e escreva muito. Esqueça-se da lama e das mulheres de Coimbra e enleve-se todo n’esse quer que é que o faz desejar para amigo e amigo a quem se pede que nos leve ao bello mundo donde nos traz nos hinos. Depois disto, veja se encontra na terra a felicidade que lhe deseja o seu do C. / Lisboa 16 de Março de 1860. / Camillo Castello Branco.»

Vinda d’um corpo militar

ExércitoPolítica e administracção do EstadoGoverno civil
Governo Civil

Como noticiámos no numero antecedente, o regimento d’infanteria 17 tem prevenção para marchar para esta cidade. Consta-nos que o exm.º governador civil tem empregado toda a sua solicitude para com o governo, ponderando todas as razões de conveniência, que são muitas e variadas, para ter aqui um corpo. Honra seja feita a Sua Ex.ª que n’este negocio, como n’outros, mostra desejo ardente de satisfazer ás necessidades do districto.

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoGoverno civilNomeações eclesiásticas
Cuba · Portugal Governo Civil

Por proposta do exm.º governador civil d’este districto foi nomeado cavalleiro da ordem de Christo o administrador do concelho da Cuba, o sr. Manoel das Dores Rozado, pelos bons serviços que tem prestado com respeito ao recrutamento.

Camara municipal

Economia e comércioMunicípio e administracção localImpostos e finanças
Câmara Municipal · Interpretacção incerta

Consta-nos que a nova camara encontrára um grande deficit no cofre, sendo uma parte da divida ao thesoureiro do concelho, e a outra aos empregados, a quem se devem nove mezes. Parece que a camara já pediu authorisação superior para ser habilitada com alguns meios para acudir a despezas urgentes.

Cemiterio

Município e administracção localCemitériosSessões da câmara

Sabemos que o sr. Presidente da camara com mais dois vereadores foram inspecionar o cemiterio, e que vão tomar desde já algumas providencias a tal respeito.

Iluminação

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesObras de infraestruturaTelégrafo
Telégrafo

Tem melhorado este serviço principalmente n’alguns pontos da cidade; mas adentrada para a estação telegraphica, nos que está ás escuras em sendo 9 horas.

Destacamentos

ExércitoJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesDiligênciasMovimentos de tropasObras de infraestruturaPrisõesRecrutamento
Évora · Portugal

Na oitava divisão militar, são rendidos, de dois em dois mezes, não acontece assim ao destacamento do batalhão de caçadores n.º 4, que se acha n’esta cidade ha quasi tres mezes, e com um serviço violentíssimo, em consequência da sua diminuta força, e das continuadas diligencias para Evora, a conduzir dinheiro, presos civis e recrutas. Deve-se ao zelo do sr. capitão Pimentel, commandante do destacamento, o bom arranjo em que este se acha, mas tem-se visto obrigado a gastar bom dinheiro em mandar concertar o calçado dos seus soldados. Quando acabará isto? Em vindo o 17.

Limpeza

Economia e comércioMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAbastecimento de águaarremataçõesFontes e chafarizesImpostos e finançasLimpeza urbanaRepartições públicas
Interpretacção incerta

A nova camara parece estar disposta a tratar seriamente deste ramo de serviço publico, que se acha no maior atrazo e abandono. Ha sitios na cidade horrivelmente immundos, que por agora não especificaremos, mas que são bem conhecidos e frequentados. Consta-nos que ao arrematante da limpeza se lhe deve um ou mais quartéis da renda que a camara lhe paga! Noutras terras é isto uma fonte de receita para os municípios. É urgente sahirmos d’este estado embora hajam de se fazer alguns sacrifícios.

Louvável medida

Geral

O sr. ministro da fazenda acaba de ordenar que se alargue por mais 30 dias o praso para a recepção das contribuições. Alem de ser um acto de justiça, é um beneficio que o paiz recebe com prazer.

Consolação marroquina

Sociedade e vida quotidianaFalecimentos

O imperador de Marrocos dando os pezames a Sua Magestade El-Rei pela morte do sr. D. Pedro V diz por via do sr. Mohamed Bargach, servo do throno elevado por Deus, ao nosso cônsul geral D. José Daniel, que visto El-Rei fallecido ficar também substituído é o mesmo que se não tivesse morrido. Que tal está a consolação mourisca!

Expediente

Cultura e espectáculoTransportes e comunicaçõesCorreioLivros e publicações
Correspondência

Rogamos aos srs. assignantes d’este jornal, que se acham em debito de suas assignaturas, o obséquio de as mandar satisfazer aos cavalheiros indicados no numero 55. Aos srs. assignantes das localidades onde não temos correspondentes, rogamos enviem a importancia de suas assignaturas em estampilhas, ou vales do correio.